sábado, setembro 13, 2008

Moralismos?

Tenho a clara sensação de que o meu blogue chateia. Mas fiquem descansados que não é por causa de blogues que se ganham ou perdem eleições. Pelo menos por enquanto. Depois, era a treta - porque é disso que se trata - do uso de informação privilegiada(?), leia-se divulgação de notícias, que por vezes aqui eu veiculava. O crime de veicular notícias! Tudo serve. Lembram-se da história do dioploma do engº Sócrates? Tudo começou onde e graças a quê? Uma coisa é usar informação privilegiada, outra coisa é dar notícia de alguns (poucos) factos que passam despercebidos aos jornalistas (sem aspas) porque não só todos os dias a Assembleia tem jornalistas presentes e que naturalmente fazem o seu trabalho e captam todas as notícias, mas também porque aquela instituição não é fértil em noticiário para alimentar meios de informação. Portanto, uma descarada mentira, à qual não devo ligar, muito menos olhando à origem dos que ainda usam esse argumento. Querem um exemplo relevante e recente: as obras no parlamento que podem inclusivé determinar a alteração do local de realização dos plenários, conforme reportagem na RTP anteontem. Há quanto tempo sei eu disso? Leram uma palavra que fosse? Informação privilegiada é isso. Em segundo lugar, está a ser preparado o processo relativo ao reinício dos trabalhos parlamentares da próxima Sessão Legislativa. Ouviram-me falar disso aqui? Mas também alguém já procurou saber o que se vai processar, como e quando? Portanto, deixemo-nos de conversas ôcas. Eu sei lá de quem são todos esses blogues anónimos que por aí andam e com muita informação privilegiada... Alguém se preocupa, por exemplo, que Vitor Freitas do PS, e muito bem, use o seu blogue para divulgar iniciativas do seu partido, por vezes muito antes delas terem sido distribuídas aos demais partidos? Depois, uma descarada tentativa de associar um blogue pessoal com a actividade profissional do seu responsável, como se eu andasse a associar actividades profissinais ou negócios de deputados, associando-os ao facto das pessoas serem deputados. Acham que, ética e deontologicamente, ficava bem andar a levantar suspeições dessa natureza? Por isso, é tempo perdido. Não sacrifico a minha profissão em detrimento de um "hobby" (blogue), porque no fundo é disso que se trata. A minha actual actividade (há 14 anos que a exerço e só agora é que sou obrigado a aturar recados e moralismos de alguns patos-bravos?) é sagrada, prioritária, pelo que nem admito confusões entre as duas situações. Muito menos por parte de quem não tem moral para falar seja do que for, e nem sequer estou a falar de deputados... Em terceiro lugar há a componente política e partidária que deliberadamente ocultam: é que este blogue pessoal - e que vai continuar assim enquanto tiver pachorra - pertence a um cidadão livre, que tem a mesma liberdade dos demais cidadãos co contra, a de ter opções politicas e partidárias e que no meu caso são devidamente conhecidas, já que não sou nem cinzentão nem "independente" (e falo de deputados e não só). Obviamente que essas opções terão que estar presentes neste contexto. Atirá-las para debaixo do tapete é desonesto. O que eu acho piada - ou pena? - é que pessoas que durante algum tempo usaram a capa do anonimato para insultar pessoas, inclusivé em blogues de natureza partidária e em plena campanha eleitoral, venham agora angelicalmente zurzir contra terceiros, inclusivamente no plano profissional, com moralismos que não usaram (nem usam) no seu caso. No plano profissional, vejam só! Só me faltava esta. E com exigência de "rigor" que nunca praticaram. E mais não digo. Enquanto membro do PSD da Madeira tenho acesso a informação privilegiada do meu partido, muita da qual nem divulgo. Ou duvidam, por exemplo, que na última reunião da Comissão Política do PSD, conhecia a informação a disponibilizar aos seus membros? Viram-me escrever uma linha? Duvidam que estou identificado com as orientações e propostas do PSD sobre alterações ao Regimento já anunciadas pelo meu partido? Alguma linha sobre o assunto? Mas alguém andou à procura fosse do que fosse? Duvidam que tenho conhcimento de factos que até poderia noticiá-los, sem causar qualquer problema ou cometer qualquer crime, e não o faço? Pois não duvidem. Uma questão mais lamentável é a tentativa de insinuarem que tento usar o blogue para pressionar deputados.Como se o José Manuel Rodrigues (CDS), o Roberto Almada (BE), o João Isidoro (PT), o José Manuel Coelho (PND), o Edgar Silva (PCP) ou o João Carlos Gouveia (PS) fossem influenciáveis pelo que escrevo ou qualquer outra pessoa, em blogues ou em artigos de opinião (será que também me vão proibir?). Sou chefe de gabinete do Presidente da Assembleia Legislativa, enquanto o seu titular assim o entender, e não porque me tivesse oferecido ou me tenham imposto. E podem acreditar que, sem presunção