sexta-feira, fevereiro 14, 2014

Opinião pessoal: UMA REFLEXÃO (3)



"Prosseguindo com esta minha reflexão, obviamente que enquanto militante do PSD, tenho acompanhado a evolução, quase quotidiana, do que se vai passado no partido, lamentando apenas que discussões que interessam aos seus militantes - porque são os filiados que vão fazer escolhas e decidir quando forem chamados a isso, e mais ninguém - estejam sistematicamente a ser trazidas para a praça pública, com todo o desgaste que isso acarreta. Não julguem as pessoas que o simples facto de haver uma discussão na praça pública sobre a situação e/ou os desafios que se colocam a qualquer partido político, seja ele o PSD ou outro, isso representa imediatamente uma mais-valia com consequentes ganhos políticos e eleitorais futuros. Nada mais errado. A excessiva exposição, a presença de um partido, por tudo e por nada, na comunicação social, como se a política tivesse que ter como arena a comunicação social e não o seu espaço próprio, penalizam e não se recomendam.
Olho para tudo isto com despreendimento mas desconfiando que se estarão a cometer erros, de avaliação e políticos, de todas as partes, que podem penalizar ainda mais o PSD regional e fragilizá-lo, naquele que é um dos momentos mais difíceis da sua história. A conjuntura presente, caracterizada por uma aguda crise social, económica e financeira regional e nacional, tem tido inevitáveis e graves impactos entre nós, os quais são a causa de muitas situações negativas que afastam as pessoas da política e dos partidos e consolidaram a frustração e a desilusão social. Atendendo a tudo o que se tem passado nestes últimos dois a três anos, recomendaria cautelas redobradas, mais discrição e reforçada contenção, algo que claramente não está a ser observado.
Tenho a consciência de que os tempos são hoje substancialmente diferentes daqueles que caracterizavam a realidade social, económica e política nos anos setenta, quando o PSD da Madeira deu os primeiros passos nesta longa caminhada autonómica. Uma realidade muito diferente daquela que caracterizou as décadas seguintes, e particularmente o ano de 2007, quando nas eleições regionais então realizadas - na sequência de uma das maiores e mais vergonhosas roubalheiras perpetradas contra a Região e os madeirenses pela então governação socialista de Sócrates - o PSD madeirense conseguiu o seu melhor resultado eleitoral de sempre.
Na altura escrevi, e alguns até me criticaram por isso, chamando a atenção para o carácter excecional e irrepetível destes resultados que podiam alimentar fantasias e espalhar ilusões, distorcendo perigosamente a realidade. Os madeirenses quiserem sobretudo penalizar os responsáveis, votando contra os mentores e cúmplices silenciosos de decisões que custaram milhões à Madeira, patifaria que hipocritamente hoje tentam esconder.
O PSD da Madeira não pode fugir ao seu destino e, seja ele qual for, ninguém o pode condicionar ou manipular. Mas o poder de decisão reside nos filiados e apenas neles, de nada valendo as campanhas e as pressões feitas de fora para dentro, na tentativa de confundirem, distorcerem, omitirem, deturparem, enfim, de criarem um cenário de ficção e de absoluta confusão.
A primeira coisa que é preciso afastar, rapidamente, é a ideia de que estamos reféns de uma espécie de ajuste de contas interno que não faz qualquer sentido. Pelo contrário, desestabiliza e desacredita, penalizando-nos a todos e desiludindo aqueles que são a base eleitoral do PSD regional. Os tempos não se compadecem com isso, nem as pessoas mudam as suas opções por causa do espetáculo promovido para fins mediáticos. O PSD regional não vai acabar em 2014 com as “diretas”. O partido vai continuar depois disso, com vida própria, com novos protagonistas, novas ideias, mas a mesma ideologia, o mesmo programa e os mesmos objetivos políticos. A segunda ideia a reter é a de que o PSD regional precisa de encontrar a estabilidade interna rapidamente, num quadro de diálogo, de respeito e de tolerância pelas opiniões diferentes que cada militante tenha. A liberdade é isso mesmo, respeitar e ser respeitado. Essa estabilização não se consegue enquanto persistir esta estranha teoria, diria mesmo algo macabra, de que se faz política na comunicação social, promovendo a instabilidade e a confusão, porque quem assim se comporta julga que só se ganha a desejada notoriedade em função das vezes que se aparece nos jornais ou que só conseguem votos dos militantes em função da amplitude das críticas e das exigências veiculadas através da comunicação social.
Tenho a esperança, porque não acredito num suicídio coletivo, que as bases do PSD regional vão acabar com isto – não estou a falar na liberdade interna, na diversidade de opiniões, nos direitos e deveres dos filiados, na discussão, na troca de ideias quanto a um futuro que temos todos que garantir com pragmatismo, verdade e humildade. Tal como tenho a esperança que as decisões serão tomadas não por causa dos jornais, das televisões ou das redes sociais, mas com base em programas de acção que a seu tempo terão que ser apresentados e discutidos e em função dos quais espero que os militantes façam as suas escolhas.
Repito, o que ao PSD da Madeira está reservado, o que o tempo e a política lhe vão desafiar até 2015, será incontornável, apesar de todas as dúvidas que naturalmente possam existir, independentemente do facto de desconfiar que há cenários que poderão não ser tão plausíveis como parecem. Espeto que o tempo me dê razão.
Um partido cuja referência ideológica é Francisco Sá Carneiro não pode andar a pisar o risco vermelho que representa o legado do seu falecido líder. Um partido que foi fundado e liderado por Sá Carneiro não se pode renegar a si próprio, não pode ignorar os seus valores essenciais, não pode abandonar a sua matriz ideológica sem espezinhar a sua história. O PSD de Sá Carneiro, que não tem nada a ver com o PSD hoje entregue a Passos Coelho e restante corja, não se pode confundir com “praxis” que na realidade são característica dos partidos fracos e sem conteúdo.
Nestes tempos de mudança, sobretudo de protagonistas – todas as mudanças de ciclo implicam isso mesmo - não podemos pensar numa mudança destinada a deixar tudo na mesma, tanto mais quando os últimos resultados eleitorais constituíram alertas importantes que não podem ser desvalorizados. Não vamos conseguir chamar mais gente, fechando as portas, não podemos partir para um tempo novo, parando no tempo ou alimentando saudosismos. Pessoalmente sei que o meu tempo, enquanto dirigente partidário - que não enquanto militante de base num partido que não é, não pode ser nem nunca foi elitista - corre apressado para o seu fim. Há sempre um tempo para tudo. Não alimento qualquer ambição, pese o facto de estar sempre, estarei sempre, disponível para opinar ou colaborar se o considerarem útil ou necessário. (JM)