A jornalista do Publico, Rita Siza, publicou recentemente um interessante texto demonstrativo de como funciona a política nos EUA: "O senador republicano da Pensilvânia, Arlen Specter, acaba de anunciar que vai mudar de partido e juntar-se à bancada democrata no Senado dos Estados Unidos. Esta decisão tem tremendas consequências políticas, uma vez que garante aos liberais uma maioria qualificada de 60 votos, suficiente para impedir qualquer tentativa de boicote de legislação ("filibuster") por parte da oposição conservadora. Numa decisão recebida como uma bomba em Washington, o senador Arlen Specter anunciou a sua intenção de recandidatar-se pelo Partido Democrata nas próximas eleições de 2010. Specter, que representa a Pensilvânia no Senado desde 1981, enfrentava uma difícil campanha de reeleição, tendo sido desafiado nas primárias republicanas. Os eleitores da Pensilvânia têm vindo a deslocar-se para o Partido Democrata (mais de 200 mil mudaram a sua filiação nas últimas eleições), e as últimas sondagens demonstravam que Specter era mais popular entre aqueles que se definem como democratas do que com os que se consideram republicanos (62 contra 55 por cento, respectivamente, de acordo com a Quinnipiac University). Specter aderiu ao Partido Republicano em 1966 mas, como explicou ontem, nos últimos tempos identificou-se mais com as posições dos adversários democratas do que com as dos seus correlegionários de partido que, como se queixou, “mudaram demasiado para a direita”. “Durante décadas trabalhei a favor dos candidatos e dos ideiais de um Partido Republicano que era uma tenda suficientemente grande para acolher diversos pontos de vista”, referiu o senador, num comunicado divulgado pelo seu gabinete. “E apesar de me ter sentido confortável como um republicano, o partido não define quem eu sou. Eu sempre analisei cada questão e exerci um juízo independente baseado no que achei ser o melhor para a Pensilvânia e para o país”, continuou. Em todos os seus anos no Senado, Specter foi sempre um conservador moderado: apesar de seguir a ortodoxia republicana em questões de segurança nacional, não se opõe ao aborto e manifestou-se a favor da reforma da lei de imigração ou de conseiderar o aquecimento global como resultado da actividade humana. A mexida acontece no dia 99 da presidência de Barack Obama — o mundo político e mediático preparava para amanhã um verdadeiro “festival” a propósito da avaliação do desempenho da nova Administração, mas os desenvolvimentos vindos do Congresso vieram alterar o âmbito da história".quinta-feira, maio 07, 2009
Política americana..."exemplar"
A jornalista do Publico, Rita Siza, publicou recentemente um interessante texto demonstrativo de como funciona a política nos EUA: "O senador republicano da Pensilvânia, Arlen Specter, acaba de anunciar que vai mudar de partido e juntar-se à bancada democrata no Senado dos Estados Unidos. Esta decisão tem tremendas consequências políticas, uma vez que garante aos liberais uma maioria qualificada de 60 votos, suficiente para impedir qualquer tentativa de boicote de legislação ("filibuster") por parte da oposição conservadora. Numa decisão recebida como uma bomba em Washington, o senador Arlen Specter anunciou a sua intenção de recandidatar-se pelo Partido Democrata nas próximas eleições de 2010. Specter, que representa a Pensilvânia no Senado desde 1981, enfrentava uma difícil campanha de reeleição, tendo sido desafiado nas primárias republicanas. Os eleitores da Pensilvânia têm vindo a deslocar-se para o Partido Democrata (mais de 200 mil mudaram a sua filiação nas últimas eleições), e as últimas sondagens demonstravam que Specter era mais popular entre aqueles que se definem como democratas do que com os que se consideram republicanos (62 contra 55 por cento, respectivamente, de acordo com a Quinnipiac University). Specter aderiu ao Partido Republicano em 1966 mas, como explicou ontem, nos últimos tempos identificou-se mais com as posições dos adversários democratas do que com as dos seus correlegionários de partido que, como se queixou, “mudaram demasiado para a direita”. “Durante décadas trabalhei a favor dos candidatos e dos ideiais de um Partido Republicano que era uma tenda suficientemente grande para acolher diversos pontos de vista”, referiu o senador, num comunicado divulgado pelo seu gabinete. “E apesar de me ter sentido confortável como um republicano, o partido não define quem eu sou. Eu sempre analisei cada questão e exerci um juízo independente baseado no que achei ser o melhor para a Pensilvânia e para o país”, continuou. Em todos os seus anos no Senado, Specter foi sempre um conservador moderado: apesar de seguir a ortodoxia republicana em questões de segurança nacional, não se opõe ao aborto e manifestou-se a favor da reforma da lei de imigração ou de conseiderar o aquecimento global como resultado da actividade humana. A mexida acontece no dia 99 da presidência de Barack Obama — o mundo político e mediático preparava para amanhã um verdadeiro “festival” a propósito da avaliação do desempenho da nova Administração, mas os desenvolvimentos vindos do Congresso vieram alterar o âmbito da história".
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