quinta-feira, fevereiro 20, 2014

Opinião pessoal: SÁ CARNEIRO (II)


“Este fim-de-semana Lisboa será palco de mais um congresso do PSD, iniciativa destinada a cumprir calendário e a continuar tudo na mesma. Um patético "chá-das-cinco com encenações q.b. Mais do mesmo. O PSD controlado por Passos e demais camarilha não está interessado em discutir seja o que for, não quer olhar para a realidade da sociedade portuguesa, ignora a pobreza e a exclusão social, fala de exportações para esconder o vergonhoso impacto social do ajustamento português nas pessoas, famílias e empresas. Esta corja não larga o poder, faz tudo o que for possível para lá continuar, esconde a o desemprego real para manipular indicadores e enganar as pessoas. Para esta corja há um país real que esconde desesperadamente (apesar da máquina de propaganda incompetente e patética que tem ao seu dispor) em detrimento de uma ficção monumental, em linha com o vergonhoso embuste de mentira, manipulação e aldrabice que esteve na origem da vitória eleitoral de 2011. O PSD hoje está refém desta corja que o tomou de assalto, está refém de interesses e de uma ânsia descontrolada pelo poder e de sobrevivência. O PSD está hoje entregue a uma corja vaidosa, incompetente e impreparada que chegou ao poder ao serviço de uma causa que ideologicamente nada tem a ver com a social-democracia e com o PSD, mas sim com os mercados especuladores e com o capitalismo europeu e internacional.
O busto de Sá Carneiro lá estará, não sei se no palco, se numa retrete qualquer. A ideologia para esta corja deixou de ser importante. O programa partidário e os alicerces da sua ideologia são formalidades que valem o que valem. Por isso nada melhor que recordar mais algumas ideias de Francisco Sá Carneiro:
- "Todos os órgãos de informação, desde que não sejam propriedade de determinado partido, a todos têm de estar abertos. Nessa matéria são inúmeras as nossas razões de queixa” (Comício, 1974)
- "Não somos nem queremos ser um partido de quadros ou de elites."Fonte - Imprensa (1974)
- "O que há é que impor uma disciplina de actuação do poder económico e dos investimentos, para que ele seja feito com proveito de todos nós e não apenas para os detentores desse poder."(1974)
- "É muito mais favorável lidar com grupos económicos nacionais do que ficar subordinado a multinacionais" (Imprensa, 1974)
- "Portugal precisa de apoio internacional generalizado e merece-o. Esse apoio, venha de onde vier, tem de respeitar a nossa independência e uma rigorosa não ingerência nos nossos assuntos” (Imprensa, 1975)
- "Os ministros, sejam eles quais forem, pertençam a que partido pertencerem, devem vir a esta Assembleia com frequência dar conta dos seus actos". (Assembleia da República, 1976)
- "Se a situação (Snu Abecassis) for considerada incompatível com as minhas funções, escolherei a mulher que amo. (Correspondência, 1977)
- "Sei que o meu destino é morrer cedo e só concebo a vida se for vivida vertiginosamente" (Correspondência, 1977)
- "O nosso Povo tem sempre correspondido nas alturas de crise. As elites, as chamadas elites, é que quase sempre o traíram, e nós estamos a ver mais uma vez que o Povo Português foi defraudado da sua boa-fé". (1978, Congresso do PSD)
- "Não há futuro económico e social possível quando o problema principal não é o excesso de consumo privado, com o que nos querem convencer, mas o excesso de consumo público, a monstruosidade das despesas públicas (1978, Comício)
- "A igualdade de oportunidades, independentemente dos meios de fortuna e da posição social, é cada vez mais um mito, designadamente em sectores como a saúde, a habitação e o ensino, onde tudo se degrada a um ritmo alucinante” (Assembleia da República, 1978)
- "A abstenção é um acto de cobardia política” (Assembleia da República, 1978)
- "Todos os políticos responsáveis sabem que não se pode prometer aos Portugueses senão tempos duros. E que se lhes não pode oferecer nada a curto prazo, excepto sacrifícios e trabalho paciente” (Assembleia da República, 1978)
- "Nós, Partido Social Democrata, não temos qualquer afinidade com as forças de direita, nós não somos nem seremos nunca uma força de direita.Congresso do PSD (1978)
"O PPD nunca foi um partido de patrões (...) Desde o início tivemos adesão de larga camada de trabalhadores que se têm multiplicado na sua acção de implantação do partido. (1974)
- "Não somos nem queremos ser um partido de quadros ou de elites". (1974)
"O PPD não é um partido de quadros, embora seja evidente o grande apelo que o PPD tem para os intelectuais e técnicos deste país, que estão empenhados num trabalho sério, metódico e realista” (Imprensa, 1974)
- "Não pretendemos ser o partido dos trabalhadores, pois entendemos que os trabalhadores não são monopólio de ninguém, e que lhes compete escolher livremente de entre os partidos, de acordo com os programas respectivos” (Imprensa, 1975)
- "Dou-me muito bem com os jornalistas! Nem sequer é verdade que não gosto deles! O que não tenho é paciência para repetir coisas óbvias, fazer propaganda, falar de mim” (Imprensa, 1979)
- "Gosto demasiado da política para me candidatar à Presidência da República. Sou estruturalmente antipresidencialista e sempre entendi que, em democracia, a política deve ter no Parlamento a sua razão e o seu objectivo” (Imprensa, 1979)
- "É indispensável que o poder de compra seja também defendido pela redução dos impostos” (Comício, 1979)
- "Os problemas económicos são os que mais nos preocupam: o custo de vida, o desemprego, o bem-estar das pessoas. E também a eficácia administrativa, a organização do Estado no sentido da ordem democrática” (Imprensa, 1979)
- "Quando tive aquele grande desastre de carro em 1973, estive imenso tempo na cama, pensei muito e cheguei a uma conclusão: a vida, para mim, sem risco não faz sentido". (Correspondência, 1980) (JM)