quarta-feira, junho 13, 2007

Não aprendeu!

Decididamente não aprendeu.
“O novo velho Governo tomará posse daqui a seis dias e os eleitores que renovaram a esperança neste Governo e no PSD ficarão defraudados, e digo isto com muita mágoa, oxalá estivesse enganado, para o bem da minha terra e da minha gente. Entendo que uma sociedade que gera exclusão, como a nossa, não é uma sociedade desenvolvida, nem justa, e aqui reside um dos maiores desafios de um Governo sério e com preocupação social. Apesar da propaganda oficial, a verdade é que o desadequado investimento no potencial humano acentuou as manchas de pobreza, os fenómenos do alcoolismo, da violência doméstica - em que as mulheres e as crianças são as principais vítimas - e outros fenómenos de exclusão que contribuíram para o baixo poder de compra das famílias. As estatísticas dizem que o poder de compra per capita na Região é o mais baixo do País. Que temos seis Concelhos dos mais pobres do País e que, em cada 100 madeirenses, 25 vivem com graves dificuldades financeiras. Este Governo Regional tomará novo folgo na próxima terça-feira, mas tenho poucas dúvidas de que tudo continuará como dantes no 'quartel-general de Abrantes'. Todos os que conhecem a realidade madeirense sabem, tão bem ou melhor do que eu, que os desafios da Madeira não se compadecem com as políticas do passado, com o esgotado e subsidiodependente modelo de desenvolvimento e, muito menos, com as políticas que, notoriamente, não obedecem a critérios de equidade, de rigor e de responsabilidade. Não tenho esperança neste Governo e atrevo-me mesmo a vaticinar o futuro. O desemprego, o empobrecimento e outros fenómenos de exclusão social vão-se agudizar. O 'desenvolvimento' continuará a desnudar-se e a exibir a sua insustentabilidade. As assimetrias vão acentuar a já notória falta de coesão social e territorial. A falência das empresas, com particular atenção para as de capitais públicos, em que o Tribunal de Contas já decretou a falência técnica de algumas, vão agravar o estado da economia. As finanças públicas continuarão descontroladas e a ameaçar a vida dos madeirenses e, de forma cruel, a das gerações vindouras (...)”.
Quem assim, fala, neste caso escreve, é Jacinto Serrão num artigo de opinião publicado hoje no DN local. Não tenho rigorosamente nada a ver com a opinião de cada pessoa. Posso concordar ou discordar como acontece, certamente com muitas pessoas em relação ao que escrevo. Não me preocupo com consensualidade balofas ou unanimismos. Mas o que me apetece dizer, e digo-o aqui, é que Serrão, para além do despropósito temporal do texto em questão, parece que não aprendeu. Os resultados de 6 de Maio, a copiosa derrota eleitoral que quase aturou o PS para uma “vala comum”, não lhe serviram de lição? Decididamente Serrão não aprendeu.

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