quinta-feira, fevereiro 13, 2014

Emil Jönsson: a incrível cronologia de uma medalha de bronze



Segundo o Jornal I, num texto do jornalista Rui Pedro Silva, “Emil Jönsson é um sueco de 28 anos com o sonho de ganhar uma medalha nos Jogos Olímpicos de Inverno. O esqui faz parte da sua vida desde os dois anos e estreou-se no crosse country a representar o seu país em 2004. Os resultados conseguidos deram-lhe sempre um rótulo de bom, mas não o suficiente. Há quatro anos, por exemplo, terminou a prova de sprint nos Jogos Olímpicos de Vancouver no sétimo lugar, com um tempo de 3:37.4. Sochi era um novo desafio e a concorrência, especialmente norueguesa, voltava a ser o grande obstáculo. Às 14h25, começou a traçar um caminho que ia acabar da forma mais impressionante que poderia pensar. Jönsson foi superando fases de qualificação até chegar à final: 5.o melhor tempo na primeira ronda, o mais rápido nos quartos-de-final e o segundo melhor tempo nas meias-finais. Já só faltava o último passo, aquele que lhe poderia tirar o "não" do rótulo para passar a ser "bom o suficiente". A prova decisiva estava marcada para as 17h40 mas Jönsson exibia sinais de uma noite mal dormida durante a apresentação. Num dos planos fechados proporcionados pela transmissão televisiva, o sueco foi visto a bocejar ferozmente como se estivesse no final de um longo dia de trabalho e não apenas a pouco mais de três minutos do momento que poderia ser o melhor da sua carreira. Jönsson estava mesmo a "dormir". Momentos depois do bocejo, cometeu uma falsa partida. Não foi grave - apenas a segunda leva a desqualificação - mas serviu como mais um sinal de que algo se passava: a concentração não era a ideal. Com pouco mais de um minuto decorrido na prova, Jönsson estava perfeitamente isolado... na cauda da corrida. Os cinco adversários tinham-no deixado para trás de tal forma que Jönsson já quase não os conseguia ver após virar uma curva. Estava exausto. O sueco parecia fora da corrida, destinado a cumprir a distância que faltava de forma sofrível e incapaz de reagir a estímulos. Mas apenas vinte segundos depois, tudo mudou. Depois de uma curva apertada à direita, Ola Vigen Hattestad e Teodor Peterson conseguiram seguir sem dificuldades, mas Anders Gloeersen, Sergey Ustiugov e Marcus Hellner caíram e deixaram a medalha de bronze ao alcance de Jönsson. O sueco reencarnara o espírito do caracol, seguindo ao seu ritmo sem se preocupar com as lebres na frente. Mas ali, ao ver três adversários caídos, Jönsson esqueceu-se do peso que tinha em cima, soltou a carapaça e ganhou uma segunda vida. A medalha de bronze chegou mesmo. Com um tempo de 3:58.13, a quase vinte segundos do norueguês Hattestad (ouro) e do sueco Teodor Peterson (prata), Jönsson cortou a meta completamente exausto e caiu inerte na neve, saindo apoiado em dois oficiais suecos. "Neste momento nem sei se me devo sentir feliz ou mal [pela queda dos rivais]", afirmou já depois de recuperar as forças”