Covid19: O que disseram os especialistas na reunião do Infarmed (22.2.2021)
- A incidência de contágios
a 14 dias teve regista uma "descida muito significativa". André
Peralta Santos, da Direção-Geral da Saúde, foi o primeiro a tomar a palavra
para abordar a atual situação epidemiológica no país. O especialista revelou ainda
que a incidência do vírus no país é, agora, de 322 casos por 100 mil
habitantes.
- "Todas as regiões
portuguesas estão numa fase de descida", incluindo a Madeira. No entanto, "há zonas do território com
incidências ainda particularmente altas, como Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e
Centro, entre 480 e 960 casos por 100 mil habitantes, mas já há vastas áreas do
território com uma incidência inferior a 240 casos por 100 mil habitantes”,
frisou.
- Em termos etários, André
Peralta Santos notou que se mantém “a tendência de descida de todos os grupos
etários”, sendo que a faixa da população com 80 ou mais anos é ainda “o grupo
com maior incidência neste momento”, apesar de ser “mais reduzida e com níveis
de incidência ao nível de novembro”.
- Valor do R(t) encontra-se
abaixo de 1 em todo o país e é o mais baixo da Europa , revela Baltazar Nunes,
do Instituto Nacional de Saúde Doutor. Ricardo Jorge. "Nos últimos cinco
dias tem estabilizado em torno de 0,66 e 0,68", acrescentou. A redução do
número de novas infeções aumentou com o segundo pacote de medidas, que incluiu
o fecho das escolas, defendeu o especialista. De acordo com o investigador, a
redução de incidência foi mais acentuada na população com idades entre os 10 e
os 50 anos e 80 e mais anos.
- Em termos de contactos
sociais, verificou-se uma redução do número contactos sociais na população
portuguesa em linha com a redução da mobilidade, sendo que foi no grupo etário
dos 60 ou mais anos onde se observou a maior redução de contacto, cerca de 41%,
e no grupo etário dos 18 aos 49 anos cerca de 35%.
- Segundo as projeções, a
taxa de incidência acumulada a 14 dias estará abaixo dos 120 casos por 100 mil
habitantes no início de março e abaixo dos 60 casos na segunda quinzena de
março. O número de doentes Covid-19 internado em UCI estará abaixo de 320 na
segunda quinzena de março e abaixo dos 200 no final do mês de março.
- Sobre a variante do Reino
Unido. Em Portugal, desde 1 de dezembro, terão ocorrido cerca de 150 mil casos
de infeção por esta variante. “Em janeiro fizemos uma projeção a três semanas
que indicava que na semana seis – a semana passada – cerca de 65% dos novos
casos fossem provocados por esta variante. Tal não aconteceu graças ao
confinamento. Os dados indicam que temos cerca de 48% dos novos casos
provocados por esta variante e sem uma tendência crescente”, afirmou o
especialista do INSA, notando que no Reino Unido já se estima uma prevalência
desta variante superior a 90%.
- No entanto, o
investigador do INSA alertou que com o futuro desconfinamento será expectável
uma recuperação do ritmo de crescimento de infeções por esta variante, por ser
mais transmissível. João Paulo Gomes observou que o 'planalto' de valores
encontrado nas últimas semanas se deve à limitação dos contactos sociais por
força do confinamento.
- Outras variantes. Até 22
de fevereiro, foram detetados quatro casos da variante da África do Sul e sete
casos da variante P.1 (a chamada variante de Manaus). Sobre esta última, João
Paulo Gomes, do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, diz que
"estamos a falar de apenas uma cadeia de transmissão".
- A estratégia para
identificar novas variantes da Covid-19 vai mudar no mês de março: o rastreio
passa a ser semanal, e não mensal.
- Como será o novo normal
nos hospitais? João Gouveia, da Coordenação da Reposta em Medicina Intensiva,
responde: com menos de 242 doentes em UCI, 245 camas de Medicina Intensiva
dedicadas à Covid-19 e 629 camas para a atividade normal. O especialista refere
também a necessidade olhar para a testagem e analisar a mobilidade das
populações.
- “A situação da medicina
intensiva em Portugal é ainda muito frágil, temos uma situação atual que não é
real, é enganadora. É necessário completar obras em curso e assegurar recursos
humanos”, reiterou João Gouveia, que, após vincar que a taxa de ocupação não
deve exceder os 85% - ou seja, sensivelmente 242 doentes covid em cuidados
intensivos -, assegurou que Portugal só vai conseguir chegar “no final da
terceira semana de março” aos 245 doentes.
- Como atuar para controlar
a pandemia? Henrique de Barros, do Instituto de Saúde Pública da Universidade
do Porto, elencou uma série de "princípios para a atuar": incidência, internamentos por dias e a velocidade
a que os fenómenos ocorrem, através do R(t), o índice de transmissibilidade.
- Plano de vacinação: ponto
de situação. Já chegaram cerca de um milhão de vacinas a Portugal, das quais
mais de 700 mil já foram inoculadas. 248 mil pessoas já levaram as duas doses,
revela Henrique Gouveia e Melo, coordenador da task force. Há há “7 pessoas em cada 100 habitantes com uma
inoculação pelo menos; 4,5% da população com a primeira dose e 2,4% com a
segunda dose”.
- O Vice-almirante disse
ainda que "haverá uma concentração de vacinas já no segundo trimestre suficiente
para aumentar a velocidade de vacinação para cerca de 100 mil vacinas por
dia". Previsão para se atingir a imunidade de grupo em Portugal "pode
passar do fim do verão para meados de agosto ou o início de agosto" — e
não em setembro.
- “Há uma expectativa mais
positiva relativamente ao segundo trimestre e muito mais positiva relativamente
ao terceiro e quarto trimestres. Se estas expectativas de disponibilidades de
vacinas se mantiverem e materializarem num futuro próximo, o período em que se
pode atingir a imunidade de grupo - 70% - pode eventualmente reduzir-se
relativamente ao fim do verão para passar para meados do verão, em volta de
meados ou início de agosto”, disse Gouveia e Melo (Sapo)
Sem comentários:
Enviar um comentário