quarta-feira, abril 15, 2009

Jornalismo: o maior despedimento este ano foi este

O maior despedimento de profissionais da comunicação social foi protagonizado pelo Grupo Controlinveste que já este ano "despachou" 122 trabalhadores: "A administração da Controlinveste deu início a um processo de despedimento colectivo que abrange 122 colaboradores em diferentes áreas do grupo, de acordo com um comunicado interno a que a Lusa teve acesso. Cerca de metade dos dispensados são jornalistas, sendo que os títulos mais afectados serão os dois maiores jornais do grupo, o "Diário de Notícias" e o "Jornal de Notícias", segundo uma fonte da empresa, citada pela Lusa. De acordo com a mesma fonte, estes dois jornais irão dispensar cerca de 25 pessoas cada um. Também o desportivo "O Jogo" irá reduzir cerca de 15 trabalhadores, enquanto o "24Horas" extingue a delegação do Porto, onde trabalham 10 pessoas. Os departamentos comuns a todo o grupo, como os recursos humanos, a contabilidade ou a informática também irão sofrer uma redução de trabalhadores. "A evolução acentuadamente negativa do mercado dos media, em particular na área da imprensa tradicional, e a profunda quebra de receitas do sector impõem à Global Notícias Publicações e à Jornalinveste Comunicação uma opção difícil mas inadiável: iniciar um processo de despedimento colectivo que abrange 122 colaboradores, em diferentes áreas das duas empresas", pode ler-se na nota. No comunicado, a administração do grupo refere a "retracção" do mercado, que tem vindo a desenvolver-se, "particularmente na área da imprensa". Com este "pano de fundo", o grupo indica no comunicado que tem "vindo a desenvolver um conjunto de acções de reestruturação, a todos os níveis, que todavia se têm revelado ainda insuficientes para permitir inverter os desequilíbrios existentes". A administração garante ainda na nota que "tudo fará para garantir a sustentabilidade das suas empresas e a perenidade dos seus principais títulos, assegurando que a legalidade no processo ora iniciado será respeitada". O presidente do Sindicato dos Jornalistas, Alfredo Maia, vai reunir-se com a administração da Controlinveste e promete para mais tarde um comunicado com aquilo que foi transmitido na reunião e com a posição do sindicato. O grupo Controlinveste, conta com quase mil trabalhadores e é detentor de vários meios de comunicação e tem participações em diversas empresas quer da área dos media, quer do desporto. O grupo detém a SportTV, na televisão, a TSF, na rádio, e o "Jornal de Notícias", o "Diário de Notícias", o "24Horas" e "O Jogo". Para além destes títulos, possui ainda outras publicações mais especializadas, como o jornal "Ocasião", jornais de imprensa regional, como o "Açoriano Oriental", o "Jornal do Fundão", o "Diário de Notícias da Madeira". As revistas "Evasões", "Volta ao Mundo" e ainda uma participação accionista na Lusa, agência de notícias, são pertencentes ao grupo. A Controlinveste controla ainda empresas na área da impressão e da distribuição de imprensa".
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"Um grupo de jornalistas alvo do despedimento colectivo de 122 trabalhadores da Controlinveste enviou a vários responsáveis políticos uma carta em que alerta para equívocos no processo levado a cabo pela empresa no início do ano. A Controlinveste, empresa gerida por Joaquim Oliveira, detém a Global Notícias, que publica o Jornal de Notícias, Diário de Notícias e 24 Horas, e a Jornalinveste, responsável por O Jogo. No documento a que a agência Lusa teve acesso, enviado à Entidade Reguladora para a Comunicação Social e a vários responsáveis políticos, entre eles o Presidente da República, o primeiro-ministro e os cinco grupos parlamentares, os subscritores queixam-se de que "os jornalistas abrangidos pelo despedimento colectivo foram alvo de uma avaliação efectuada expressamente para a ocasião". "Essa avaliação, violando o princípio da igualdade, realizou-se apenas nas secções onde se queria dispensar pessoas: foi efectuada sem conhecimento dos profissionais em causa, desconhecendo-se quais foram os avaliadores, o período da avaliação