domingo, maio 11, 2008

PSD: o percurso de Sá Carneiro e do PSD até 1980 (II)

1979 (continuação)
· Conselho nacional do PSD na Guarda. Sá Carneiro ataca a intervenção presidencial, defende eleições antecipadas, retira confiança à direcção do grupo parlamentar e faz um convite a António Sousa Franco para se desvincular do PSD (1 de Abril). 37 deputados do PSD passam a independentes. Hão-de criar a ASDI (4 de Abril). Barbosa de Melo e Costa Andrade abandonam o PSD (9 de Abril).
· CDS – Freitas Amaral propõe a constituição de uma Frente Democrática Eleitoral (11 de Abril).
· Fundada a Aliança Democrática (AD), entre o PSD, o CDS e o PPM. Local, Largo do Caldas em Lisboa, sede do CDS (5 de Julho)
· Direita vence as eleições – Sá Carneiro, ao lançar, com êxito, a chicotada psicológica da bipolarização num ambiente ainda marcado pelas consequências da subversão comunista e pelos preconceitos eanistas e melo-antunistas, contribui, paradoxalmente, para a consolidação do edifício democrático. Com este não ao sistema vigente do situacionismo pós-revolucionário, onde o PS acalentava o sonho pós-revolucionário de ser uma espécie do Partido Revolucionário Institucional, segundo o ritmo, não mexicano, mas de Afonso Costa, Sá Carneiro diz sim ao regime. O respectivo projecto de mudança estrutural, com a agressividade do combate de ideias e estratégias, mas sem afrontamento institucional, passa pelo alargamento da base social de apoio da democracia, com a inclusão de toda a direita democrática no processo político português e a redução drástica da influência social dos comunistas. Um resultado que é confirmado nas eleições autárquicas de 16 de Dezembro, dado que a coligação de direita conquista 194 presidências, contra 60 do PS e 50 da APU. A direita deixa de significar apenas o saudosismo do Antigo Regime, cumprindo-se o projecto que, na Primeira República, chegou a ser acalentado por António José de Almeida e Manuel Brito Camacho.

1980



· Governo nº 115, I Governo da AD, de Francisco Sá Carneiro (3 de Janeiro), VII Governo Constitucional. Com a participação de Diogo Freitas do Amaral (vice-primeiro ministro e dos negócios estrangeiros). Entre os ministros: Francisco Pinto Balsemão (adjunto do primeiro-ministro), Amaro da Costa (defesa nacional), Eurico de Melo (administração interna), Mário Raposo (justiça), Aníbal Cavaco Silva (finanças e plano), Vítor Pereira Crespo (educação e ciência), Eusébio Marques de Carvalho (trabalho), João António Morais Leitão (assuntos sociais), Cardoso e Cunha (agricultura e pescas), Basílio Horta (comércio e turismo), Álvaro Barreto (indústria e energia), João Lopes Porto (habitação e obras públicas) e Viana Baptista (transportes e comunicações).
· Soares Carneiro aceita a candidatura presidencial da AD (25 de Abril).
· Eleição nº 67 - Assembleia da República (5 de Outubro). 7 179 023 eleitores. 6 026 395 votantes. AD: 44,91%, 126 deputados. PSD nas ilhas, 8 deputados (total de deputados do PSD, 90 deputados; do CDS, 46; do PPM, 6). FRS: 74 deputados, 28% (66 do PS; 4 da ASDI; 4 da UEDS). APU: 41 deputados, 16,75% (39 do PCP e 2 do MDP). UDP: 1 deputado, 1,4%.
· Morte de Sá Carneiro e Amaro da Costa em Camarate (4 de Dezembro). O pequeno avião que largara do Aeroporto da Portela, de Lisboa, despenha-se às 20 horas, 16 minutos e 20 segundos. No mesmo também seguiam Snu Abecasis, a esposa de Amaro da Costa e o chefe de gabinete do Primeiro-Ministro, António Patrício Gouveia. Funerais de Sá Carneiro e Amaro da Costa (6 de Dezembro).
· 9ª Eleição presidencial (7 de Dezembro). Ramalho Eanes vence Soares Carneiro nas eleições presidenciais portuguesas (56,4% contra 40,35). Otelo, 1,5%; Galvão de Melo, 0,8%.
· Demite-se o governo; Freitas do Amaral vai a Belém e declara-se indisponível para integrar novo governo (9 de Dezembro).
· Soares retoma as funções de secretário-geral do PS. Declara ser completamente inoportuno um governo de coligação com o PSD (10 de Dezembro).
· A ascensão de Balsemão – Eanes inicia consultas aos partidos com representação parlamentar (11 de Dezembro). Pinto Balsemão é eleito Presidente do PSD pelo Conselho Nacional. (13 de Dezembro). Eurico de Melo não é escolhido para continuar na liderança do governo, como defendem algumas sensibilidades. CDS, sem pôr reservas formais, lamenta que a decisão não tenha nascido de um consenso entre os dois partidos. Eanes nomeia Pinto Balsemão como Primeiro-Ministro (22 de Dezembro). Há uma prévia cimeira da Aliança Democrática que formaliza a escolha e opta pela via de cooperação institucional com Eanes. Balsemão declara então, sobre as relações com Belém, que nem guerra, nem trégua.

