quinta-feira, junho 16, 2011

Alberto João Jardim: "Fico sempre a temer quando ouço falar em “independentes”

"O Partido Social Democrata da Madeira concretizou a sua quadragésima quarta vitória eleitoral, desde a sua fundação há trinta e sete anos. Contribuiu assim para a vitória nacional do Partido, a qual permite a Pedro Passos Coelho formar um novo Governo da República, em coligação. O PSD/Madeira manteve os seus quatro Deputados, o dobro dos dois que os doze Partidos da Oposição conseguiram eleger. O facto de o PS e do CDS terem eleito esses dois Deputados, um cada, nem por isso estabelece qualquer deles como «alternativa» ao PSD, pois não há qualquer proximidade entre os cinquenta por cento sociais-democratas e os quinze e catorze por cento do PS e do CDS, respectivamente.Mantém-se, portanto, uma Oposição madeirense inflacionada num invulgar número de Partidos, continuando estilhaçada e sem um único projecto alternativo credível. Aliás, o único denominador comum aos Partidos da Oposição, na Madeira, é ser anti-PSD, desde a extrema-direita e direita até aos socialistas e comunistas. Esta Oposição mistura no seu anti-PSD, desde visões de sociedade fascista ou conservadora até às socialistas «caviar» e comunistas.
O que lhes torna impossível apresentar ao eleitorado qualquer coisa mínima de alternativa aos autonomistas sociais-democratas, pois não existe na História e no mundo qualquer modelo político que corresponda a uma salada como esta.
Aliás, é grotesca a forma de todos estes Partidos da Oposição madeirense se referirem à longevidade da governação social-democrata. Como se a vontade soberana do Povo, ao eleger, estivesse subordinada a prazos (está anti-democraticamente no caso dos Autarcas), e, como se o que contasse fosse o «tempo de serviço» e não a obra incontestavelmente feita, quer no campo das infraestruturas, quer no campo do social, quer na educação, desporto e cultura.
E, a acentuar mais o ridículo da Oposição na Madeira, está o facto de aqueles que criticam a longevidade da governação autonomista social-democrata estarem praticamente à frente dos respectivos Partidos, tanto quanto os dirigentes do PSD.
Ou melhor, enquanto nos Partidos da Oposição não há renovação, porque os seus conhecidos e estafados dirigentes não querem largar o tacho, apesar de derrotas umas atrás das outras, e desta maneira impedem um arejar necessário, positivo e inadiável nos respectivos Partidos, é no Partido Social Democrata da Madeira que, apesar de poder, até se assiste a uma maior e frequente renovação de Quadros.
Se não é de esperar que a Oposição mude alguma coisa nos próximos quatro meses que faltam para as eleições regionais, aposto que, mesmo depois destas, continuaremos a aturar as mesmas carinhas sustentadas pelo «partido da comunicação social», este lóbi de políticos travestidos de «jornalistas», a prestar um grande serviço ao Partido Social Democrata, sem dar por isso.
E explico porquê, embora o atavismo político desses travestidos, geralmente derivado de razões traumáticas do foro psíquico, também esteja convencido de que anda a fazer um grande «papel».
É que os estilhaços que são a Oposição na Madeira tornam-se sobejamente fragmentados a fim de poder haver lugar para tantos candidatos a «políticos importantes».
Ora, quando o «partido da comunicação social» omite propositadamente o Princípio da Proporcionalidade e o Princípio do Contraditório, para já nem sequer falar das violações sujas que fazem dos Princípios da Objectividade, da Verdade e do Interesse Público, Princípios que são praticados nas Democracias civilizadas, mas não na comunicação «social» esquerdóide do arquipélago, quando, tontinhos, se metem ufanos nestas diabruras, mais não fazem do que promover toda a mediocridade que marca a Oposição madeirense.
Desde tresloucados, a palhaços, a analfabetos e a incultos, mesmo que alguns apareçam bem vestidinhos e com ar sério, o «partido da comunicação social» faz o favor de promover tal tipo de gente todos os dias e até à exaustão, suscitando o repúdio das pessoas civilizadas, nomeadamente elites regionais, inclusive mesmo de aqueles que não se revejam no Partido Social Democrata.
Ou não andará por aqui parte das explicações para o exagerado nível de abstenção na Madeira?...
Faltam quatro meses para as eleições regionais, em Outubro.
Apesar de já não haver tempo para que mudanças nos dirigentes dos Partidos da Oposição local criem qualquer problema ao Partido Social Democrata, este não pode se deixar adormecer.
Também para nós faltam só quatro meses.
Cada eleição é diferente de outra.
Daqui até Outubro, partimos do ponto zero.
Temos todos de estar já a trabalhar.
Sobretudo conversar com aqueles que ainda não perceberam o seu erro em se abster e, desta forma, arriscando-se a destruir trinta e cinco anos de mudança única na Madeira, para A entregar ao que representa a maior falta de nível e de responsabilidade na comunidade madeirense.
