sexta-feira, janeiro 04, 2013

Relvas desautoriza presidente da RTP sobre data da decisão da privatização

Segundo o Publico, "Alberto da Ponte disse à redacção da RTP que o dossier vai a Conselho de Ministros no dia 10. Relvas diz que não é a RTP que faz a agenda do Governo. O presidente da RTP disse nesta quinta-feira à redacção da televisão e rádio públicas que o dossier da privatização ou concessão irá a Conselho de Ministros na próxima semana. Alberto da Ponte esteve na redacção acompanhado pelo director-geral de conteúdos, Luís Marinho, e pelo novo director de Informação, Paulo Ferreira, para uma conversa com os jornalistas ao início da tarde, onde deixou um discurso animador e partilhou algumas novidades, apurou o PÚBLICO. Sobre a privatização, Alberto da Ponte disse aos jornalistas da empresa que considera que esta só deve ser feita se houver vantagens nessa privatização e realçou não ter qualquer influência ou interferência nesse processo que é, vincou, uma decisão política. Questionado pelo PÚBLICO, o gabinete do ministro Miguel Relvas, que tutela a TV e rádio públicas, limitou-se a responder que "quem decide a agenda do Conselho de Ministros não é o presidente da RTP". E acrescentou que, tal como o ministro afirmou recentemente, o dossier RTP "será debatido numa das próximas reuniões do Conselho de Ministros", sem, no entanto, se comprometer com prazos. Em Dezembro, Miguel Relvas e até mesmo o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho garatiram em diversas ocasiões que o assunto seria debatido em Conselho de Ministros até ao fim de 2012. Porém, a falta de acordo com o parceiro de coligação CDS-PP levou a que o assunto tenha sido continuamente adiado.A assessoria de comunicação da administração da RTP, assegurada pela empresa de António Cunha Vaz, enviou, entretanto, uma nota contraditória ao PÚBLICO. No mesmo texto diz que "a afirmação que [o PÚBLICO atribui" ao presidente da RTP não corresponde à proferida por Alberto da Ponte à redacção da RTP, e afirma também logo a seguir que "o presidente da RTP informou que 'esperava que fosse decidido o mais rápido possível e que o primeiro Conselho de Ministros era já dia 10 de Janeiro. Nesse ou num dos próximos será.'"
RTP2 muda para o Porto, mas a produção interna é minimal
Nesta sexta-feira, Alberto da Ponte estará nas instalações do Porto onde também explicará a estratégia de mudar para ali toda a produção da RTP2 e da RTP Internacional ainda este mês. A decisão vem assim acalmar a polémica levantada a Norte com o anúncio da transferência para Lisboa da produção do programa matinal Praça da Alegria e deixa antever que poderá haver uma separação formal dos activos de produção da empresa. Fonte da administração citada pela Lusa justifica com a “melhor utilização dos meios humanos e físicos que existem no Porto”. A decisão não implicará encargos extra uma vez que será possível fazer na empresa serviços que em Lisboa eram contratados fora. Porém, a RTP decidiu, há alguns meses, acabar com o magazine cultural "Câmara Clara", transmitido diariamente pela RTP2, e a nova direcção de Informação também já anunciou o fim do noticiário "Hoje", emitido às 22 horas. O programa de actualidades "Sociedade Civil", apresentado por Fernanda Freitas, que era transmitido a meio da tarde aos dias úteis foi de férias a 14 de Dezembro e não voltou. Olhando para a grelha do canal percebe-se que restam muito poucos programas que necessitam de ser produzidos pela RTP. Haverá desporto nas tardes de fim-de-semana e os programas dos parceiros institucionais, mas até parte destes é feita pelos próprios. Os programas das confissões religiosas têm a ajuda da produção da RTP.
Presidente quer regresso do futebol
O presidente defendeu que a Informação deve ser o pilar insubstituível da RTP, mas fez questão de sublinhar a fronteira entre a gestão editorial e a gestão da empresa. Terá mesmo mostrado desconhecer que a direcção de Informação decidira acabar com o noticiário Hoje, da RTP2. Questionado pelos jornalistas, o presidente disse ainda que a RTP só está disponível para esperar mais dois meses por um novo painel de medição de audiências, que está a ser refeito pela empresa GfK, a qual, garantiu Alberto da Ponte, ainda não recebeu um cêntimo da TV pública. Adepto confesso de futebol, também afirmou que gostaria de ver a I Liga regressar à RTP por considerar que o futebol também é serviço público, mas admitiu não ter dinheiro para isso. Aliás, no capítulo financeiro, disse ainda que a actual dívida da RTP se situa nos 120 milhões de euros, mas não coloca constrangimentos para a gestão quotidiana".