terça-feira, fevereiro 05, 2013

Ex-gestor defendeu nacionalização do grupo SLN

Garante o Económico num texto da jornalista Lígia Simões que "Franquelim Alves defendeu que a nacionalização do BPN deveria ter abarcado a SLN. Tudo devido a “cordão umbilical” entre a área não financeira e o banco. Franquelim Alves, ex-gestor da SLN, defendeu no Parlamento que ‘holding' proprietária do BPN - antes da nacionalização - também deveria ter ficado nas mãos do Estado quando o anterior Governo optou pela solução "radical" de nacionalizar o banco, em 2008, que já custou aos bolsos dos contribuintes portugueses, pelo menos 3,4 mil milhões de euros, podendo, no limite, atingir 6,5 mil milhões de euros quando o Estado alienar todos os activos que ainda estão na sua posse. "O que fazia sentido era sempre uma aproximação integrada a todo o problema, isto é, ao conjunto do grupo. (...) Na minha visão, havia ali assim um cordão umbilical entre a área não financeira e o banco que qualquer solução, teria de passar sempre por uma solução integrada que, depois, tratasse todo o conjunto de activos também de forma integrada", disse Franquelim Alves, administrador da área não financeira da SLN, entre Novembro de 2007 e Outubro de 2008, na audição da comissão de inquérito sobre a situação que levou à nacionalização do BPN, realizada a 24 de Março de 2009. Perante os deputados da comissão defendeu que essa seria "a melhor solução", ainda que admitindo estar em causa "uma área de grande subjectividade de análise". A tese do ex-gestor e actual secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação ia, assim, ao encontro da visão de Miguel Cadilhe - que sempre criticou a nacionalização do BPN, tendo proposto, em alternativa, que o Estado ficasse com acções preferenciais, sem voto, no valor de 600 milhões de euros e que seriam remuneradas. À semelhança de Cadilhe, o argumento era o de que o então Governo socialista veio criar, ou agravar, problemas no seio do grupo SLN, numa operação de nacionalização em que apenas um terço dos 6.500 empregados da SLN estava afecto ao BPN. E que colocava em risco a continuidade de muitos negócios no seio do grupo SLN, que actuava em áreas tão variadas como a saúde, automóvel e imobiliário. Três anos depois, sabe-se que os maiores incumpridores são empresas ligadas ao grupo SLN. Há uma lista de mais de 500 grandes clientes do BPN com dívidas superiores a meio milhão de euros, num montante global de três mil milhões, que deixaram de pagar ao banco, agravando a degradação dos activos tóxicos do banco que estão em poder do Estado. Entre estas empresas encontram-se a Pluripar, a Solrac Finance, a Labicer ou a Cimentos Nacionais e Estrangeiros (CNE). Os créditos em incumprimento correspondem à carteira de activos da Parvalorem, a maior das três sociedades criadas pelo Estado para gerir os activos tóxicos do BPN, que tem a seu cargo um volume de dívidas de 4,2 mil milhões de euros. Na comissão de inquérito foi ainda questionado o papel do ex-gestor na comunicação da informação sobre a relação do BPN com o balcão virtual do Banco Insular já que o banco central de Cabo Verde foi informado que o BPN era dono do Insular, em Março de 2008 e o Banco de Portugal só três meses depois. Franquelim Alves explicou que foi preciso listar de forma "exaustiva" as operações dentro e fora do balanço do Insular para se validar com "rigor" a situação para comunicar ao BdP. O Banco Insular funcionou como um dos pilares da estratégia de definida por José Oliveira Costa, e um núcleo central de arguidos, para "a obtenção de poder pessoal e influência na área financeira e realização de negócios". O Ministério Público contabilizou mais de 20 mil milhões de euros em operações fora de balanço do Banco Insular, do universo BPN, identificando milhares de contas abertas, entre as quais contas ‘offshores' que tinham como último beneficiário a SLN para depósito de fundos"