e a quantificação dos parâmetros que incidem sobretudo em critérios comportamentais e extremamente subjectivos", pode ler-se na carta. Os signatários acreditam estar perante um despedimento "selectivo", por "tratar-se de jornalistas que internamente têm vindo a chamar à atenção e a reclamar sobre o desvio editorial que se verifica num jornal 'de referência' como o DN, com 144 anos de vida, bem como das diárias violações do Código Deontológico dos Jornalistas". O grupo de jornalistas considera a decisão da administração da Controlinveste "implacável", por não poupar "lactantes (a mais nova das quais com um bebé de dois meses), casais, deficientes motores, transplantados, delegados sindicais, pais e mães com vários filhos menores". A carta refere ainda a contratação de jornalistas provenientes de outros jornais, pouco antes do início do processo de despedimento colectivo, quando "há cerca de uma década que não existem promoções no DN" e "há três anos os aumentos têm sido nulos para ordenados superiores a mil euros". A Lusa tentou entrar em contacto com a administração da Controlinveste mas, até ao momento, não foi possível. No final de Janeiro foram colocados on-line dois manifestos em defesa de dois dos títulos da Controlinveste - "Não calem o JN" e "Em defesa do DN" - que procuram alertar para o que está a acontecer nos dois títulos centenários. O manifesto pelo JN recolheu já mais de quatro mil assinaturas e o do DN quase 1500. A Controlinveste anunciou a 15 de Janeiro o despedimento colectivo de 122 trabalhadores. A 05 de Fevereiro a administração do grupo rejeitou a suspensão do processo de despedimento colectivo exigida pelos trabalhadores. Durante a reunião, os trabalhadores denunciaram a falta de informação por parte da empresa. O grupo de media comprometeu-se a fornecer aos trabalhadores a documentação, algo que já fez. No entanto, fonte dos trabalhadores disse hoje considerar a documentação entregue "insuficiente".
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"Nove em cada dez jornalistas responsáveis pelos principais órgãos de comunicação social nacionais consideram que o despedimento colectivo na Controlinveste é um sinal de degradação do sector, segundo os resultados de um inquérito hoje divulgados. A “Sonda Central de Informação/Meios & Publicidade” procurou saber quais são as expectativas dos jornalistas para 2009, num momento em que a crise internacional e o desemprego dominam a actualidade noticiosa. Para 90 por cento dos inquiridos, o despedimento colectivo na Controlinveste - empresa que detém, entre outros, os jornais DN, JN, 24 Horas e O Jogo - mostra a degradação do sector da comunicação social. Entre os que partilham desta opinião, 37 por cento sustenta a sua convicção no facto de a crise não ter poupado um dos principais grupos nacionais de media, enquanto 12 por cento defende o seu ponto de vista alegando que esta situação pode motivar o aparecimento de novos processos. A esmagadora maioria dos inquiridos, 98 por cento, pressagia um cenário bastante pessimista no sector da comunicação social portuguesa, destes 73 por cento antevê um ano “pior do que 2008″ e 68 por cento acredita que 2009 será “muito pior”. Apenas dois por cento dos jornalistas ouvidos considera que este ano poderá ser “muito melhor” do que 2008. Os jornalistas foram ainda questionados sobre a possibilidade de as empresas estarem a servir-se da crise para reduzir o número de trabalhadores. Em relação a este cenário, quase três quartos (73 por cento) dos inquiridos considera que os grupos de comunicação estão a aproveitar-se da conjuntura actual para restringir o número de colaboradores, sendo que, destes, 14 por cento defende que as quebras nas receitas ainda não justificam a rescisão de contratos. Por outro lado, 25 por cento dos inquiridos não acredita que as empresas estejam a aproveitar a crise para reduzir o número de jornalistas. A Sonda inquiriu 103 jornalistas, entre editores, coordenadores, chefes de redacção e directores de órgãos de comunicação social, entre os dias 19 e 26 de Janeiro".

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