Segundo o DN de Lisboa, num texto da jornalista Ana Maia, "na próxima quarta-feira, dia 15, a Ordem dos Médicos vai a votos para eleger o próximo bastonário. O 'Diário de Notícias' convidou os quatro candidatos a revelarem num debate quais as mudanças que pretendem promover e dizerem o que pensam sobre as questões fundamentais da saúde, da sustentabilidade do serviço público e da falta de médicos para responder às necessidades dos doentes. Acima de tudo, que imagem têm da entidade que os representa e como esta pode e deve estar mais presente na vida de todos os utentes da saúde. Questões cruciais que mostram como os quatro médicos candidatos, de diferentes especialidades clínicas, estão próximos em alguns temas e em pontas opostas noutros.
Guerra na ordem
Candidatos atacam actual bastonário
Reformulação dos estatutos e uma Ordem mais presente no debate político e na legislação da saúde. É este o desejo de José Manuel Silva, em clara ruptura com a estrutura que representa. "Dou grande ênfase à revisão dos estatutos, com a separação de poderes, que estão todos concentrados numa pessoa", afirmou. Jaime Mendes irá promover a mesma alteração. "Acho que a Ordem não é democrática", criticou, afirmando que "é preciso um bastonário com muito prestígio e transparência. Qualquer pessoa deve saber o que se passa na Ordem". Também Manuel Brito assume que a razão porque avançou com a candidatura se deveu "a uma grande decepção com a Ordem nos últimos anos", entidade que "precisa de responder com rapidez e transparência às queixas" para que não se fique com a ideia de que existe só para proteger os médicos. Isabel Caixeiro, candidata da continuidade, disse que "se fizeram coisas boas, como chamar os médicos mais jovens à Ordem".
Classe médica
Não faltam clínicos mas sim organização
Afinal não há falta de médicos. É esta a opinião generalizadas dos quatro candidatos. "Temos sim um problema de organização, de assimetrias na distribuição e algumas especialidades em que existe alguma falta. Mas isto resulta da desorganização das políticas da Ordem e do Ministério da Saúde", defendeu José Manuel Silva. "O excesso de médicos vai diminuir a qualidade", defendeu, relativamente ao aumento de vagas nas faculdades. A solução imediata passa pela contratação de clínicos estrangeiros. Uma solução que deixa algum desconforto. "Temos o direito de saber o que querem: se ter muitos médicos sem especialidade ou qualidade na saúde. A exigência feita aos médicos estrangeiros devia ser a mesma que é feita aos portugueses", disse Isabel Caixeiro. Já Manuel Brito referiu que "os contratos que se fazem [com clínicos estrangeiros] devem ter um horizonte temporal para que não possa colidir com a entrada dos nossos médicos que estão a terminar a formação".
Serviço nacional de saúde
Os custos também são um investimento
Em cima da mesa esteve também a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde. Isabel Caixeiro defende que é preciso explicar aos utentes que mesmo o que parece de graça não o é. Isto se se quiser continuar a ter um serviço público. "Se continuarmos com a noção de que podemos gastar independentemente dos recursos, acho que não vamos ter SNS. É preciso explicar que tudo custa dinheiro", defendeu a presidente da secção sul. Jaime Mendes considera que se trata de um problema estrutural, que implica "melhor organização do trabalho médico e não corte nos salários". "É uma política errada que se faz há anos", afirmou. Já Manuel Brito assume a defesa da manutenção do SNS, dizendo que "a Ordem tem de defender um sistema acessível a todos os portugueses". José Manuel Silva evocou o último relatório da OCDE para dizer que "a despesa em saúde é um investimento para o futuro".
Desafios na gestão
Profissionais também devem ser gestores
Este será sem dúvida um dos maiores desafios dos próximos anos: fazer mais, com menos. Também na gestão, o médico tem um papel fundamental, disse Manuel Brito. "Os indicadores mais favoráveis e os custos mais baixos registam-se nas instituições geridas por médicos. São eles que têm um melhor conhecimento dos custos/benefícios". Uma posição também defendida por Isabel Caixeiro, que deu como exemplo "a melhor comunicação entre hospitais e cuidados primários, evitando a não repetição de exames", como uma forma simples de diminuir o desperdício". José Manuel Silva exige da Ordem dos Médicos um papel mais interventivo, com a criação de linhas orientadoras na área na área do tratamento. Para poupar é preciso saber fazê-lo. "É preciso educar médicos e directores de serviço, como se faz noutros países. Tem de haver educação para os gastos", afirmou Jaime Mendes". Nota: na página indicada (DN de Lisboa) têm acesso, caso estejam interesssados aos videos deste debate.
