sábado, setembro 13, 2008

"Jornal de Negócios" abre espaço para blogs

O Jornal de Negócios passou a dispor, recentemente de um novo espaço, denominado "Plano B do Negócios" que é coordenado pelo jornalista Paulo Pinto Mascarenhas, jornalista, ex-director da revista Atlântico e ele próprio blogger. Trata-se de uma nova secção sobre blogues e Internet, sendo o seu primeiro objectivo "ligar os leitores do Negócios aos melhores textos publicados nos blogues nacionais. Mas também avaliar, provocar, relembrar e sugerir leituras". O Plano B é uma rubrica semanal, publicada às quintas-feiras em duas páginas da edição impressa do Negócios, com espelho em www.negocios.pt.
No seu primeiro editorial, intitulado "Ligados", Paulo Pinto Mascarenhas escreve:
"Em Portugal, escrever sobre blogues é como ler o País que temos. A nossa blogosfera tem todos os defeitos da sociedade portuguesa, mas acrescenta liberdade ao debate democrático. Exagerar a importância dos blogues é tão absurdo como tentar desmentir a sua influência na agenda mediática.
Aliás, entre jornais e blogosfera existe uma relação de duplo sentido, num círculo que pode ser virtuoso. Numa altura em que alguns afirmam que o papel está condenado a longo prazo, os blogues – ou os seus autores – provam que existem milhares de potenciais leitores de jornais. Tentar reduzir os blogues a uma fonte de calúnias, difamação, boatos e teorias da conspiração, sobre o manto do anonimato, é algo que exibe uma ignorância em estado puro. Ou má-fé. Difamações e teorias da conspiração – que sempre existiram sobre outras formas menos sofisticadas – podem ganhar o poder da palavra publicada num novo meio de comunicação, alcançando uma audiência que ultrapassa o controlo das antigas elites. O que antes era apenas sussurrado nas conversas privadas entre políticos, jornalistas e demais privilegiados obtém agora uma circulação, digamos, «mainstream». Mas se os blogues podem funcionar como veículos de boatos, também podem ser poderosos instrumentos da sociedade civil na fiscalização do poder político. Foi a partir da blogosfera que nasceu a contestação ao aeroporto da Ota e foi num blogue que surgiu a investigação sobre a licenciatura do primeiro-ministro numa universidade depois encerrada. Por outro lado, os blogues foram adoptados como instrumento de comunicação alternativo por muitas figuras públicas, que cedo intuíram a relevância do meio no mercado das ideias ou na marcação da agenda. Em sentido inverso, contribuíram também para uma maior concorrência na opinião tradicional: novos colunistas saltaram directamente dos blogues para os jornais e revistas nacionais. Convém salientar que a dimensão deste choque tecnológico não se esgota na análise política. Longe disso. Basta lembrar que, antes de serem famosos, os Gato Fedorento mantiveram um dos blogues de maior audiência. Da arquitectura à gastronomia, da pintura à fotografia, da educação à economia, vale a pena estar ligado. É este o meu primeiro objectivo: ligar os leitores do Negócios aos melhores textos publicados nos blogues nacionais. Vale a pena ler o País e o mundo a partir do que se escreve na blogosfera".
Os maiores sucessos a esta nova rubrica do Jornal de Negócios. E uma das curiosidades é a revelação que "o Abrupto de José Pacheco Pereira foi ultrapassado pelo Blasfémias de João Miranda, Helena Matos e Gabriel Silva entre outros no topo das audiências dos blogues políticos portugueses. Esta pode ser a notícia da rentrée na blogosfera nacional, a confirmar-se a tendência até agora registada", aqui

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