segunda-feira, fevereiro 17, 2014

Ingleses e holandeses pedem uma indemnização à Islândia que vale metade do PIB



Segundo o Dinheiro Vivo, “o banco central holandês e o fundo de garantia de depósitos britânico decidiram processar o fundo de garantia de depósitos islandês para tentar reaver o dinheiro com que compensaram os seus cidadãos após a falência do banco Landsbanki, em 2008. As duas instituições querem ser compensadas com 5 mil milhões de euros, valor equivalente a metade do PIB islandês. O primeiro-ministro islandês afastou, entretanto, a hipótese deste valor vir a ser pago, uma vez que o banco em causa era privado, mas mostrou-se disposto a encontrar outra solução. "Não estamos muito preocupados com isto. É improvável que eles consigam muito com isto porque não existe nenhuma garantia do Estado ou do Governo", disse Sigmundur Gunnlaugsson, citado pela Reuters. "Eu estou muito optimista porque na minha opinião é do interesse de todos encontrar uma solução", acrescentou.
“Pode levar um ou dois anos para resolver este assunto”, disse Gudrun Thorleifsdottir, presidente do fundo de garantia de depósitos islandês, à agência Bloomberg. “É absolutamente claro que este caso vai ao Supremo Tribunal, o que significa que, na melhor das hipóteses, terá um desfecho no próximo ano”. Quando os três principais bancos islandeses faliram em 2008 – Glitnir, Kaupthing e Landsbanki –, o fundo de garantia de depósitos islandês ficou sem dinheiro para cobrir as perdas totais dos depositantes estrangeiros das contas Icesave, ficando por pagar a 350 mil depositantes. Os islandeses decidiram em referendo, duas vezes, não reembolsar os depositantes estrangeiros daquela instituição, que depositavam dinheiro através do banco online Icesave, que oferecia aos seus clientes taxas de juro superiores a 6%. Lançado no mercado britânico em 2006, o banco dava garantias plenas de segurança aos seus clientes: "Quando deposita no Icesave pode ficar descansado que as suas poupanças estão num lugar seguro", rezava a campanha. Ou "Pode ficar descansado, que, com o Icesave, você goza do mesmo nível de proteção financeira que todos os bancos no Reino Unido", assegurava a instituição. No total, estes bancos deixaram para trás uma montanha de dívidas no valor de 62 mil milhões de euros, depois de o governo ter rejeitado resgatar as instituições. Sem acesso aos mercados financeiros, a Islândia ficou sem dinheiro para pagar, e por duas vezes - em referendos em 2010 e 2011 -  os islandeses rejeitaram pagar estes depósitos, ou contrair empréstimos para os pagar, como proposto pelo Reino Unido e Holanda, que foram assim obrigados a reembolsar os seus cidadãos pelas perdas de um banco estrangeiro. A tensão diplomática aumentou e Londres e Amesterdão decidiram recorrer ao tribunal da Associação Europeia de Livre-Comércio (EFTA) que acabou, no entanto, por dar razão à Islândia. O ministro das finanças holandês considera que é “justificada” a decisão do país procurar ser compensado. “Existe um conflito sobre o valor das taxas de juro e dos custos. Este procedimento legal é sobre isso”, afirmou Jeroen Dijsselbloem. O Landsbanki já pagou cerca de 4,5 mil milhões de euros a credores prioritários, o equivalente a 54% do total dos depósitos estrangeiros. A falência do Landsbanki deu, entretanto, origem a um novo banco, o Nýi Landsbanki, criado em 2008 e detido maioritariamente pelo Estado islandês”