sábado, julho 05, 2008

Crise na TAP...

Escreve a jornalista do Publico, Raquel Almeida Correia, num texto intitulado "O destino turbulento da TAP": " Se a TAP fosse um avião, o sinal de apertar o cinto já teria, com certeza, disparado. É possível que a transportadora estatal atinja o maior prejuízo de sempre este ano, se a alta do petróleo se mantiver. E nem o crescimento das operações, em frota e em número de destinos, consegue dar-lhe alguma estabilidade de voo. No cockpit, Fernando Pinto mostra sinais de cansaço. Para aumentar a turbulência, a tripulação faz exigências que podem pôr em causa uma aterragem suave.Ninguém está imune à escalada de preço do petróleo, que, convertido em combustível para aviação, vale, agora, 1250 dólares por tonelada (cerca de 125 dólares por barril). Valor que compara com os 250 dólares por tonelada no ano 2000, altura em que o gestor brasileiro assumiu a presidência da companhia de aviação portuguesa. É neste custo que reside o calcanhar de Aquiles da TAP. O facto de ter, inicialmente, calculado os gastos com base num preço de 75 a 78 dólares por barril fez com que falhasse largamente as previsões de despesa. É que, esta semana, o petróleo subiu acima dos 141 dólares, e, em vez dos 500 milhões de euros de custos de combustível previstos para este ano, as contas da equipa de gestão apontam, agora, para os 776 milhões de euros. Isto se o preço não continuar a subir. "Se eu soubesse até onde ia chegar, deixava a TAP e ficava rico", desabafou Fernando Pinto, no dia em que assumiu publicamente que a empresa, não só não vai atingir os 64 milhões de euros de lucro impostos pelo Governo, como poderá atingir prejuízos de 154 milhões de euros em 2008.Este valor é apenas uma estimativa, tendo como base o contexto actual do mercado, mas não deixa de ser um sinal de que a transportadora está em rota de colisão. Em entrevista ao PÚBLICO, Kenneth Button, um dos maiores especialistas na indústria de transporte aéreo, teme que a TAP se transforme na próxima Alitalia, apesar de "ter uma gestão melhor". Recuperar dos 102 milhões de euros de prejuízos acumulados de Janeiro a Maio de 2008 parece-lhe "impossível", a não ser que o custo com combustível "desça dramaticamente".

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