Na sequência da informação ontem aqui publicada, e baseada em fontes que reputo de informadas, confirmo que Paulo Portas tem a intenção de confrontar os membros da Comissão Política e depois o Conselho Nacional - que presumo reunirão no fim-de-semana no Porto - com um cenário segundo o qual o CDS abandonaria o governo mas manteria na Assembleia da República um apoio parlamentar, recusando contudo a imposição de medidas, no quadro das políticas sociais e económicas. Confirmo a informação de que Portas já fez chegar a Belém algumas ideias sobre o actual momento, socorrendo-se para o efeito de uma "ponte" muito próxima de Cavaco. O PSD, por seu lado, teme que o CDS possa impor a alteração a algumas das medidas anunciadas, sobretudo quanto aos reformados, pensionistas e aos impostos (recordo que em Espanha Rajoy recusou alterar as reformas e as pensões) e que a não aceitação por parte dos social-democratas possa constituir a oportunidade desejada pelo CDS para que abdique de continuar no governo, desgastando-se de uma forma acentuada. Sectores do PSD, não muito próximos de Passos, mas não hostis, dizem as minhas fontes, acham que o primeiro-ministro devia antecipar-se a promover uma urgente remodelação do governo, cenário que alguns entendem dever ocorrer apenas depois do orçamento para 2013 aprovado.
Confirmo portanto que Paulo Portas está decidido a jogar "forte e feio" este fim-de-semana e que aposta em ter consigo o partido unido para os dois anos eleitorais (2013 e 2014) que se aproximam. Portas não deverá manifestar-se publicamente a favor das medidas, não fará nenhuma declaração de apoio a Passos, limitar-se-á, se for essa a decisão, a reafirmar que o CDS apenas aceita o cumprimento do programa de governo e que não tolerará desvios ao mesmo. resta saber para Portas que desvios serão esses, para além do caso da RTP...
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