sábado, abril 05, 2014

Opinião: “As Finanças gozam connosco? Gozam!”



“Por descargo de consciência fui ver quantos cupões tenho para o sorteio do célebre carro. Não tenho esperança de ganhar, mas queria ver como funciona o sistema. Não tenho um único cupão, nada! Zero! E tenho a certeza que pedi faturas em janeiro.
Parece que estão pendentes... E descobri que pendente é algo de que as faturas gostam particularmente. Confirmei esta ideia quando, uma vez que já estava no Portal das Finanças, fui ver que desconto conseguiria no IRS deste ano pelas faturas pedidas em 2013. Aí parece que tenho mais sorte, posso deduzir cento e poucos euros. Mas o que mais me espantou foi ter quase uma centena de faturas com informação... pendente. Que informação é essa? É a "Atividade da Realização da Aquisição" e saber se foi ou não  feita "Fora do Âmbito da Atividade Profissional". Felizmente, tinha a possibilidade de esclarecer uma a uma.
Foi então que me dei ao trabalho de - uma a uma - especificar que "Cerger - Sociedade de Atividades Hoteleiras, SA" - se trata - ó surpresa! - de "Hotelaria, Restauração e Similares", o mesmo se passando com "Paberesbares, Atividades de Hotelaria Lda". E por aí fora, numa série de nomes de empresas que indicam a atividade ("Iberusa Hotelaria e Restauração, SA" ou "Setor Mais Serviços Globais em Alimentação, Lda"). Outros, como "Quimenauto Reparação e Comércio Automóvel" diz respeito à categoria - imaginem! - de manutenção e reparação de veículos automóveis. Enfim... Pacientemente especifiquei que tudo isto era "Fora do Âmbito Profissional", pois quando é do âmbito profissional costumo (até porque não me aceitam a despesa de outra maneira) indicar o NIF (Número de Identificação Fiscal) da empresa.
Findo todo este trabalho, fiquei a saber que não me valia de nada. O prazo tinha expirado em 10 de março. Mas eu compreendo. Sou eu que sou mal informado, isto deve ter sido amplamente divulgado.
As faturinhas ficam, pois, "pendentes". Mas todos sabemos o que acontece a um cidadão que fique "pendente" em relação às finanças. Nem que seja anos depois apanham-nos! E com juros de mora e ameaça de penhora...
Eles gozam connosco! Digo eu, para não perder o sentido de humor” (texto de Henrique Monteiro, Expresso, com a devida vénia)