Segundo o Económico, "as previsões do Governo sobre os encargos líquidos com PPP não são fiáveis. A crítica é da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) no relatório de análise à Conta Geral do Estado de 2011 (CGE/11). A unidade afirma que "a prática recorrente de não se considerar qualquer previsão para os Reequilíbrios Económicos e Financeiros (REF) nos relatórios do Orçamento do Estado contraria a recomendação do Tribunal de Contas, não permitindo apresentar uma previsão fiável dos encargos líquidos com PPP", pode ler-se no documento. Por isso, o total de encargos líquidos com PPP em 2011 que consta da CGE/11 não é directamente comparável com a previsão do relatório do Orçamento do Estado para 2011 (OE/11), uma vez que a informação apresentada no OE/11 "continua a ser omissa relativamente aos critérios utilizados na sua elaboração". Em causa estão, por exemplo, as PPP rodoviárias, cuja previsão de encargos "não inclui qualquer estimativa para os pedidos de reequilíbrio financeiro, nem inclui o IVA", pode ler-se. Os encargos líquidos com as PPP ficaram assim 360,8 milhões de euros acima do previsto, o que corresponde a um desvio de 25%. No total, os encargos líquidos com as PPP suportados pelo Estado - ou através da Estradas de Portugal - no que respeita às concessões rodoviárias - chegaram aos 1,82 mil milhões de euros. O desvio global, refere a UTAO, deveu-se sobretudo aos encargos líquidos com as PPP rodoviárias, que ficaram 30% acima do inicialmente previsto. Aqueles encargos ascenderam a 1,52 mil milhões de euros em 2011, mais 354,4 milhões do que o previsto. Os encargos com as parcerias na área da saúde também ultrapassaram em 11,4 milhões de euros as estimativas iniciais. E o único desvio favorável ficou a dever-se às PPP ferroviárias, em que os encargos desceram 7,1 milhões de euros. Recorde-se que em 2010, as PPP contavam ainda com o projecto relativo ao troço Poceirão-Caia, da rede de alta velocidade, e que entretanto, foi suspenso. O maior desvio registado nas PPP rodoviárias deveu-se sobretudo a maiores encargos com os Reequilíbrios Económicos e Financeiros e a menores proveitos. Os REF contribuíram com 274 milhões de euros para o desvio (que totalizou os 354 milhões de euros). Os REF no âmbito do Túnel do Marão, que totalizaram os 197 milhões de euros justificam a maior parte da derrapagem, explica a UTAO. Por outro lado, o desvio verificado nos proveitos das PPP rodoviários, de menos 135 milhões de euros, ficou a dever-se ao facto de a introdução de portagens da segunda fase apenas ter ocorrido em Dezembro, oito meses depois do previsto"