quinta-feira, outubro 15, 2009

Uma excepção ao ponto final

Eu já tinha dado o assunto por encerrado e mantenho, salvo esta excepção, depois de ler o comentário do meu caro amigo Roberto Almada, líder regional do Bloco de Esquerda. E abro uma excepção por dois motivos: em primeiro lugar para reafirmar, e Vítor Freitas sabe-o, que não tenho rigorosamente nada contra o deputado do PS, acho-o até um adversário político duro, daqueles que dá vontade e gosto de combater. Mas combater de peito aberto, transparentemente, sem jogadas ou idiotices. Em segundo lugar reafirmo o que penso que já tinha escrito: para mim a saída de Fretas (8º de uma lista de candidatos) e a continuidade no lugar do 9º, do 10º ou do 20ª, seja lá quem for, é um absurdo, um disparate completo. Subverte o que é a normalidade de uma candidatura em democracia e fomenta no fundo a injustiça porque afasta quem tem o direito de continuar e mantém quem deve sair. E que isto fique esclarecido. O que eu pretendi referir é que existem de facto contradições entre normas regimentais, de valor inferior porque se trata de uma resolução, e as normas estatutárias, de valor reforçado porque é uma lei aprovada pela Assembleia da República. Essa realidade incontestável apenas vem reforçar a urgente necessidade - não sei como nem quando - de uma modernização do nosso Estatuto, claramente um documento a precisar de urgente clarificação de muitos dos seus itens. Portanto, nada de confusões, nem da minha parte em relação a Vítor Freitas - que para mim será sempre um adversário político, e por isso que me cabe combater no plano da lealdade e do respeito pela pessoa, não deixando que se confunda política e opções políticas diferentes com as questões de natureza pessoal e de relacionamento pessoal - nem deixando que seja empolada a minha opinião que vale o que vale, não passando disso mesmo, de uma opinião pessoal, alicerçada em factos pelo menos complexos e que exigem, reflexão e porventura uma clarificação tão rápida quanto possível, para que estas contradições inaceitáveis sejam superadas. Evidentemente que ressalvo que o que disse, e mantenho, em relação a Vítor Freitas ou a outros deputados da oposição - que certamente pensam o mesmo, e bem, em relação a mim - não se aplica a escroques que já deram mostras que conspurcam a política, que não têm nem educação, nem ética, nem dignidade, que não passam de oportunistas saloios, invejosos, frustrados e doentios, porventura sem coragem de olharem para trás para os seus percursos, mesmo que se sentem na bancada parlamentar do PS. A esses escroques, poucos, felizmente, desprezo-os. E para que nem percam tempo com deambulações não falo de ninguém do PND. Falo concretamente de gente nojenta que anda por aí à espera de uma oportunidade para dar corpo à ambição e à pedante vaidade "gelatinada", mesmo que para isso tenha que espezinhar seja quem for. É uma injustiça a saída de Vítor, não só no plano político, mas mesmo em termos pessoais? É uma anormalidade. Mas reconheçam que há que fazer alguma coisa, rapidamente, para que a contradição seja superada. E que, goste-se ou não, ela existe. Não é inveja, nem há manipulação nisto. Assim como, em minha opinião meramente pessoal, deve ser regulamentada e clarificada, de uma vez por todas, as regras para a suspensão dos mandatos parlamentares.

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