sexta-feira, outubro 09, 2009

Ferreira Leite quer chumbar Orçamento?

Li hoje no Expresso que "vingou a linha dura e o PSD prepara-se para afrontar o Governo. O PS aconselha Manuela a perceber que perdeu. “Manuela Ferreira Leite talvez ainda não tenha percebido que houve eleições e que os portugueses escolheram o PS para governar e o programa do PS para ser executado nos próximos quatro anos”, disse ao Expresso o porta-voz do PS, João Tiago Silveira. É o comentário oficial dos socialistas à surpreendente tomada de posição da líder do PSD, que, quarta-feira à noite, deixou claro que o Governo PS não poderá contar com o maior partido da oposição como um parceiro seguro para entendimentos. O PSD está, aliás, inclinado a votar contra o próximo Orçamento do Estado e a previsão oficial do défice ontem divulgada contribui para o partido acusar o Governo de ‘‘falta de transparência’’. A estratégia a seguir na relação com o próximo Governo não é pacífica no PSD, mas Ferreira Leite seguiu a linha mais dura — protagonizada, entre outros, por Pacheco Pereira e Paulo Rangel — e embora esteja de saída decidiu falar grosso ao PS. “O PS tem que governar com aqueles partidos que se apresentaram às eleições dizendo que não era para ganhar mas para influenciar o próximo Governo”, afirmou a líder do PSD na quarta-feira, numa acção da campanha autárquica. Deixou claro que não é com o seu partido que o PS deverá contar. A aposta da direcção de Ferreira Leite é empurrar o CDS para parceiro privilegiado de Sócrates ou, em alternativa, deixá-lo nas mãos dos partidos à sua esquerda. Sobretudo, Ferreira Leite quer recentrar no PS a obrigação de esclarecer o que pensa e com quem pensa fazer Governo. Para já, a única coisa que os socialistas confirmam é que o seu Programa de Governo será a transposição, ipsis verbis, do Programa Eleitoral do PS — como aconteceu há quatro anos e já sucedera com António Guterres. O desafio da líder do PSD é entendido como “extemporâneo” e só compreensível à luz da sua própria “campanha de sobrevivência interna”. Não só Sócrates “ainda não foi indigitado primeiro-ministro”, recordam, como “ele até disse que iria proceder a audiências com todos os partidos antes de constituir Governo”. Comentário: confesso que tenho dúvidas se, depois da derrota nas legislativas e da potencial ameaça de alguma instabilidade interna que pode surgir (?) no PSD, Manuela Ferreira Leite pode não estar em condições de protagonizar uma crise, que pode nem sequer ter efeitos práticos, porque o voto contrário do PSD e mesmo do CDS/PP, por si só, não impede a aprovação do orçamento de Estado. Manuela Ferreira Leite tem que fazer uma coisa que me parece que não tem feito: dialogar mais com o partido, discutir mais abertamente com os dirigentes as opções estratégicas e concluir se a pressa e algum sentimento revanchista subjacente podem funcionar como mais-valias para o PSD ou ter um efeito contrário...

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