Li no Jornal I que “um salário mensal de 1124 euros caiu 10 euros desde
2011, valor ao qual se deve acrescentar outro corte mensal de 50 euros por via
do IRS. O ganho médio bruto mensal dos trabalhadores em Portugal passou de 1
134 euros em Abril de 2011 para 1 124 euros em Abril de 2013, segundo dados do
Ministério da Economia. Esta perda mensal de dez euros transforma-se, ao longo
de 14 meses, num recuo anual de 140 euros. A sangria salarial, contudo, não se
ficou por aqui. Se ao recuo dos salários juntarmos o impacto dos aumentos de
IRS postos em prática pelo governo, então as perdas de rendimento dos
trabalhadores em Portugal crescem substancialmente. Pegando no valor médio de
Abril de 2013, os tais 1 124 euros que até coincidem com um dos patamares de
IRS, e cruzando-o com as taxas cobradas a este nível salarial em 2011 e depois
em 2013, conclui-se que a carga fiscal mensal passou de 112 euros para perto de
163 euros - para um contribuinte sem dependentes. Contas feitas à totalidade de
um ano, falamos em mais 708 euros cobrados em IRS em 2013 face ao que acontecia
em 2011. Acrescentando ao aumento do peso do IRS a queda do próprio ganho médio
bruto, então podemos estar a falar de um impacto total de 848 euros anuais para
um trabalhador sem dependentes que permaneceu no mesmo escalão neste período.
Em termos mensais, a perda líquida é de pelo menos 60 euros. As contas à
evolução do peso do IRS nos salários têm por base as taxas cobradas pelo Estado
a nível deste imposto, sendo de salientar as condicionantes que esta taxa pode
acarretar, consoante falamos do Continente, ou dos Açores e Madeira ou em
função do número de dependentes. Imaginando o mesmo rendimento de 1124 euros,
mas de alguém com três dependentes, então o IRS mensal sobre este salário terá
passado de 79 euros em 2011 para 118 euros em 2013 - um aumento anual de 550
euros. Estes valores podem ainda ser cruzados com a evolução das receitas do
Estado com o IRS, que passaram de 9,8 mil milhões em 2011 para 12,3 mil
milhões. Este aumento verifica-se apesar da destruição de postos de trabalho ao
longo destes anos: se em 2011 a população empregada rondava 4,8 milhões, em
2013 estava nos 4,5 milhões. O contributo de cada trabalhador para o IRS terá
assim crescido mais que a própria receita do imposto. Se em 2011 o total da
cobrança de IRS dividido pelo total de trabalhadores apontava para um
contributo anual de 2040 euros por empregado, em 2013 este valor já ascendia a
2735 euros”