Guerra na ordem
Candidatos atacam actual bastonário
Reformulação dos estatutos e uma Ordem mais presente no debate político e na legislação da saúde. É este o desejo de José Manuel Silva, em clara ruptura com a estrutura que representa. "Dou grande ênfase à revisão dos estatutos, com a separação de poderes, que estão todos concentrados numa pessoa", afirmou. Jaime Mendes irá promover a mesma alteração. "Acho que a Ordem não é democrática", criticou, afirmando que "é preciso um bastonário com muito prestígio e transparência. Qualquer pessoa deve saber o que se passa na Ordem". Também Manuel Brito assume que a razão porque avançou com a candidatura se deveu "a uma grande decepção com a Ordem nos últimos anos", entidade que "precisa de responder com rapidez e transparência às queixas" para que não se fique com a ideia de que existe só para proteger os médicos. Isabel Caixeiro, candidata da continuidade, disse que "se fizeram coisas boas, como chamar os médicos mais jovens à Ordem".
Classe médica
Não faltam clínicos mas sim organização
Afinal não há falta de médicos. É esta a opinião generalizadas dos quatro candidatos. "Temos sim um problema de organização, de assimetrias na distribuição e algumas especialidades em que existe alguma falta. Mas isto resulta da desorganização das políticas da Ordem e do Ministério da Saúde", defendeu José Manuel Silva. "O excesso de médicos vai diminuir a qualidade", defendeu, relativamente ao aumento de vagas nas faculdades. A solução imediata passa pela contratação de clínicos estrangeiros. Uma solução que deixa algum desconforto. "Temos o direito de saber o que querem: se ter muitos médicos sem especialidade ou qualidade na saúde. A exigência feita aos médicos estrangeiros devia ser a mesma que é feita aos portugueses", disse Isabel Caixeiro. Já Manuel Brito referiu que "os contratos que se fazem [com clínicos estrangeiros] devem ter um horizonte temporal para que não possa colidir com a entrada dos nossos médicos que estão a terminar a formação".
Serviço nacional de saúde
Os custos também são um investimento
Em cima da mesa esteve também a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde. Isabel Caixeiro defende que é preciso explicar aos utentes que mesmo o que parece de graça não o é. Isto se se quiser continuar a ter um serviço público. "Se continuarmos com a noção de que podemos gastar independentemente dos recursos, acho que não vamos ter SNS. É preciso explicar que tudo custa dinheiro", defendeu a presidente da secção sul. Jaime Mendes considera que se trata de um problema estrutural, que implica "melhor organização do trabalho médico e não corte nos salários". "É uma política errada que se faz há anos", afirmou. Já Manuel Brito assume a defesa da manutenção do SNS, dizendo que "a Ordem tem de defender um sistema acessível a todos os portugueses". José Manuel Silva evocou o último relatório da OCDE para dizer que "a despesa em saúde é um investimento para o futuro".
Desafios na gestão
Profissionais também devem ser gestores
Este será sem dúvida um dos maiores desafios dos próximos anos: fazer mais, com menos. Também na gestão, o médico tem um papel fundamental, disse Manuel Brito. "Os indicadores mais favoráveis e os custos mais baixos registam-se nas instituições geridas por médicos. São eles que têm um melhor conhecimento dos custos/benefícios". Uma posição também defendida por Isabel Caixeiro, que deu como exemplo "a melhor comunicação entre hospitais e cuidados primários, evitando a não repetição de exames", como uma forma simples de diminuir o desperdício". José Manuel Silva exige da Ordem dos Médicos um papel mais interventivo, com a criação de linhas orientadoras na área na área do tratamento. Para poupar é preciso saber fazê-lo. "É preciso educar médicos e directores de serviço, como se faz noutros países. Tem de haver educação para os gastos", afirmou Jaime Mendes". Nota: na página indicada (DN de Lisboa) têm acesso, caso estejam interesssados aos videos deste debate.
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