Francisco
Sá Carneiro – que nada tem a ver com este PSD, ideologicamente esvaziado e rendido
aos “encantos” do liberalismo – será sempre a referência do PSD popular, na sua
vertente mais basista, particularmente para aqueles que hoje se sentem privados
de um líder carismático e íntegro, que coloque o partido junto das pessoas,
pensando e agindo para elas, defendendo os mais fracos, pugnando pelo respeito
devido aos mais idosos, aos reformados, aos pensionistas, aos mais carenciados
e que olhe pelos jovens obrigados a emigrar. Falo-vos de um partido que
precisar de recuperar a ideologia, que seja capaz de reganhar a coerência, que reencontre
os jovens que perdeu por não lhes responder às expectativas e, em vez disso, os
convidar à emigração! Falo-vos de um partido que se transformou numa asquerosa
máquina dominada por uma corja de oportunistas que tomaram de assalto o poder à
custa de um vergonhoso embuste eleitoral em 2011 – a propósito, quando conheceremos
a verdadeira história, de tudo o que se passou entre Março e Junho de 2011?
Sá
Carneiro continua a ser usado por uns e por outros, incluindo os que
abusivamente evocam o antigo presidente do PSD sem que tenham autoridade moral
e política, nem legitimidade, para o fazerem. O PSD hoje é um partido refém de
interesses, de “lobbies”, de mesquinhezes infindáveis, de oportunistas, de bandalhices
protagonizadas por quem depende doentiamente do poder e que para lá continuar
está disposto a tudo, se necessário for a vender a mãe, como diz o povo. É um
partido desfigurado, privado de ideologia, transformado numa espécie de bando “elitista”
onde cabe toda a rafeirice que por aí anda à procura de poleiro.
Em
vésperas de mais um Congresso nacional do PSD – que me faz lembrar aquela farsa
socialista de 2011, que elegeu Sócrates em Abril desse ano com mais de 90% dos
votos nas “diretas”, que depois transformou o congresso do PS numa “passadeira
vermelha” para o homem que era o rosto da falência do país, da austeridade e da
presença da “troika” em Portugal, o qual viria, expetavelmente, a perder as
eleições, apesar da derrota não ter tido a amplitude que todos vaticinavam, e
que se foi embora depois disso – resolvi recordar algumas frases de Sá
Carneiro, com a precisa colaboração do Citador, afirmações que espelham a visão
que ele tinha do partido, da política, da sociedade, das pessoas, da
democracia, etc, lembrando que algumas delas foram proferidas ainda sob o regime
totalitário que antecedeu o 25 de Abril:
- "A pessoa humana define-se pela liberdade. Ser
homem é ser livre. Coartar a liberdade é despersonalizar; suprimi-la
desumaniza. A liberdade de pensar é a liberdade de ser, pois implica a
liberdade de exprimir o pensamento e a de realizar na acção.(1969)
- "Claro que é muito mais difícil, e pode parecer
mais ineficaz, governar na liberdade do que contra ela; mas não há outra forma
lícita de governo de homens" (1969)
- "O fim principal do poder político é o serviço
da pessoa. O Estado está ao serviço da pessoa" (Assembleia Nacional, 1971)
- "Eu considero que uma liberdade dependente de
poder discricionário do Governo não é uma verdadeira liberdade; fica à mercê do
poder" (1971)
- "O valor essencial da liberdade sem a igualdade
torna-se aristocrático privilégio de uns quantos" (Assembleia Nacional,
1971)
- "O valor essencial da liberdade sem a igualdade
torna-se aristocrático privilégio de uns quantos" (Assembleia Nacional,
1971)
- "Qualquer Estado moderno é inevitavelmente um
Estado social, pois a nenhum poder politicamente organizado é hoje possível
deixar de conformar-se com as realidade sociais e tomar a seu cargo a
satisfação das necessidades colectivas."Fonte - Imprensa (1971)
- "Pouco importa às pessoas saber que têm os
direitos reconhecidos em princípio, se o exercício deles lhes é negado na
prática."Fonte - Assembleia Nacional (1971)
- "A oposição é, para o poder em exercício,
estímulo; e, para o interesse comum, factor de progresso" (1973)
- "Adoptando-se o modelo de desenvolvimento
capitalista sem instituições democráticas, sem liberdade política, caminharemos
para um despotismo violento que nem por ser dourado por melhores condições
económicas deixará de ser menos insuportável” (imprensa, 1973)
- "Não discuto o direito que todos têm de
criticar as opções políticas de cada um" (1974)
- "Sem um crescimento económico não sairemos da
actual situação de penúria que impõe, sobretudo às classes mais desfavorecidas,
uma vida abaixo do nível a que se tem direito." (1974) (JM)