Já bastam aqueles que, rafeiros, só lhes interessa o bota-abaixo e se agradam com a covardia das insinuações caluniosas e injuriosas que, reles, nada provam.
É disto que as pessoas estão à mercê injustamente... dada a «justiça» que temos!
Merecidamente, o Partido Social Democrata, bem liderado por Pedro Passos Coelho, ganhou as eleições para a Assembleia da República.
Sócrates caiu.
Tive a felicidade de poder assistir a esta derrota de José Sócrates, depois de tudo o que ele fez, instrumentalizando político-partidariamente o Estado para desgraçar a vida àquela que foi um bastião de resistência, a Região Autónoma da Madeira. Com custos que vamos ter de suportar durante anos.
E não só ele, principalmente. Mas sobretudo esse inqualificável Teixeira dos Santos e o seu Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, acompanhados “à guitarra e à viola” pelos Ministros Silva Pereira e S.S., e também por aqueles que, devendo a sua carreira política à Madeira, não tiveram a hombridade de se demitir do Governo da República ante tal insânia.
Mas tenho também a felicidade de ter sido educado a perdoar sempre.
Bem como igualmente a felicidade do bom senso de nunca esquecer.
Engenheiro Sócrates, lembra-se de eu Lhe ter dito, pelo menos duas vezes, que quem O ia desgraçar seria Teixeira dos Santos & Companhia?...
Vamos ter um Governo da República novo e de coligação. Não deixo de repetir aquilo que afirmei antes de se iniciar a campanha eleitoral. Porque é um absurdo julgar que é possível cumprir as imposições internacionais sem uma revisão constitucional – e esta imponha-se sempre, em quaisquer circunstâncias – penso que é necessário, para o efeito, encontrar não apenas uma maioria absoluta, mas também uma maioria constitucional e uma maioria social.
Segundo, fico sempre a temer quando ouço falar em “independentes”.
Fico, porque as presentes circunstâncias gravíssimas em que os Portugueses foram metidos pelos socialistas, mais do que as soluções técnicas já estabelecidas, carecem de POLÍTICOS para, em consonância com a sensibilidade do Povo português, as adaptar o mais humanizadamente possível, em termos de despertar uma compreensão generalizada.
Ao contrário do que possa parecer, a hora não é dos tecnocratas. É DOS POLÍTICOS. Precisamente porque a conjuntura é dolorosa.
Depois, eu espero que o Partido Social Democrata de regresso ao Governo não faça as mesmas asneiras de outros, liderados também pelos sociais-democratas.
Como dizem os brasileiros, não me façam Governo com “almofadinhas”. Gente que tragicamente se deixe enredar num “politicamente correto” ou que cultive uns pudores de salões lisboetas inflacionados pela diletância.
Foram estas fraquezas de Governos anteriores, liderados pelo PSD, que permitiram que muitos, importantes e decisivos sectores do nosso País tivessem sempre permanecido em mãos que indevidamente se autodenominam de “a esquerda”.
Foram estas fraquezas que, em consequência, acabaram por então derrotar o PSD e nos arrastar para a situação trágica em que Portugal se encontra.
A par de umas influências indesejáveis, mas que se infiltram sempre, daquelas manipuladoras chamadas de “sociedades secretas” – e como eu sei o que se paga por não lhes subjugar!...
Independência, sim, mas para os POLÍTICOS a quem se deve entregar a governação!
Porque há que alavancar a Economia e não ficarmos apenas enterrados nos sacrifícios. Ou Krugman terá razão, já não poderemos sobreviver?...
A Educação exige uma “revolução”. Retirar-lhe o carácter ideológico que a marca desde 1974. Rever os Programas em termos de maior exigência de Conhecimentos e de resultados escolares, cultivando-se hábitos de trabalho e de disciplina democrática. Em vez da autogestão que tornou o sistema caótico, reforce-se a autoridade dos Professores.
A independência do Poder Judicial é intocável.
Mas há que pôr fim à autogestão em que vive, anti-democrática porque sem controlo democrático, despolitizar o sistema e seus agentes, rever os estatutos do Ministério Público e da Polícia Judiciária, sobretudo novas leis para maior celeridade processual.
É preciso estabelecer a imparcialidade da comunicação social pública, reduzir os seus custos escandalosos e não ter receio de enfrentar toda e qualquer comunicação social hostil.
Pôr termo a duas inutilidades caras e politicamente suspeitas, a “comissão nacional de eleições” e a “entidade reguladora para a comunicação social”.
Já estou a ver os tecnocratas e os “aprendizes de feiticeiro” políticos a me responder: “isto não é importante, só interessa a contabilidade pública”.
Meninos, uma coisa vos garanto. Se não alterarem, de fundo, o quadro político em que estamos atolados, de nada as vossas contas vão servir.Vão submergir numa dialética política não controlada a tempo
" (texto de Alberto João Jardim publicado no Madeira Livre)

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