quarta-feira, julho 10, 2013

Opinião: Perceber Paulo Portas? (II)



Terminando a minha análise ao comportamento de Portas nesta espécie de crise política, direi que a classificação de "irrevogável" dada pelo próprio à sua demissão, assentou na perspetiva de que o cenário político e governativo então existente, se mantinha sem alterações, ou seja, que Passos mantinha a sua atitude arrogante face ao CDS neste processo de substituição de Gaspar e que não haveria recuo. Acredito que o primeiro pensamento de Portas tenha sido, embora com alguma timidez, moldada pelo receio das consequências de uma crise política nesta altura, o de provocar grande instabilidade na coligação independentemente da sua continuidade ou queda.
A pretensa irrevogabilidade da demissão de Portas - por isso acredito que ele, até porque estamos a falar de um dos políticos mais hábeis e experimentados de entre os protagonistas atuais, facilmente desmontará essa questão, quando confrontado com ela - pode encontrar fundamento na suposição de que Portas terá dado como adquirido, até por situações semelhantes passadas, de que tudo se manteria inalterável. Portas não contava com a reação de Passos Coelho, não contava com a sua resposta - recusando o pedido de demissão e apontando para a renegociação do acordo entre os dois partidos o que desde logo condicionou fortemente o CDS, os seus órgãos dirigentes e o próprio Portas, alegadamente obrigado por Cavaco Silva a fazer parte do governo da coligação - versão não confirmada e até desmentida por fontes próximas de Belém - e intimado também pelo CDS a impedir uma crise política e a salvaguardar o partido do desgaste político que um desfecho desses irremediavelmente teria. Foi neste quadro politicamente complexo que Portas foi obrigado a negociar tudo.
A segunda ideia que retive do seu comunicado resulta do facto de pensar que, nas entrelinhas do texto, estava claramente referida a possibilidade de negociações que, a acontecerem, teriam obviamente que valorizar o papel do CDS no quadro da coligação, mesmo que das cedências do PSD pudesse resultar a ideia de perda de peso político na coligação, o que aparentemente veio a acontecer.
Penso que o objetivo essencial de Portas seria esse, o de reforçar, por via da pressão e da chantagem política, o papel do CDS na coligação, de atribuir a si próprio um estatuto pessoal e político no governo de coligação superior ao que tinha tido até hoje, no fundo ter uma ascendência mais ativa em áreas que nos próximos meses serão das mais sensíveis, porventura mesmo decisivas para o futuro político da coligação até Junho de 2014, casos das relações com a tróica – até hoje lideradas por um submisso e servil ex-ministro das finanças que em boa hora se pôs a andar – e da reforma do estado, mais concretamente do anunciado corte der 4,4 mil milhões de euros na despesa pública cujas consequências sociais serão bastante graves para os cidadãos, como a seu tempo constataremos.
E agora?
Esse é o principal problema de Passos e de Cavaco Silva, diria mesmo o principal desafio para ambos, porque se for necessário mais uma encenação do género - mesmo que suspeite que se isso acontecer será fatal para a coligação - não duvido que Portas estará na mesma linha de atuação. Resta saber se dessa vez agirá sozinho, levará o CDS a reboque, ou se adotando uma decisão ainda mais radical, demitindo-se de tudo, governo e partido, afastando-se da política, iniciando uma travessia do deserto que poderá ser fatal para PSD e para o CDS.
Para além da estabilidade política da coligação, Passos tem outros dois desafios. Desde logo, o primeiro deles, tentando suavizar o impacto da austeridade e a consequente queda de rendimentos das famílias e dos cidadãos, a braços com uma tremenda roubalheira governamental consubstanciada na política fiscal em vigor. A segunda componente desde primeiro desafio reporta-se à necessidade de serem tomadas decisões que mais do que propaganda viabilizem de facto uma reanimação da atividade económica, com especial prioridade na urgentíssima criação de emprego, necessitando para isso a adoção de uma postura diferente perante uma tróica de saída e que não pode continuar a ter a veleidade de querer impor de forma autocrática a sua vontade ao nosso país, ignorando o impacto da recessão e o facto de que, internamente, os membros da tróica não se entenderem quanto à austeridade que assentou em estudos recentemente desmistificados e desmentidos por estudos académicos recentes.
O segundo desafio de Passos prende-se com a impossibilidade de qualquer falhanço por parte deste recauchutado governo de coligação. Curiosamente essa proibição de falhar, surge no momento em que medidas porventura das mais difíceis de sempre, terão que ser tomadas - resta saber como e quando - no quadro de uma necessária redução da despesa pública do estado, mas que implicará medidas que terão impacto sobre os orçamentos das empresas, das famílias e dos cidadãos em geral, na medida em que a essa redução da despesa pública corresponderá de facto a transferência desse ónus do estado para famílias, cidadãos e empresas, o que poderá ser um novo rastilho de acrescida contestação social a coincidir ainda por cima com as eleições autárquicas de Setembro próximo.
Resta saber se Portas, quando a pressão aumentar, e quando o governo começar a se confrontar com a contestação social em resultado da anunciada reforma do estado, vai "sacudir a água do capote" e tentar responsabilizar Passos e Maria Luís Albuquerque pelo ónus das decisões, ou se terá a dignidade de assumir a sua co-responsabilidade. Estou desejando de perceber como é que o pretenso procurador dos reformados e pensionistas resolverá as ameaças que hoje persistem, de mais cortes nas pensões e nas reformas para que o estado tenha menos encargos. É por isso que tenho muitas dúvidas, sérias reservas, quanto à consistência deste novo acordo entre os dois partidos da coligação e sobretudo quanto ao seu empenho em levarem até final a presente legislatura. Basta-me que aguentem até Junho de 2014.
PS – o PS local numa demonstração, mais uma, de falta de descaramento e de piruetismo político do mais escabroso, agarrou-se agora às duas PPP regionais alegando tratar-se de um caso de polícia, segundo li num jornal continental. A lenga-lenga é a mesma e tem a mesma origem de sempre. O que este desacreditado PS local não disse foi que posição assumiu ao longo da bandalheira das PPP contratadas pelo criminoso governo socialista de Sócrates, que faliu o país, parcerias essas que na sua versão original custariam aos contribuintes mais de 40 mil milhões de euros. O PS local continua a branquear a história e, pior do que isso, a tomar os madeirenses por tontos, quando na realidade não tem autoridade moral, face ao legado deixado pelos socialistas, para abrir os queixos seja em relação ao que for. O país faliu por culpa deles, o país foi pedir ajuda externa por culpa deles, o país foi obrigado a negociar um memorando de entendimento por culpa deles, o país entrou num ciclo de austeridade criminosa e bandalha por culpa deles. O que é que o PS local afinal quer?! Que os madeirenses se esqueçam que eles estiveram sempre na primeira linha a aplaudir Sócrates?!Na realidade a bandalheira criminosa e corrupta das PPP deixadas pelo anterior governo não são caso e polícia. A dimensão a ladroagem é de tal modo que devia ser caso de prisão imediata para os seus autores. (LFM-JM)