Li no Público que
"não está confirmado que esteja relacionado com o avião da Malaysia
Airlines. Receio de nova pista falsa refreia entusiasmo das autoridades. A
detecção de um sinal rádio com uma frequência de 37.5 kHz, a mesma das caixas
negras do Boeing 777 da Malaysia Airlines desaparecido há quatro semanas,
reavivou, este sábado, a esperança de que o mistério do voo possa vir a ser
esclarecido. Mas as primeiras reacções foram de prudência. Até ao fim do dia
não havia confirmação de que o sinal esteja relacionado com o avião que
desapareceu pouco depois de ter partido de Kuala Lumpur com destino a Pequim, a
8 de Março. Presume-se que o avião tenha caído ao mar, com 239 pessoas a bordo,
maioritariamente chinesas. O sinal foi localizado por um detector instalado a
bordo do navio-patrulha chinês Haixun 01, envolvido nas buscas no sul do Oceano
Índico, cerca de 25 graus de latitude Sul e 101 graus de longitude Leste,
noticiou a agência chinesa Xinhua. Mas "ainda não foi identificado",
informou o centro chinês de busca e socorro marítimo. Mais tarde, a agência
acrescentou que um jacto da força aérea chinesa avistou e fotografou objectos
brancos na área em que estão a decorrer as buscas. Informações avançadas pelo
Sydney Morning Herald mas não confirmadas oficialmente indicam que a tripulação
do navio chinês notificou as autoridades australianas da detecção do sinal por
volta do meio-dia local de sábado. O jornal australiano indicou, citando o
chinês Diário do Povo, que o sinal foi ouvido pela primeira vez na tarde de
sexta-feira, não foi gravado por ter surgido inesperadamente, e voltou a ser
detectado pelo navio na tarde de sábado. O ministro australiano da Defesa,
David Johnston, alertou para entusiasmos excessivos. "Não seria a primeira
vez que detectamos alguma coisa que depois se revelou decepcionante",
disse à estação ABC24. "Há uma elevada possibilidade de falsos
positivos." A frequência 37.5 kHz é o padrão internacional dos emissores
de localização das caixas negras. Um oceanógrafo da Universidade de Southampton,
Somon Boxall, disse que é usada por "uma variedade de coisas".
"Tivemos um monte de pistas falsas nesta busca", recordou à CNN.
"Gostava muito de ter essa informação confirmada. Pode ser um falso
sinal." A eventual detecção das caixas negras seria um contributo decisivo
para compreender o que aconteceu ao voo MH370. Uma das caixas regista os
parâmetros técnicos de voo, a outra os sons e diálogos mantidos no cockpit.
Apesar de manterem a designação, são actualmente cor-de-laranja com listas
brancas reflectoras, para mais facilmente poderem ser encontradas. Passadas
quatro semanas sobre o desaparecimento do Boeing, a tentativa de encontrar as caixas é agora uma corrida
contra o tempo porque as suas baterias duram cerca de um mês, apesar de poderem
continuar a emitir sinais depois desse período. As buscas envolvem, segundo a
Reuters, uma dezena de aviões militares, três civis e 11 navios, que têm
concentrado esforços numa área de 217 mil quilómetros quadrados, a cerca de
1700 quilómetros a noroeste de Perth, Austrália. A expectativa das equipas de
busca é de encontrarem alguma coisa que lhes permita reduzir a área operacional
para aí concentrarem os seus esforços, explicou Angus Houston, marechal da
força aérea que lidera a agência australiana que coordena as buscas. Ainda que
a pista do sinal rádio não se venha a confirmar, o trabalho não vai parar,
disse, citado pela Reuters. "Mesmo que não encontremos nada em seis
semanas vamos continuar, porque há muitas partes do aparelho que vão
flutuar." Muitas teorias sobre o destino do voo MH370 foram até agora
avançadas para explicar o desaparecimento mas, até agora, não foi recolhida uma
única peça do avião. As autoridades dizem que os dados reunidos sugerem que foi
desviado deliberadamente milhares de quilómetros da rota programada. E que
teria acabado por se despenhar na grande área do Índico onde têm decorrido as
mais recentes buscas. Uma série de objectos detectados por satélites ou
avistados a olho nu a partir do ar acabaram por se revelar, em todos os casos,
falsas pistas.
Investigação
formal
A Malásia
anunciou também este sábado o início de uma investigação formal ao
desaparecimento do avião em que participam peritos de todo o mundo.
Normalmente, as investigações formais só começam depois de encontrados os
destroços. O ministro dos Transportes, Hishammuddin Hussein, explicou que a
investigação vai ser feita por três grupos: um, de "navegabilidade
aérea", examinará os registos de manutenção, estruturas e sistemas; um
segundo, de operações, estudará os "registos de voo, operações e
meteorologia"; e o terceiro os "factores humanos e médicos". A
investigação e as buscas mobilizam especialistas e operacionais".



