quarta-feira, março 25, 2026

Feriado à quarta-feira, férias antecipadas e uso de t-shirt no carro: como alguns países estão a poupar combustível

A Agência Internacional de Energia (AIE) lançou um alerta com tom de urgência: perante o impacto da guerra no Médio Oriente no abastecimento energético global, é preciso agir e rápido para travar o consumo de petróleo. Num relatório divulgado a agência apresenta um pacote de 10 medidas imediatas que passam, sobretudo, por reduzir o uso do automóvel particular. Entre as propostas mais marcantes estão a adoção de mais três dias de teletrabalho por semana, um corte de 40% nos voos comerciais e a gratuitidade dos transportes públicos. No conjunto, estas ações poderão poupar até seis milhões de barris de petróleo por dia, ajudando a aliviar a pressão sobre um mercado já em rutura. No centro desta crise está o bloqueio quase total do tráfego marítimo no estreito de Ormuz, uma das principais artérias do comércio energético mundial. Com os preços do petróleo já acima dos 100 dólares por barril, a agência sublinha que não basta recorrer às reservas estratégicas, apesar dos esforços já feitos por vários países.

Objetivo: travar a procura

A solução, defendem, passa também por travar a procura. A escalada de preços levanta preocupações crescentes sobre o impacto nas famílias, nas empresas e na economia em geral. O plano inclui ainda medidas adicionais, como a redução dos limites de velocidade em pelo menos 10 km/h, o que poderá cortar entre 5% e 10% no consumo de combustível por veículo. Incentiva-se também a partilha de carros e a limitação da circulação nas grandes cidades, através de sistemas como o uso alternado de matrículas pares e ímpares. Em Portugal, o Governo tem optado por aliviar a pressão no bolso dos consumidores, reduzindo taxas sobre combustíveis como o gasóleo e a gasolina, numa tentativa de travar aumentos que, desde o final de fevereiro, já somam mais de 20 cêntimos.

Como se está poupar na Ásia?

Enquanto a preocupação europeia se centra sobretudo no preço, há países asiáticos a ir mais longe: estão a agir diretamente sobre o consumo. A razão é estrutural, a Ásia depende fortemente do petróleo e gás que atravessam o estreito de Ormuz, sendo responsável por cerca de 90% dessas importações.

Feriado à quarta-feira

No Sri Lanka, a resposta foi imediata e disruptiva: quartas-feiras passam a ser feriado em todas as instituições públicas. A semana de quatro dias estende-se também a escolas e universidades, mantendo-se apenas os serviços essenciais em funcionamento. O presidente Anura Kumara Dissanayake reuniu-se de emergência com responsáveis governamentais e deixou o aviso: é preciso preparar o pior cenário, esperando pelo melhor.

Um passe de combustível

Entre as medidas anunciadas está ainda um Passe Nacional de Combustível, pensado para racionar o acesso ao abastecimento. Nas Filipinas, parte da administração pública já entrou em teletrabalho, pelo menos um dia por semana. O Presidente Ferdinand Marcos Jr. foi mais longe: proibiu deslocações não essenciais no setor público e lançou apoios financeiros dirigidos a setores particularmente dependentes de combustível, como motociclistas, agricultores e pescadores.

Uso de t-shirt no carro

Já na Tailândia, a estratégia passa também por mudanças de comportamento: o governo incentiva os cidadãos a reduzirem o uso do ar condicionado, sugerindo o uso de t-shirts dentro do carro.

Férias antecipadas

No Bangladesh, as universidades anteciparam as férias do Ramadão e foram introduzidos apagões programados nas cidades para poupar energia. O Vietname aposta na sensibilização: pede-se à população que fique mais em casa, use bicicleta, partilhe carro ou recorra a transportes públicos, evitando deslocações desnecessárias.

Deslocações em dias específicos

Em Mianmar, as restrições são mais rígidas, os veículos particulares só podem circular em dias específicos, definidos pelo número da matrícula.

E na Europa?

Na Europa, o cenário é outro. A União Europeia parece estar a aproveitar o contexto de crise para acelerar a transição energética e suavizar os efeitos da escalada de preços. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentou recentemente propostas centradas no reforço das licenças de emissão de carbono e no apoio financeiro à indústria (SIC Notícias, texto da jornalista Rafael Carvalho Ferreira)

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