Escreve o jornalista do Expresso, Jorge Nascimento Rodrigues que "as yields das obrigações do Tesouro (OT) português prosseguem a trajetória descendente no mercado secundário da dívida desde o início do ano. As yields das OT a 10 anos que servem de termo de comparação mantêm uma trajetória de descida abaixo de 6%. Hoje fecharam em 5,819%, o valor mais baixo desde o início do ano, quando fecharam em 6,559%, segundo dados da Bloomberg. A descida das yields na maturidade a 10 anos é expressiva. E encontra-se já longe da linha vermelha dos 7%. Fruto desta descida no prazo a 10 anos, o prémio de risco, que mede o diferencial entre as yields das OT e dos Bunds (obrigações alemãs), continua a descer, tendo fechado hoje em 4,28 pontos percentuais. No prazo a 5 anos, as yields fecharam em 4,894%, um valor próximo do juro implícito (4,891%) na operação realizada hoje pelo IGCP de reabertura sindicada de uma OT a vencer em outubro de 2017. O valor de 4,894% situa-se ligeiramente abaixo do valor de fecho do início do ano, de 4,914%. Também nas maturidades a dois e a três anos prossegue a trajetória descendente, com yields abaixo de 4%; no prazo a dois anos o valor de hoje já está próximo dos 3% (fechou em 3,136%). Os valores de fecho das yields no mercado secundário são anteriores à divulgação final dos resultados da operação de reabertura sindicada de dívida, mas posteriores ao fecho da última fase da operação cujos livros de registo para os investidores do mercado norte-americano fecharam as 14 horas de Lisboa. Nos próximos dias se avaliará o efeito duradouro no mercado secundário desta operação de dívida em que 93% dos investidores foram entidades não nacionais. No entanto, a probabilidade de incumprimento da dívida num horizonte de cinco anos não baixou hoje, apesar da operação sindicada com uma procura muito elevada, e particularmente de investidores internacionais. O valor de fecho - já posterior ao conhecimento do comunicado do IGCP - foi similar ao de ontem, com o risco em 28,5%, segundo dados da CMA DataVision. Contudo, em relação ao início do ano, o risco de incumprimento desceu de 32,57% para 28,71% no início desta semana e 28,50% hoje. A posição do país no "clube" dos 10 de maior risco desceu do 7º para o 8º lugar. Em termos de preço dos credit default saps (seguros contra o risco de incumprimento, acrónimo cds), houve uma descida de 442,94 pontos base para 380 pontos base.
Procura de estrangeiros atinge 93% na operação sindicada de hoje
Apenas 7% da emissão de hoje de reabertura sindicada de uma OT a 5 anos ficou em mão de entidades portuguesas, com um peso significativo de investidores dos Estados Unidos, com a maior fatia de 33%, seguidos de investidores do Reino Unido, com 29%. Da Ásia vieram 9%. A boa colocação nos EUA deveu-se ao road show que acabou recentemente. Esta presença esmagadora de investidores estrangeiros deveu-se, como referiu o presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública-IGCP, à reconstrução "aos poucos" de uma base de investidores não nacionais. Segundo dados do IGCP, 60% das entidades investidoras foram gestores de fundos e 24% fundos de alto risco (hedge funds). Esta emissão sindicada de dívida a 5 anos é a segunda operação no processo de regresso da República Portuguesa à emissão de dívida de médio e longo prazo no mercado primário. A primeira operação foi realizada a 3 de outubro do ano passado e consistiu numa troca de dívida no valor de 3750 milhões de euros cujo vencimento mudou de setembro de 2013 para outubro de 2015. Tratou-se, contudo, de uma emissão sindicada e não de um leilão de dívida obrigacionista. Foi, no entanto, considerado um "marco fundamental" pela secretária de Estado do Tesouro, que referiu que estas operações iniciais de médio e longo prazo aproveitam "as janelas de mercado" que se têm multiplicado ultimamente no âmbito do que o presidente do Banco Central Europeu, Mário Draghi, designou de "contágio positivo". Esta emissão sindicada colocou 2500 milhões de euros, tendo tido uma procura de 12 mil milhões por parte de 289 colocadores de ordens nos livros de registo da operação, que decorreu entre as 8h45m (hora de Lisboa) até às 14h. O spread em relação ao benchmark foi de 436 pontos base e a yield da operação situou-se, no final, em 4,891%. Desde fevereiro de 2011 que não se realizava uma operação deste tipo. Neste mês de janeiro, trata-se já da terceira operação deste género lançada pelos Tesouros de países "periféricos" da zona euro. A agência irlandesa NTMA lançou uma emissão sindicada, também a 5 anos, a 8 de janeiro, em que pagou uma yield de 3,316% por um montante similar de 2500 milhões de euros com uma procura então de 7000 milhões. A Irlanda como Portugal estão na farte final dos seus planos de resgate. A Irlanda já anunciou que pretende realizar duas colocações de dívida a 9 anos em leilão, numa operação de "regresso em pleno aos mercados". Ontem, o Tesouro Público espanhol emitiu 7 mil milhões de euros numa emissão sindicada a 10 anos, em que teve uma procura de 24 mil milhões, oferecendo uma rentabilidade de cerca de 5,403% (com um spread de 365 pontos base acima da taxa de juro mid swap a dez anos)"