sexta-feira, outubro 09, 2009

Novo tijolo revoluciona construção civil

Revela hoje o Expresso que "substituir as tradicionais paredes duplas por paredes simples, compostas por tijolos maiores, com o interior em geometria de bago de arroz, é o objectivo do projecto “eBloco”, desenvolvido pelo Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro (CTCV), em Coimbra. O seu responsável, Vaz Serra e Sousa, considera que o projecto “eBloco” — que tem um orçamento de €400 mil — “implicará uma alteração radical no paradigma de construção em Portugal e trará benefícios consideráveis na qualidade dos imóveis edificados com esta nova tecnologia”. Os tijolos “eBloco” encaixam entre si e constituem os elementos estruturais das casas, suportando o peso das placas. Adequam-se a edifícios com poucos pisos, a construir em zonas menos sísmicas, e garantem “grande isolamento térmico e sonoro”, segundo o CTCV. O Centro Tecnológico admite que, numa primeira fase — previsivelmente de 2012 a 2015 —, este “eBloco” tenha um mercado entre €60 milhões a €80 milhões por ano. “O aumento de qualidade permitido com o “eBloco” torna o mercado receptivo a este novo produto, aceitando pagar mais por cada metro quadrado construído com este material”, refere o responsável do CTCV. Admite mesmo que “as empresas de construção aceitam um custo de €600/m2 com aplicação de “eBloco”, contra os €100/m2 para a construção tradicional de parede dupla não estrutural”. Este é apenas um dos muitos projectos desenvolvidos pela equipa de engenharia do CTCV para modernizar a indústria cerâmica portuguesa. Todos eles têm implícito “um grande salto qualitativo” no tipo das matérias-primas utilizadas. Sobretudo ao nível da nanotecnologia — que utiliza partículas bastante mais pequenas, aumentando a resistência dos produtos fabricados. Ou, ainda, ao nível da injecção de moldes, conseguida através de uma técnica de polimerização das matérias-primas injectadas (uma tecnologia desenvolvida por Hélio Jorge e que também permite a injecção de metais, designadamente, de titânio, muito interessante para a indústria aeronáutica). Entre os projectos em curso no CTCV está o desenvolvimento de protótipos de revestimentos cerâmicos fotovoltaicos de elevada eficiência (o programa “SolarTiles”), destinados às fachadas e às coberturas de edifícios. “Tal como os painéis fotovoltaicos de vidro, estas placas cerâmicas incorporam, de raiz, finos filmes fotovoltaicos que permitem produzir electricidade à volta de toda a estrutura exterior dos edifícios”, observa Vaz Serra e Sousa. Este projecto é promovido pela Revigrés e tem como parceiros as empresas Dominó, Coelho da Silva e as universidades Nova e do Minho, entre outros. De igual forma, o projecto “GreenWave” investiga a possibilidade de cozer porcelanas em fornos de microondas, o que permitirá poupar 20% no consumo de energia, comparativamente ao processo tradicional de aquecimento por gás natural. Este projecto é promovido pela Induzir e tem como parceiros as Porcelanas Costa Verde e a Universidade de Aveiro".

Sem comentários:

Enviar um comentário