O que hoje se passa na relação entre a TAP
e a Madeira, é uma vergonha. Estou à-vontade porque sempre defendi a TAP, não
só enquanto companhia de bandeira, mas também pela qualidade do serviço e pela
garantia de segurança da frota. Várias vezes fui criticado por esse apoio e
algumas vezes fui autenticamente encostado às cordas de forma contundente, dada
a evidência de algumas situações que colocavam em causa a qualidade global do
serviço prestado.
Vamos
aos factos. Consegui obter a informação - e é por causa disso que volto a falar
de uma companhia portuguesa que os servis "yuppies" da actual elite
governativa lisboeta medíocre, claramente toda colocada ao serviço do
capitalismo europeu mais selvagem e que tomaram de assalto o poder em Lisboa,
querem a todo o custo e por tuta e meia, como a seu tempo constataremos,
privatizar a empresa - relacionada com as ligações efectuadas pela TAP para a
Madeira e particularmente com os sistemáticos cancelamentos ou atrasos de voos
numa escala preocupante e que exige intervenção imediata de quem de direito.
Procurei
junto da ANAM e da TAP saber mais informações sobre esta situação, mas tal como
era expectável, nada obtive de concreto. Obtive de uma fonte não oficial, mas
que reputo de bem informada, o seguinte retracto destas situações que em nada
servem a Madeira, enquanto região de turismo, e que não abonam a favor da
própria TAP:
- Desde passado dia 1 de Junho, e para atrasos
superiores a 15 minutos, registaram-se 22 chegadas e 16 partidas, tendo-se
chegado, numa situação em concreto, a um atraso da ordem dos 300 minutos, embora
sejam frequentes atrasos superiores a 60 minutos. Percebe-se que esta situação
tem reflexos quer os proveitos, da entidade concessionária do aeroporto do
Funchal e também em termos da própria imagem de uma Região que tem no turismo a
sua actividade económica principal, depois da crise na construção civil e obras
públicas.
- Embora ninguém me tenha confirmado esta sucessão de
atrasos e de cancelamentos nada usuais, a minha fonte garante-se que a
justificação para esta situação reside numa alegada falta de tripulações e de
aviões, situação que deverá prolongar-se por todo o verão, dada a
impossibilidade de contratar tripulantes e a inexistência de aeronaves
disponíveis. Tudo em nome da austeridade interna forçada e num corte da despesa
cego para que a TAP seja atractiva num processo de privatização já falhado, na
primeira investida, mas que Portugal parece estar agora proibido de confrontar-se
com novo fracasso por alegada exigência da troika. A TAP precisa de apresentar
resultados e de dar lucro nem que seja a coice e pontapé...
- Posso mesmo assegurar que entre 1 de Junho e 5 de
Agosto um total de 507 ligações da TAP, de e para o Funchal, sofreram atrasos,
alguns deles significativos. No mesmo período, e para as mesmas frequências, a
TAP procedeu ao cancelamento de quase 60 voos que terão afectado mais de 2.500
passageiros com destino ao Funchal e quase 2.000 passageiros com partida da Madeira.