A revisão em alta da população residente em Portugal pelo INE, de cerca de 10,7 milhões para 11,4 milhões de habitantes, teve um impacto significativo num dos indicadores mais utilizados para comparar o nível de desenvolvimento económico entre países: o PIB per capita. Como este indicador resulta da divisão da riqueza produzida pelo número de habitantes, uma população maior implica automaticamente um valor per capita mais baixo, caso a produção económica permaneça inalterada. Com base nos dados mais recentes, Portugal passa a apresentar um PIB per capita em paridades de poder de compra equivalente a 77% da média da União Europeia. Antes da revisão demográfica, essa percentagem era de 81%. Esta alteração faz com que Portugal desça da 18.ª para a 22.ª posição entre os 27 Estados-membros da União Europeia, sendo ultrapassado pela Polónia, Estónia, Croácia e Roménia. Apesar de a economia portuguesa ter crescido acima da média da UE em termos agregados nos últimos anos, uma parte muito significativa desse crescimento resultou da forte expansão da população residente, impulsionada sobretudo pela imigração, e não de ganhos de produtividade. O crescimento repartido por cada residente é bem mais modesto. Os dados ilustram a importância de distinguir crescimento económico de crescimento económico por habitante. Um país pode produzir mais riqueza em termos absolutos e, ainda assim, não convergir para os níveis de prosperidade dos seus parceiros se a população crescer a um ritmo semelhante ou superior ao da economia. Durante vários anos, o país debateu e avaliou políticas públicas com base em estimativas populacionais que agora se revelam significativamente subavaliadas. Indicadores fundamentais como o PIB per capita, a produtividade por trabalhador, o rendimento disponível por habitante ou mesmo a pressão sobre os serviços públicos foram calculados com base numa população inferior à real, condicionando inevitavelmente o diagnóstico da realidade nacional. Revisões desta magnitude devem suscitar uma reflexão sobre a qualidade da informação estatística disponível e sobre a necessidade de garantir que erros desta dimensão não se voltam a repetir (Mais Liberdade, Mais Factos)

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