Escreve o Económico num texto dos jornalistas Maria Ana Barroso e António Costa, "o novo secretário de Estado do Empreendedorismo esteve onze meses na gestão da antiga dona do BPN. A omissão é apontada como a sua grande falha. Não foram os actos, mas porventura a omissão o principal pecado de Franquelim Alves durante os onze meses em que esteve na gestão do grupo que detinha o BPN, a Sociedade Lusa de Negócios (SLN), hoje Galilei. O homem que está no centro da polémica por ter sido nomeado secretário de Estado do Empreendedorismo terá pecado por não arriscar decisões de gestão relevantes, por não ter dado conta às autoridades das irregularidades ocorridas na SLN e por, mesmo internamente, não ter reportado à equipa de Miguel Cadilhe a verdadeira dimensão dos problemas com que o antigo ministro teria de lidar. São estes os ecos que chegam dos contactos feitos pelo Diário Económico que ouviu vários actores do caso BPN e que lidaram com Franquelim Alves. A idoneidade do gestor não é, em nenhum momento, posta em causa, o que, no fundo, corrobora o facto de o agora secretário de Estado não ter sido envolvido nos processos judiciais do caso BPN. Todas as fontes contactadas - accionistas da SLN e antigos gestores - reconhecem capacidades e currículo profissional a Franquelim Alves e louvam o levantamento feito sobre a actividade não financeira do grupo. E sublinham que terá feito apenas duas contratações naqueles 11 meses, uma das quais de um auditor à Deloitt e que está ainda hoje na sociedade Galilei. Mas são várias as vozes que apontam a dificuldade em tomar decisões e, mais do que isso, o ‘pecado' de ter omitido informação não só ao Banco de Portugal como a nível interno. Um desses momentos, adiantou fonte próxima da gestão de Miguel Cadilhe, ocorreu quando o antigo ministro das Finanças chegou à SLN. Franquelim Alves não terá dado toda a informação de que, de facto, dispunha sobre os actos irregulares que no grupo no tempo de Oliveira Costa e que estão sob investigação. O actual secretário de Estado terá sido um dos responsáveis informados pela equipa de Abdool Vakil (que sucedeu a Oliveira Costa) sobre o famoso documento "Estado da Nação". Foi este o dossiê elaborado no grupo que mencionou, pela primeira vez, a existência do Banco Insular, revelado na altura à administração e accionistas. Esta instituição era utilizada para ocultar operações feitas pela SLN, nomeadamente proveitos e perdas, e manter toda esta actividade longe do olhar do Banco de Portugal. No entanto, ele próprio assumiria, em 2009 na comissão de inquérito ao BPN, que teve conhecimento de alegadas irregularidades, que só seriam comunicadas ao Banco de Portugal em Junho de 2008. No Parlamento, assumiu também ter assinado as contas de 2007 (ano em que não esteve envolvido na gestão), apesar de não reflectirem o impacto do Banco Insular e de outras operações. E justificou com o argumento de que quis evitar "uma crise profunda". Seja como for, o contexto em que Franquelim Alves foi administrador e depois o responsável por toda a área não financeira do grupo SLN foi tudo menos fácil. "Se eu soubesse, jamais teria posto os pés naquela casa". O desabafo foi feito em Março de 2009, perante a Comissão de Inquérito ao BPN. Poucos meses depois de ter deixado a SLN, a 30 de Outubro de 2008, em absoluta ruptura com Cadilhe e quase quatro anos antes de ser nomeado para secretário de Estado. "O grande erro da minha vida", disse então aos deputados, coloca hoje a sua escolha pelo Governo de Passos Coelho no centro de uma acesa polémica. A celeuma causada pela nomeação de Franquelim Alves parece estar espelhada na indisponibilidade de todos os accionistas ou ex-responsáveis da gestão da SLN, sem excepção, para aceitarem ser citados sobre o tema. O Económico tentou contactar sem sucesso Franquelim Alves. Já Miguel Cadilhe não quis comentar.
Como Franquelim Alves chegou à SLN
Foi em Novembro de 2007 que Franquelim Alves é escolhido entre vários nomes apontados por uma ‘headhunter' contratada por alguns dos principais accionistas do grupo SLN, incluindo Joaquim Coimbra, Adelino Silva e Fernando Cordeiro. O objectivo era pôr fim à hegemonia de Oliveira Costa e atribuir-lhe o negócio não financeiro do grupo, a separar do financeiro. Franquelim Alves assume formalmente a liderança deste negócio já em Fevereiro de 2008, altura em que era já pública a pressão do Banco de Portugal para dar transparência ao grupo e em que José de Oliveira Costa sai. Abdool Vakil, até então presidente do Banco Efisa, também da SLN, assume a liderança do grupo de forma provisória. Em Junho desse mesmo ano Cadilhe é o homem escolhido para novo líder. Franquelim Alves mantém-se como administrador, como forma de tirar partido não só da sua experiência profissional, mas sobretudo do trabalho de levantamento do negócio não financeiro feito nos meses anteriores. Algumas fontes adiantam que, com a escolha de Cadilhe, caíram por terra as pretensões do gestor de chegar à liderança da SLN. Os meses que se seguiram foram tumultuosos e é já em quase ruptura com o presidente que Franquelim Alves apresenta no final de Outubro a sua demissão. Dias depois, a 2 de Novembro, é anunciada a nacionalização do BPN"