"Pela terceira vez em dez anos um governo fica pelo caminho, depois de em 2001 António Guterres ter saído pelo seu pé para evitar o "pântano" e de em 2004 Jorge Sampaio ter forçado a queda de Santana Lopes. O primeiro-ministro, José Sócrates, apresentou hoje a demissão ao Presidente da República por considerar que ficou sem condições para governar, depois de o Parlamento ter aprovado resoluções de rejeição de toda a oposição ao chamado PEC 4 proposto pelo Governo. No entanto, Cavaco Silva ainda não aceitou este pedido, salientando, numa nota da Presidência, que o Governo se mantém "na plenitude de funções" até à sua aceitação. Nas eleições autárquicas realizadas em 16 de dezembro de 2001, o PS enfrentou um descalabro e nessa mesma noite o primeiro-ministro assumiu responsabilidade pessoal pela derrota. Com 34,2 por cento dos votos, perdeu seis capitais de distrito, incluindo Lisboa e Porto, e deixou que o mapa autárquico ficasse dominado pelo PSD, que contou em algumas das suas principais vitórias com o CDS-PP, concorrendo em coligação. Na noite eleitoral, António Guterres, desde 1999 à frente de um governo sem maioria na Assembleia da República, anunciou que se demitia para que houvesse uma "clarificação política". Em 2001, e num momento de "crise internacional" após os atentados de 11 de setembro, Guterres afirmava ser seu "dever" evitar que o país caísse num "pântano político". A 17 de dezembro, declarando não ter "ambições políticas", António Guterres foi a Belém apresentar a sua demissão ao presidente da República Jorge Sampaio. No dia seguinte demitiu-se de secretário-geral do PS e esclareceu que não se recandidataria. Jorge Sampaio dissolveu a Assembleia da República em janeiro e as eleições legislativas foram marcadas para 17 de março de 2002. O líder social-democrata Durão Barroso venceu-as e formou governo em coligação com o CDS-PP.Em julho de 2004, o primeiro-ministro abandonou o cargo para ir ser presidente da Comissão Europeia. Jorge Sampaio optou por não convocar eleições antecipadas e aceitar a indigitação de Pedro Santana Lopes, que tomou posse a 16 de julho.
Mas quatro meses depois Sampaio anunciava a convocação de eleições antecipadas e a dissolução da Assembleia da República. A "gota de água" terá sido a demissão de Henrique Chaves, ministro do Desporto, menos de uma semana depois de ter sido empossado, em rutura com Santana Lopes, que acusou de "falta de lealdade". Mas Sampaio frisou que a decisão de dissolver o Parlamento se baseou numa "apreciação política global" dos meses em que Santana Lopes foi primeiro-ministro, marcados por vários "casos": do fiasco no concurso de colocação de professores que levou ao atraso no início do ano letivo aos ataques do ministro da Presidência, Rui Gomes da Silva, ao espaço de comentário de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, que acabou passados dois dias. Antes de se demitir, Santana Lopes caracterizou o seu governo com uma imagem que ficou para a posteridade: um "bebé nascido de um parto difícil e, por isso a necessitar de incubadora" a quem os "irmãos mais velhos, em vez de o acarinharem, dão estaladas e pontapés". Santana Lopes candidatou-se à frente do PSD nas eleições de 20 de fevereiro de 2005 mas o PS de José Sócrates venceu com maioria absoluta.
Hoje é Sócrates que sai de cena antes de terminar o seu segundo mandato devido ao "chumbo" do Programa de Estabilidade e Crescimento no Parlamento. É a quarta vez na história da democracia portuguesa que um primeiro-ministro eleito pede a demissão mesmo sem ser derrotado no Parlamento, via moção de censura: antes de Guterres em 2001, Pinto Balsemão fê-lo em 1982 e Mário Soares em 1985" (texto da agência Lusa, aqui)
Mas quatro meses depois Sampaio anunciava a convocação de eleições antecipadas e a dissolução da Assembleia da República. A "gota de água" terá sido a demissão de Henrique Chaves, ministro do Desporto, menos de uma semana depois de ter sido empossado, em rutura com Santana Lopes, que acusou de "falta de lealdade". Mas Sampaio frisou que a decisão de dissolver o Parlamento se baseou numa "apreciação política global" dos meses em que Santana Lopes foi primeiro-ministro, marcados por vários "casos": do fiasco no concurso de colocação de professores que levou ao atraso no início do ano letivo aos ataques do ministro da Presidência, Rui Gomes da Silva, ao espaço de comentário de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, que acabou passados dois dias. Antes de se demitir, Santana Lopes caracterizou o seu governo com uma imagem que ficou para a posteridade: um "bebé nascido de um parto difícil e, por isso a necessitar de incubadora" a quem os "irmãos mais velhos, em vez de o acarinharem, dão estaladas e pontapés". Santana Lopes candidatou-se à frente do PSD nas eleições de 20 de fevereiro de 2005 mas o PS de José Sócrates venceu com maioria absoluta.
Hoje é Sócrates que sai de cena antes de terminar o seu segundo mandato devido ao "chumbo" do Programa de Estabilidade e Crescimento no Parlamento. É a quarta vez na história da democracia portuguesa que um primeiro-ministro eleito pede a demissão mesmo sem ser derrotado no Parlamento, via moção de censura: antes de Guterres em 2001, Pinto Balsemão fê-lo em 1982 e Mário Soares em 1985" (texto da agência Lusa, aqui)
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