Segundo o Correio dos Açores, “do ponto de vista clínico ultrapassamos todos os limites de segurança possíveis”, diz uma fonte do corpo clínico, para perguntar: “Já pensaram se houvesse uma catástrofe?”, cuja resposta a esta situação hipotética, mas que poderia ter acontecido, é: “Como é que ainda não se demitiu a Directora Clínica, depois dessa vergonha de achar que 20 Kits seriam suficientes para as urgências cirúrgicas de todo o fim-de-semana”... As falhas de material no Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada não é um tema de agora, mas agudizou-se com o problema da falta de material clínico que levou ao encerramento do bloco operatório do maior hospital dos Açores para cirurgias não urgentes. As portas do bloco encerraram na segunda e terça-feira, na quarta e quinta-feira foram efectuadas as cirurgias para situações clínicas prioritárias, e hoje sexta-feira é que vai estar a funcionar na sua plenitude. Esta situação é considerada por muitos como caricata, e até desprestigiante, como afirmaram outros ao Correio dos Açores. Alguns utentes e mesmo profissionais de saúde, dizem-se incomodados com o panorama desolador a que chegou o hospital, com desconforto para os doentes que se prepararam para ser operados, mas são muitas as pessoas que entendem que isso é também uma imagem nada abonatória da segurança que o hospital deve oferecer em termos de saúde. É uma imagem do sistema de saúde regional nada boa, “tanto para a Administração do Hospital, presidido por Margarida Moura, como para o Governo açoriano, cuja área é tutelada por Luís Cabral, que recentemente tomou posse, como todos sabemos, mas que tem de tomar uma posição firme”, diz uma fonte médica. Posição firme porque a discussão gerou-se na praça pública, tanto com os comentários da responsável pela administração como do secretário, o que levou até o provedor do Utente, Armando Anahory, em declarações à Antena-1 Açores, a dizer que uma situação desta natureza, era “traumática para os doentes”. Também a Ordem dos Médicos manifestou a sua estupefacção por ter acontecido no maior hospital açoriano uma situação de ruptura desta natureza e dimensão. João Esteves disse mesmo que iam pedir explicações ao governante que tutela a Saúde para saber se a Administração estava a proceder bem, ou não, porque havia desconforto com esta situação tanto por parte dos médicos como dos utentes do serviço regional de saúde, havendo mesmo como foi referido na RTP-A quem se predispusesse a comprar luvas cirúrgicas para oferecer ao hospital.
Quem falhou?
Certo é que ninguém sabe ao certo o que falhou, e por isso estão em curso dois inquéritos, um do hospital e outro da Secretaria da Saúde, para que sejam apuradas responsabilidades. Ontem, como sabe o Correio dos Açores, estiveram reunidos todos os directores clínicos do hospital, de manhã, e à tarde o Conselho de Administração esteve reunido, mas não houve fumo branco da reunião. O nosso jornal durante a semana, e quando esta problemática foi despoletada, tentou ouvir Margarida Moura mas esta administradora nunca esteve disponível e ainda ontem reforçamos este pedido mas tal foi negado. Contudo anteontem, a Presidente do Conselho de Administração prestou declarações, para fora da ilha, a uma estação de rádio nacional – A TSF online – rejeitando as acusações de má gestão e dizendo que são públicas as dificuldades financeiras da instituição. Margarida Moura explicou à TSF que a falha de material, que obrigou ao cancelamento de cerca de 50 cirurgias programadas, deveu-se a falhas na entrega de encomendas e a dificuldades orçamentais já conhecidas, mais adiantando não compreender a surpresa do secretário regional da Saúde perante esta situação. Recorde-se que Luís Cabral disse não ter sido informado destas dificuldades atempadamente e pediu esclarecimentos à administração, mas Margarida Moura revelou já ter aberto um inquérito para apurar responsabilidades, rejeitando novamente acusações de má gestão”