Escreve o jornalista Paulo Jorge Pereira do Económico que o "relatório da UEFA sobre ano fiscal de 2011 revela montante 2% acima do anterior. Metade do valor concentra-se em 10 clubes. Salários subiram 5%. De perdas no valor de 1,6 mil milhões de euros, os clubes europeus passaram para outro recorde: 1,7 mil milhões de prejuízos, de acordo com o relatório anual da UEFA relativo a 2011 sobre as finanças destas entidades. A análise a 679 clubes de 53 federações revela que 46 teriam de recorrer a financiamentos para cumprir as regras do fair-play financeiro. As receitas cresceram 3% para 13,2 mil milhões de euros, mas os custos também aumentaram, com relevo para a área salarial: mais 5%. Se a análise for feita a um período de cinco anos, o aumento dos salários chega a 38% (de 6,2 mil milhões para 8,6 mil milhões de euros). "Esses números não surpreendem", confessa Emanuel Medeiros, CEO da Associação de Ligas Europeias (EPFL). "Na semana passada estive em Lisboa e alertei para esta tendência, referindo que os clubes devem levar a sério as regras disciplinares e financeiras da UEFA. Caso contrário estarão a caminho do abismo como a orquestra do Titanic que tocava enquanto o transatlântico se afundava", comenta. Nos 10 clubes que concentram metade do valor das perdas, os prejuízos cresceram 260 milhões; daí até ao 30º lugar da lista, o aumento é de 310 milhões de euros.
Portugal entre problemas
Dos clubes analisados, 63% apresentaram resultados operacionais negativos e 55% tiveram exercícios líquidos indesejáveis. Nos últimos cinco anos, a subida das receitas (24%) foi incapaz de acompanhar o aumento em despesas com salários - 38%. Outra das conclusões do relatório aponta no sentido de os gastos com salários e transferências de jogadores terem subido, entre 2007 e 2011, de 62% para 71%, "tornando inevitável o aumento das perdas"."Em alguns casos, já encontramos elementos que servem para referir um esforço de inverter a tendência, mas os clubes ainda gastam demasiado nas transferências e nos salários", concede Medeiros. Segundo o documento da UEFA, recorrendo a uma simulação com base nos resultados dos anos fiscais de 2009 a 2011, 14 equipas envolvidas esta época nas provas europeias tiveram perdas superiores a 45 milhões de euros e outros 32 situaram-se entre os cinco e os 45 milhões. Se as medidas de fair-play financeiro já estivessem em aplicação total, 46 clubes de 22 países - incluindo Portugal, Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália ou França - teriam necessidade de financiamento suplementar para as cumprir. Manchester City, Inter e Paris Saint-Germain são alguns dos visados, mas Nasser Al-Khelaifi, máximo dirigente do clube francês, mostrou-se quase indiferente ao tema em afirmações ao "L'Équipe" no mês passado. "Há clubes a investir nos últimos 20 anos, nós chegámos há ano e meio e já querem impedir-nos de investir? Isso seria injusto."
Descida nas transferências
Comparando o investimento dos principais clubes nos dois últimos Verões e no Inverno do ano passado, o relatório aponta 4,8 mil milhões de euros como montante atingido. Uma descida de 14% face aos 5,6 mil milhões de euros no período mais elevado em relação a este campo: os Verões de 2007 e 2008, bem como o Inverno de 2008. Quanto à evolução no tipo de receitas dos últimos cinco anos, a tendência aponta para a supremacia dos direitos televisivos e da área comercial com taxas de crescimento de 8,2% e 7,2%, respectivamente. A média de aumento que se regista nas receitas de bilheteira é muito menor (0,7%) e o valor actual até fica um pouco abaixo do que sucedia em 2008. Os direitos televisivos representam 37% (4,8 mil milhões) dos 13,2 mil milhões de receitas, enquanto publicidade e patrocínios se situam nos 25% (3,3 mil milhões)"