segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Alberto João Jardim: "A informação é opinativa e não objectiva"

"Todos sabem que o aperfeiçoamento desejado para o sistema democrático português, passa por uma adequada formação da Opinião Pública. Infelizmente, em Portugal, a formação da Opinião Pública não faculta o pluralismo de escolha que, da direita à esquerda, se verifica nos países democráticos.
A informação é opinativa e não objectiva. Como é de forte conteúdo ideológico, esmagadoramente tem a orientação daquilo que se denomina «a esquerda», o que gera um pensamento quase «único» sobre as grandes questões nacionais. E esta orientação esmagadora deve-se à percentagem, também esmagadora, de profissionais ditos de «esquerda», os quais têm todo o Direito de o ser, o que já não têm o Direito é de instrumentalizar a sua profissão, para dela fazer militância política. De uma maneira geral, os Estatutos Editoriais não são cumpridos. As dependências do poder político ou do poder económico, condicionam também a verdade e a objectividade na Informação que forma a Opinião Pública.
As televisões do Estado, por sua vez aumentam a pressão sobre a sobrevivência e a liberdade das televisões privadas, ao concorrerem no plano da publicidade. Ainda agora a Espanha acabou com isso, e bem.
E mais se pode dizer sobre os muitos males de que padece, no nosso Pais, a mesmo assim chamada de «informação».
Não haja ilusões. Portugal não irá para a frente, enquanto a Opinião Pública formada sem o adequado pluralismo, sem possibilidade de escolha, desde à direita à esquerda, de quem consome Informação.
E a situação portuguesa é tão grave, que exige a inadiável intervenção do Estado democrático.
Uma intervenção que não se fique apenas pelas alterações legislativas inequivocamente necessárias.
Mas também uma intervenção do Estado democrático que, para seu aperfeiçoamento e sobrevivência, não hesite em recorrer ao Orçamento de Estado para assegurar o pluralismo, o leque de opções, a concretização do Direito à diferença na formação da Opinião Pública, que, infelizmente, não existem em Portugal nos mesmos termos dos restantes países democráticos.
Esta situação é muito grave. Porém, os políticos assobiam para o lado, por, neste caso, ser «politicamente correcto».
Esta é uma das muitas das razões pelas quais o país chegou à presente situação.
Se há despesa que se justifique, é a que assegure um verdadeiro pluralismo democrático na Informação e consequente formação da Opinião Pública
" (crónica de Alberto João Jardim, hoje na TVI24)

Sem comentários: