“Este fim-de-semana Lisboa será palco de mais um
congresso do PSD, iniciativa destinada a cumprir calendário e a continuar tudo
na mesma. Um patético "chá-das-cinco com encenações q.b. Mais do mesmo. O
PSD controlado por Passos e demais camarilha não está interessado em discutir
seja o que for, não quer olhar para a realidade da sociedade portuguesa, ignora
a pobreza e a exclusão social, fala de exportações para esconder o vergonhoso
impacto social do ajustamento português nas pessoas, famílias e empresas. Esta
corja não larga o poder, faz tudo o que for possível para lá continuar, esconde
a o desemprego real para manipular indicadores e enganar as pessoas. Para esta
corja há um país real que esconde desesperadamente (apesar da máquina de
propaganda incompetente e patética que tem ao seu dispor) em detrimento de uma
ficção monumental, em linha com o vergonhoso embuste de mentira, manipulação e
aldrabice que esteve na origem da vitória eleitoral de 2011. O PSD hoje está
refém desta corja que o tomou de assalto, está refém de interesses e de uma
ânsia descontrolada pelo poder e de sobrevivência. O PSD está hoje entregue a
uma corja vaidosa, incompetente e impreparada que chegou ao poder ao serviço de
uma causa que ideologicamente nada tem a ver com a social-democracia e com o
PSD, mas sim com os mercados especuladores e com o capitalismo europeu e
internacional.
O busto de Sá Carneiro lá estará, não sei se no palco,
se numa retrete qualquer. A ideologia para esta corja deixou de ser importante.
O programa partidário e os alicerces da sua ideologia são formalidades que
valem o que valem. Por isso nada melhor que recordar mais algumas ideias de
Francisco Sá Carneiro:
- "Todos os órgãos de
informação, desde que não sejam propriedade de determinado partido, a todos têm
de estar abertos. Nessa matéria são inúmeras as nossas razões de queixa”
(Comício, 1974)
- "Não somos nem queremos
ser um partido de quadros ou de elites."Fonte - Imprensa (1974)
- "O que há é que impor uma
disciplina de actuação do poder económico e dos investimentos, para que ele
seja feito com proveito de todos nós e não apenas para os detentores desse
poder."(1974)
- "É muito mais favorável
lidar com grupos económicos nacionais do que ficar subordinado a
multinacionais" (Imprensa, 1974)
- "Portugal precisa de
apoio internacional generalizado e merece-o. Esse apoio, venha de onde vier,
tem de respeitar a nossa independência e uma rigorosa não ingerência nos nossos
assuntos” (Imprensa, 1975)
- "Os ministros, sejam
eles quais forem, pertençam a que partido pertencerem, devem vir a esta
Assembleia com frequência dar conta dos seus actos". (Assembleia da
República, 1976)
- "Se a situação (Snu
Abecassis) for considerada incompatível com as minhas funções, escolherei a
mulher que amo. (Correspondência, 1977)
- "Sei que o meu destino
é morrer cedo e só concebo a vida se for vivida vertiginosamente"
(Correspondência, 1977)
- "O nosso Povo tem
sempre correspondido nas alturas de crise. As elites, as chamadas elites, é que
quase sempre o traíram, e nós estamos a ver mais uma vez que o Povo Português
foi defraudado da sua boa-fé". (1978, Congresso do PSD)
- "Não há futuro
económico e social possível quando o problema principal não é o excesso de
consumo privado, com o que nos querem convencer, mas o excesso de consumo
público, a monstruosidade das despesas públicas (1978, Comício)
- "A igualdade de
oportunidades, independentemente dos meios de fortuna e da posição social, é
cada vez mais um mito, designadamente em sectores como a saúde, a habitação e o
ensino, onde tudo se degrada a um ritmo alucinante” (Assembleia da República,
1978)
- "A abstenção é um acto
de cobardia política” (Assembleia da República, 1978)
- "Todos os políticos
responsáveis sabem que não se pode prometer aos Portugueses senão tempos duros.
E que se lhes não pode oferecer nada a curto prazo, excepto sacrifícios e
trabalho paciente” (Assembleia da República, 1978)
- "Nós, Partido Social
Democrata, não temos qualquer afinidade com as forças de direita, nós não somos
nem seremos nunca uma força de direita.Congresso do PSD (1978)
"O PPD nunca foi um
partido de patrões (...) Desde o início tivemos adesão de larga camada de
trabalhadores que se têm multiplicado na sua acção de implantação do partido.
(1974)
- "Não somos nem queremos
ser um partido de quadros ou de elites". (1974)
"O PPD não é um partido
de quadros, embora seja evidente o grande apelo que o PPD tem para os
intelectuais e técnicos deste país, que estão empenhados num trabalho sério,
metódico e realista” (Imprensa, 1974)
- "Não pretendemos ser o
partido dos trabalhadores, pois entendemos que os trabalhadores não são
monopólio de ninguém, e que lhes compete escolher livremente de entre os
partidos, de acordo com os programas respectivos” (Imprensa, 1975)
- "Dou-me muito bem com
os jornalistas! Nem sequer é verdade que não gosto deles! O que não tenho é
paciência para repetir coisas óbvias, fazer propaganda, falar de mim”
(Imprensa, 1979)
- "Gosto demasiado da
política para me candidatar à Presidência da República. Sou estruturalmente
antipresidencialista e sempre entendi que, em democracia, a política deve ter
no Parlamento a sua razão e o seu objectivo” (Imprensa, 1979)
- "É indispensável que o
poder de compra seja também defendido pela redução dos impostos” (Comício,
1979)
- "Os problemas
económicos são os que mais nos preocupam: o custo de vida, o desemprego, o
bem-estar das pessoas. E também a eficácia administrativa, a organização do
Estado no sentido da ordem democrática” (Imprensa, 1979)
- "Quando
tive aquele grande desastre de carro em 1973, estive imenso tempo na cama,
pensei muito e cheguei a uma conclusão: a vida, para mim, sem risco não faz
sentido". (Correspondência, 1980) (JM)