terça-feira, fevereiro 18, 2014

Opinião pessoal: "Sá Carneiro (I)"


Francisco Sá Carneiro – que nada tem a ver com este PSD, ideologicamente esvaziado e rendido aos “encantos” do liberalismo – será sempre a referência do PSD popular, na sua vertente mais basista, particularmente para aqueles que hoje se sentem privados de um líder carismático e íntegro, que coloque o partido junto das pessoas, pensando e agindo para elas, defendendo os mais fracos, pugnando pelo respeito devido aos mais idosos, aos reformados, aos pensionistas, aos mais carenciados e que olhe pelos jovens obrigados a emigrar. Falo-vos de um partido que precisar de recuperar a ideologia, que seja capaz de reganhar a coerência, que reencontre os jovens que perdeu por não lhes responder às expectativas e, em vez disso, os convidar à emigração! Falo-vos de um partido que se transformou numa asquerosa máquina dominada por uma corja de oportunistas que tomaram de assalto o poder à custa de um vergonhoso embuste eleitoral em 2011 – a propósito, quando conheceremos a verdadeira história, de tudo o que se passou entre Março e Junho de 2011?
Sá Carneiro continua a ser usado por uns e por outros, incluindo os que abusivamente evocam o antigo presidente do PSD sem que tenham autoridade moral e política, nem legitimidade, para o fazerem. O PSD hoje é um partido refém de interesses, de “lobbies”, de mesquinhezes infindáveis, de oportunistas, de bandalhices protagonizadas por quem depende doentiamente do poder e que para lá continuar está disposto a tudo, se necessário for a vender a mãe, como diz o povo. É um partido desfigurado, privado de ideologia, transformado numa espécie de bando “elitista” onde cabe toda a rafeirice que por aí anda à procura de poleiro.
Em vésperas de mais um Congresso nacional do PSD – que me faz lembrar aquela farsa socialista de 2011, que elegeu Sócrates em Abril desse ano com mais de 90% dos votos nas “diretas”, que depois transformou o congresso do PS numa “passadeira vermelha” para o homem que era o rosto da falência do país, da austeridade e da presença da “troika” em Portugal, o qual viria, expetavelmente, a perder as eleições, apesar da derrota não ter tido a amplitude que todos vaticinavam, e que se foi embora depois disso – resolvi recordar algumas frases de Sá Carneiro, com a precisa colaboração do Citador, afirmações que espelham a visão que ele tinha do partido, da política, da sociedade, das pessoas, da democracia, etc, lembrando que algumas delas foram proferidas ainda sob o regime totalitário que antecedeu o 25 de Abril:

- "A pessoa humana define-se pela liberdade. Ser homem é ser livre. Coartar a liberdade é despersonalizar; suprimi-la desumaniza. A liberdade de pensar é a liberdade de ser, pois implica a liberdade de exprimir o pensamento e a de realizar na acção.(1969)

- "Claro que é muito mais difícil, e pode parecer mais ineficaz, governar na liberdade do que contra ela; mas não há outra forma lícita de governo de homens" (1969)

- "O fim principal do poder político é o serviço da pessoa. O Estado está ao serviço da pessoa" (Assembleia Nacional, 1971)

- "Eu considero que uma liberdade dependente de poder discricionário do Governo não é uma verdadeira liberdade; fica à mercê do poder" (1971)

- "O valor essencial da liberdade sem a igualdade torna-se aristocrático privilégio de uns quantos" (Assembleia Nacional, 1971)

- "O valor essencial da liberdade sem a igualdade torna-se aristocrático privilégio de uns quantos" (Assembleia Nacional, 1971)

- "Qualquer Estado moderno é inevitavelmente um Estado social, pois a nenhum poder politicamente organizado é hoje possível deixar de conformar-se com as realidade sociais e tomar a seu cargo a satisfação das necessidades colectivas."Fonte - Imprensa (1971)

- "Pouco importa às pessoas saber que têm os direitos reconhecidos em princípio, se o exercício deles lhes é negado na prática."Fonte - Assembleia Nacional (1971)

- "A oposição é, para o poder em exercício, estímulo; e, para o interesse comum, factor de progresso" (1973)

- "Adoptando-se o modelo de desenvolvimento capitalista sem instituições democráticas, sem liberdade política, caminharemos para um despotismo violento que nem por ser dourado por melhores condições económicas deixará de ser menos insuportável” (imprensa, 1973)

- "Não discuto o direito que todos têm de criticar as opções políticas de cada um" (1974)

- "Sem um crescimento económico não sairemos da actual situação de penúria que impõe, sobretudo às classes mais desfavorecidas, uma vida abaixo do nível a que se tem direito." (1974) (JM)