e gostem ou não de ouvir, considero que sou um chefe de gabinete competente e conhecedor de toda a actividade que lhe cabe, das regras a que estou sujeito, do tratamento de igualdade e de rigor que tenho que observar (e observo escrupulosamente), com a vantagem de acompanhar o parlamento regional desde o primeiro dia, em 1976 (e desse tempo poucos jornalistas ainda restam em actividade, um dos quais o Tolentino Nóbrega), quando a Assembleia se reuniu pela primeira vez. Se há coisa que neste âmbito tenho é a consciência tranquila porque sempre pugnei pela isenção total e absoluta, separando essas exigências profissionais de outros factores que naturalmente fazem parte da vida de qualquer cidadão, por exemplo as suas opções políticas. Por isso, não recebo nem aceito lições de moral muito menos de quem eu considero - e tenho essa liberdade - não ter estatura moral, por razões que não são para aqui agora chamadas (e nem é forçoso que esteja a falar de deputados…) para criticar seja quem for. Ninguém é perfeito, não sou perfeito. Mas nunca tive qualquer tipo de problemas, quer institucionais, quer de relacionamento pessoal com políticos ou deputados, salvo excepcionais casos recentes que não passam disso mesmo, de excepções. Pressionar deputados da oposição? Não seria presunção a mais? Não, limito-me a fazer comentários políticos, pessoais, quer em relação a iniciativas da oposição - tal como os deputados da oposição são os primeiros a descascar nas iniciativas do PSD – quer mesmo em relação ao meu partido. Por acaso recordam-se que considerei discutível e porventura absurda, não só pelo facto de estarmos num mundo de novas tecnologias, mas pela sua periodicidade, a publicação de um jornal ou boletim informativo por parte do meu partido? Princípios é isso mesmo, o privilegiar a sua consciência. Quem me impedirá de o fazer quando e sempre que entender? Desde quando comentar é pressionar? Mas afinal num parlamento quem é soberano? O plenário, as suas estruturas internas, os deputados quando votam, ou comentários em blogues ou a lenga-lenga de outros funcionários partidários que vivem a reboque de polémicas por motivos que não vale a pena aqui escalpizar? Desde quando um partido ou um parlamento ou um deputado, decidem em função do que dizem os blogues? Era o que nos faltava. A liberdade de opinar, essa não me retiram. E podem continuar a dizer o que quiserem, envolvendo este blogue, que tudo continuará a ser, repito, enquanto tiver pachorra para andar nestas "guerras", rigorosamente o que tem sido. Que diferença existe entre um comentário, da minha autoria, escrito neste blogue, por exemplo sobre uma proposta do PS e um comentário de um deputado do PS, escrito no blogue dele, contra uma declaração ou uma decisão de um membro do Governo Regional? Curiosamente alguém ouviu até hoje tamanhas reacções ou preocupações moralizadoras e manifestações de indignação, quando por exemplo, magistrados são insultados e enxovalhados publicamente, sob a capa do anonimato com recurso a linguagem que pelos vistos já chegou a Caracas? E que dizer de muita coisa que tem sido (e foi) dita de jornalistas locais, dos ataques, nalguns casos torpes, que contra alguns deles são (ou foram) lançados, com acusações pessoais movidas apenas por sentimentos de vingança pessoal, ajuste de contas ou disputas profissionais? Bom, não quero entrar por aí. Finalmente a questão da Fundação Social Democrata, bandeira do PND - e de alguns dos seus funcionários, políticos ou contratados. Se se trata de uma instituição ligada ao PSD, tenho ou não o dever ético de a defender, ressalvando - e fi-lo porque está escrito - que desconheço em absoluto como é gerida e se existem ou não fundamentos (não sei tudo ao contrário de outros) nas acusações que contra ela têm sido feitas. Por acaso leram o que escrevi? Mantenho o que disse em relação à acusação de que os beneficiários de bolsas eram obrigados a filiar-se na JSD. Uma mentira feita por gente medíocre. E o que foi que escrevi sobre esta questão, contra o oportunismo de aproveitamento político-partidário de qualquer fundação, e direito que os jovens carenciados têm a serem apoiados na poderem obter uma licenciatura? Será que a “formação” de quadros que a nova fundação do PS vai promover obrigará a filiação no PS? Ou serás que a Fundação há dias anunciada por Sócrates vai formar quadros do PC, PND, Bloco de Esquerda. Quanto ao financiamento dos partidos por via da Fundação reconheço que se trata de uma questão complexa, que não é nova, mas desconheço os contornos de tudo isso. Nem me quero envolver em nada semelhante. Sei, isso sim, que se começou a ouvir falar disto há, com um determinado triângulo envolvendo Macau, o PS e uma Fundação. E, já agora, qual o percurso, apoios e outras facilidades obtidas pela Fundação Mário Soares em Lisboa?

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