Segundo o DN deLisboa, “contra a permanência no Euro dos países em crise e contra mais
resgates financeiros, o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) procura
chegar ao parlamento alemão e acusa os seus adversários de "abafar" o
debate sobre a crise europeia. Em declarações à Lusa, o candidato Hugh Bronson,
que concorre por Berlim nas eleições legislativas de domingo, afirmou que
conservadores e liberais vão ter que aceitar que as ideias do AfD são
"tudo menos doidas", mas antes "a única alternativa a
seguir". Sobre as hipóteses do seu partido entrar no parlamento alemão
Hugh Bronson mostra-se "absolutamente convencido" de que o AfD
conseguirá ultrapassar a barreira dos cinco por cento de votos necessários para
chegar ao Bundestag. Se tal acontecer, e se chegarem a ser "fiéis da
balança" para haver uma coligação governativa estável, o AfD impõe uma
condição: que os seus parceiros "digam claramente ?não' à atual política
de resgates financeiros" a países em crise, como a Grécia e Portugal.
"Demos à
Grécia 260 mil milhões de euros. Em 2011, o seu Produto Interno Bruto era de
211 mil milhões. Nunca vão conseguir pagar tanto dinheiro", afirmou. Para
os alemães, é "25 por cento" desse dinheiro que não verão investido
"em escolas ou infraestruturas".
"Isto não é
egoísmo, é pensar que se continuarmos a dar resgates, [os gregos] nunca
conseguirão voltar a sustentar-se", frisou. Hugh Bronson, que tem dupla
nacionalidade alemã e britânica, salientou ainda que "a maior parte do
dinheiro [dos resgates financeiros] não vai para as pessoas, vai para bancos
alemães e franceses que precisam de proteger os seus investimentos". A
solução defendida pelo AfD passa por gregos ou portugueses dizerem:
"Tentámos, mas a experiência falhou" e voltarem às suas moedas
nacionais, procurando alianças monetárias com outras economias europeias mais
compatíveis. Por enquanto, "metade da Europa suporta a outra metade, o que
não pode continuar", indicou.
"Tudo isto
está a correr muito mal e estamos a ser retratados como aqueles que forçam a
aplicação de medidas de austeridade", lamentou o candidato. Quanto aos
partidos que já estão no Parlamento, procuram "abafar" o debate sobre
a crise europeia porque "todos tem culpa, todos aprovaram os planos de
resgate". Nas eleições de domingo, o AfD, que Bronson diz atrair mais a
atenção dos meios de comunicação estrangeiros do que dos alemães que
"alinham" com os partidos estabelecidos conta com "conservadores
desiludidos, liberais que não se revêm no FDP e o voto de protesto". Com
uma campanha de meios modestos, Hugh Bronson afirma não saber "quem vai
votar" num partido que só tem 17 mil membros num país de 80 milhões de habitantes
formado há seis meses. "Nos anos 80, os Verdes também apareceram como
partido excêntrico, com uma ideia única, e hoje em dia já são parceiros de
governo aceitáveis. As nossas ideias vão ganhar um movimento amplo e
conservadores e liberais vão ter que as aceitar", afirma.