segunda-feira, julho 22, 2013

Opinião: Finanças



É possível que a madeira possa apesar de tudo melhorar a proposta de Lei de Finanças Regionais que está em vais de ser votada, graças a negociações entre os deputados regionais do PSD e do CDS junto dos seus grupos parlamentares respetivos, mas também devido a uma decisiva ação de sensibilização junto do governo de coligação. Neste contexto, porque me parece importante e justo, gostaria de realçar o papel de Guilherme Silva e do Ministro-Adjunto Marques Guedes na fase final deste complexo processo – que inclusivamente levou a um intolerável e abjeto processo disciplinar contra os 4 deputados social-democratas madeirenses e os 3 eleitos pelos Açores, devido ao facto de terem votado contra a versão original da referida lei de finanças regionais - já que entre ambos existe não apenas uma profunda amizade – Guedes foi um dos vices de Guilherme quando este foi líder parlamentar do PSD na Assembleia da República – mas porque foi possível estabelecer um novo canal de diálogo com o ministro que depois da sua promoção, passou a coordenar, e bem, as relações entre Lisboa e as regiões autónomas. Uma relação pessoal e política que terá sido decisiva para este anunciado desfecho. Relativamente ao processo instaurado aos sete deputados madeirenses e açorianos, para além de manifestar a minha total solidariedade pessoal e política, considero vergonhoso e um enxovalho para o PSD nacional, se quiserem um atentado contra o seu património histórico de um partido que durante anos agitou a bandeira do partido da autonomia regional, pelo que não restará, caso se trate de um partido com dignidade, tomar a única decisão que se impõe, o arquivamento.
Recordo, e basta consultar os diferentes orçamentos de estado, os cortes que a Madeira sofreu a título de transferências diretas do OE para percebermos que não podemos continuar numa instabilidade financeira permanente:
2004 -                         -41,0 milhões de euros (governo PSD-CDS, Barroso)
2005 -                         -22,5 milhões de euros (governo PS, Sócrates)
2006 -                         -15,2 milhões de euros (idem)
2007 -                         -134,6 milhões de euros (idem), ano de entrada em vigor da nova LFR
2008 -                         -145,8 milhões de euros (idem)
2009 -                         -156,3 milhões de euros (idem)
2010 -                         -165,2 milhões de euros (idem)
2011 -                         -101,4 milhões de euros (governos PS, Sócrates e governo PSD-CDS)
2012 -                         -80,9 milhões de euros (governo PSD-CDS, Passos-Portas)
2013 -                          -76,6 milhões de euros (governo PSD-CDS, Passos-Portas)
Em termos globais, refira-se que entre 2004 e 2013 a Madeira recebeu diretamente do OE como transferências ao abrigo da lei de finanças regionais, menos cerca de 940 milhões de euros do que as verbas canalizadas para os Açores no mesmo período. A situação agravou-se significativamente entre 2007 e 2011, graças à lei de finanças regionais impostas pelo governo socialista de Sócrates e que contou sempre a concordância e o apoio entusiástico dos socialistas da Madeira, postura que agora escondem. Os valores acima referidos, bem como todos os demais constantes deste texto, são obtidos através de consulta aos respetivos quadros publicados com os orçamentos de estado. Não é ficção, nem são invenções minhas…
Quanto ao PIDDAC, e usem os argumentos que quiserem, a diferença do tratamento dado pelo estado em relação às duas regiões é inquestionável – apesar de, comparativamente aos da LFR, estarmos a falar de valores inferiores - como podemos constatar nesta relação de valores que mostra a diferença da Madeira comparativamente aos Açores:
2004 -                         -15,9 milhões de euros (governo PSD-CDS, Barroso)
2005 -                         -16,9 milhões de euros (governo PS, Sócrates)
2006 -                         -24,0 milhões de euros (idem)
2007 -                         -18,1 milhões de euros (idem)
2008 -                         -17,5 milhões de euros (idem)
2009 -                         -32,3 milhões de euros (idem)
2010 -                         -21,0 milhões de euros (idem)
2011 -                         -9,0 milhões de euros (governos PS, Sócrates e governo PSD-CDS)
2012 –                        -16,0 milhões de euros (governo PSD-CDS, Passos-Portas)
2013 –                        -5,7 milhões de euros (governo PSD-CDS, Passos-Portas)
Em termos globais, sublinho que entre 2004 e 2013 a Madeira recebeu do OE, por conta do PIDDAC, um total de menos cerca de 176 milhões de euros que os montantes atribuídos aos Açores.
Quer isto dizer que juntando transferência da LFR e verbas do PIDDAC inscritas nos OE, entre 2004 e 2013 a Madeira recebeu menos um pouco mais de 1,1 mil milhões do que os Açores.
Quanto às transferências do OE para as autarquias, Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia, temos outra relação comparativa entre as duas regiões autónomas, sabendo-se que no tocante às transferências do OE os órgãos de poder local, entre 2004 e 2013, o diferencial entre a Madeira e os Açores ascendeu a quase 373 milhões de euros a menos para a nossa região:
2004 -                         -29,7 milhões de euros (governo PSD-CDS, Barroso)
2005 -                         -30,4milhões de euros (governo PS, Sócrates)
2006 -                         -30,5 milhões de euros (idem)
2007 -                         -30,3 milhões de euros (idem)
2008 -                         -32,3 milhões de euros (idem)
2009 -                         -33,9 milhões de euros (idem)
2010 -                         -35,9 milhões de euros (idem)
2011 -                         -32,3 milhões de euros (governos PS, Sócrates e governo PSD-CDS)
2012 -                         -31,1 milhões de euros (governo PSD-CDS, Passos-Portas)
2013 -                         -31,2 milhões de euros (governo PSD-CDS, Passos-Portas)
Em termos globais, refira-se que entre 2002 e 2013 os municípios da Madeira receberam diretamente do OE cerca de menos 348 milhões de euros do que os montantes atribuídos aos Açores, apesar de termos mais população que os Açores (246.072 habitantes segundo os Censos 2011 contra 267.938 na Madeira). A única justificação é que os Açores, nos termos do seu Estatuto Político, integram 19 Câmaras Municipais e 156 Juntas de Freguesia… LFM-JM