1981

· Governo nº 116, II Governo da AD, I Governo de Pinto Balsemão, VII Governo Constitucional (9 de Janeiro). Continua a repartição de pastas entre o PSD e o CDS, mas Freitas do Amaral não participa, deixando a tarefa coordenadora deste partido a cargo de Basílio Horta, enquanto ministro de Estado adjunto do primeiro-ministro
· VIII Congresso do PSD, com vitória de Francisco Pinto Balsemão (dias 20, 21 e 22 de Fevereiro).
· Conselho Nacional do PSD reafirma apoio a Balsemão, com o novo líder a proclamar que o partido tem que optar entre ele e a linha minoritária, expressa por Cavaco Silva. Mas a oposição interna vai continuar, protagonizada também por Eurico de Melo e pelo gabinete de estudos do PSD do Porto (14 de Junho).
· Regresso do filho pródigo – Mota Pinto reinscreve-se no PSD, seis anos após ter abandonado o partido e depois de se assumir como mandatário da candidatura presidencial de Soares Carneiro (18 de Junho).
· Freitas contra Balsemão – Diogo Freitas do Amaral, que havia mantido contactos com Eurico de Melo, faz uma intervenção pública, onde, para além de criticar o Presidente da República, salienta a crise do PSD, considerando ser imperioso reconciliar a maioria parlamentar com o governo, através de uma remodelação ministerial. Balsemão é obrigado a pedir a demissão a Eanes (6 de Agosto). A política volta a estar embrulhada. Crises nos partidos, outra vez eleições no horizonte, intrigalhada por todo o lado, greves, o raio (Vergílio Ferreira).
· Novo equilíbrio na AD. Conselho Nacional do PSD volta a apoiar Balsemão (16 de Agosto) que aceita formar novo governo, depois de obter garantias do CDS e do PPM e de Freitas do Amaral se disponibilizar para integrar o executivo (20 de Agosto)
· Governo nº 117, III Governo da AD, II Governo de Pinto Balsemão, VIII Governo Constitucional (4 de Setembro). São mobilizados os três chefes dos partidos da Aliança Democrática: para além de Balsemão (PSD), Freitas do Amaral (CDS), como vice-primeiro ministro e da defesa naciona, e Gonçalo Ribeiro Teles (PPM), como ministro de Estado e da qualidade de vida. Outros ministros são, pelo PSD: João Salgueiro (ministro de Estado e das finanças e plano), Fernando Amaral (ministro adjunto do primeiro-ministro), Marcelo Rebelo de Sousa (assuntos parlamentares, desde 16 de Junho), Ângelo Correia (administração interna), Menères Pimentel (justiça e reforma administrativa), André Gonçalves Pereira (estrangeiros, até 9 de Junho, quando lhe sucede Vasco Futcher Pereira), Meneres Pimentel, Fraústo da Silva, Queirós Martins (trabalho, substituído por Luís Morales em 12 de Junho), Vítor Crespo (substituído por Fraústo da Silva em 12 de Junho) e Viana Baptista (habitação, obras públicas e transportes). Pelo CDS: Luís Barbosa (assuntos sociais), Basílio Horta (agricultura e pescas), Bayão Horta (indústria, energia e exportação), Francisco Lucas Pires (cultura e coordenação científica).
· IX Congresso do PSD no Porto, com reeleição de Pinto Balsemão (dias 5 e 6 de Dezembro). Moura Guedes demite-se de líder parlamentar do PSD, depois de criticar a política de saúde do governo (15 de Dezembro). Vive-se num ambiente de apodrecimento da situação política, a que não são estranhas as frequentes fugas de informação sobre altos assuntos de Estado, nomeadamente conversas de Balsemão com Eanes, que é obrigado a ter que gravara as audiências entre os dois. Balsemão há-de justificar-se, atribuindo as responsabilidades ao ministro Marcelo Rebelo de Sousa que então atinge o auge da sua eficácia como criador de factos políticos. (
fonte: Cronologia)

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