Escreve o jornalista do Correio da Manhã, António Sérgio Azenha que "desde que tomou posse no final de junho de 2011, o Governo já retirou ao rendimento dos portugueses, através do aumento de impostos, mais de 10,6 mil milhões de euros. Na campanha eleitoral para as legislativas de junho de 2011, Pedro Passos Coelho prometeu não aumentar os impostos, mas, em apenas um ano e meio de governação, não só agravou a generalidade dos impostos como aplica em 2013 a maior subida da carga fiscal de que há memória. O FMI admite, num relatório divulgado nasexta-feira, que a carga fiscal total deverá manter-se nos próximos anos. O Executivo da coligação PSD/CDS-PP, liderado por Passos Coelho e Paulo Portas, reduziu o rendimento dos portugueses por várias formas, com especial intensidade através da subida do IRS (ver infografia). E Vítor Gaspar, como ministro das Finanças, foi o rosto mais visível da estratégia governamental para o aumento da receita fiscal e, ao mesmo tempo, diminuição dos custos com o fator trabalho. Dos mais de 10,6 mil milhões de euros retirados ao rendimento dos portugueses, mais de 70% resultam da subida dos impostos sobre o trabalho e dos cortes nos subsídios de férias e Natal e nas pensões. A redução do rendimento dos portugueses é tão elevada que corresponde a mais de 90% das necessidades líquidas de financiamento do Estado em 2013, que ascendem a 11,5 mil milhões de euros. Para o bastonário da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, este "é um aumento de impostos injustificado e brutal". E remata Domingues Azevedo: "É incompreensível esta taxação sobre as pessoas, deixando praticamente livre o rendimento do capital." No relatório sobre Portugal divulgado na sexta-feira, o FMI concluiu que "provavelmente seria difícil reduzir a carga fiscal total nos próximos anos". Admitiu, no entanto, que "uma base fiscal mais alargada e um cumprimento mais rigoroso poderiam criar espaço de manobra para taxas mais baixas do imposto sobre o rendimento".