Segundo o Dinheiro Vivo, "os quatro bancos de investimento responsáveis pela emissão realizada na quarta-feira, que marcou o regresso de Portugal aos mercados de dívida de médio e longo prazo, encaixaram 12,5 milhões de euros em comissões, apurou o Dinheiro Vivo. O custo para os cofres do Estado não ficou acima do praticado em operações semelhantes já que, segundo apurou o Dinheiro Vivo, a taxa cobrada para montar a operação terá oscilado entre os 0,3% e os 0,5%. Tendo em conta o montante de dívida colocado, de 2,5 mil milhões de euros, e a taxa mais elevada, de 0,5%, significa que o sindicato bancário composto pelo BES Investimento, Barclays, Deutsche Bank e Morgan Stanley terá ganho 12,5 milhões de euros em comissões. Em termos individuais, cada banco de investimento terá encaixado 3,13 milhões de euros em fees. Já quando aplicada a taxa de comissão mais baixa, de 0,3%, a "despesa" do Estado com o regresso aos mercados ascende a um montante total de 7,5 milhões de euros, com cada um dos quatro bancos a ganhar 1,88 milhões. Questionados, nem o Ministério das Finanças nem o IGCP quiseram revelar as comissões pagas pelo Estado às quatro instituições. Dois anos depois, Portugal regressou na quarta-feira ao mercado de dívida de médio e longo prazo, colocando 2,5 mil milhões de euros em obrigações do Tesouro com prazo a 5 anos, tendo pago um juro de 4,891%. A procura ultrapassou os 12 mil milhões de euros, com os investidores estrangeiros a absorverem 93% da dívida emitida pelo Estado. Os EUA e o Reino Unido ficaram, cada um, com uma fatia de 30% do total da dívida vendida, enquanto apenas 7% foi absorvida por portugueses. Contas feitas, isto significa que 175 milhões de euros do montante total de dívida foi comprado por investidores portugueses. No rescaldo de uma operação que a secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, qualificou de "muito bem-sucedida", os juros da dívida de Portugal subiram no mercado secundário em todos os prazos. A taxa de rendibilidade associada aos títulos de dívida pública portuguesa a dois anos terminou nos 3,22%, acima dos 3,14% do dia anterior. Tendência semelhante registaram os juros com prazo a cinco anos, que subiram para os 4,982%, face aos 4,89% registados no dia da emissão e superior ao juro de 4,891% que Portugal pagou. Já as yields com maturidade a 10 anos, a referência no mercado, terminaram nos 6%, patamar que tinham abandonado no início desta semana. As reações ao regresso de Portugal continuaram ontem. Além das agências de rating (ver aqui o que diz a Fitch e o que pensa a Moodys), Cavaco Silva sublinhou "o êxito do regresso". O Presidente da República considerou ainda que este processo será decisivo para a "recuperação do investimento, o crescimento da economia e a criação de emprego". Mais cauteloso, o secretário de Estado do Orçamento alertou que "há ainda um enorme caminho a percorrer no ajustamento da economia portuguesa". Ainda assim, Luís Morais Sarmento acrescentou que o sucesso do regresso representa um "sinal de confiança" que "deve constituir um estímulo para prosseguirmos no caminho do cumprimento sistemático" das metas acordadas com a troika"