Garante o Correio da Manhã num texto do jornalista António Sérgio Azenha que "cerca de 280 mil famílias vão perder rendimentos mensalmente em 2013, apesar do pagamento em duodécimos de 50% dos subsídios de férias e de Natal. Na prática, constata-se que, devido ao enorme aumento da carga fiscal, os impostos acabam por ficar com um salário de todos os agregados familiares que, com dois filhos, têm um rendimento bruto igual ou superior a 5000 euros por mês. A mesma perda de rendimento mensal terão os contribuintes solteiros, sem filhos, que recebam um ordenado bruto de 2500 euros. As simulações da Ordem dos Técnicos de Contas (OTOC) deixam claro que o aumento da carga fiscal terá um forte impacto no bolso dos contribuintes em 2013: regra geral, graças ao pagamento de um subsídio em duodécimos, o rendimento disponível aumenta este ano para as famílias, que tenham dois filhos, com rendimentos mensais brutos até 2600 euros, mas, a partir deste valor de referência, o pagamento da prestação em duodécimos deixa de compensar a subida da taxa do IRS e a aplicação da sobretaxa de 3,5%. Por exemplo, em 2013, um agregado com dois filhos e um rendimento mensal bruto de 1800 euros, devido ao pagamento de 150 euros em duodécimos, receberá mais 38 euros por mês do que em 2012. Já uma família com dois dependentes e 5000 euros de rendimento bruto mensal, mesmo com o pagamento de 416 euros de duodécimos, receberá apenas 2,48 euros a mais do que em 2012. O efeito deste "enorme aumento de impostos", como já reconheceu o ministro das Finanças Vítor Gaspar, aplica-se quer a contribuintes do setor público, quer do setor privado. No caso dos funcionários públicos, por exemplo, a subida da carga fiscal significa que, a partir de ordenados daquela ordem de grandeza (2500 €), perdem o subsídio de férias devolvido pelo Governo este ano. A tudo isto, é preciso somar o fim de grande parte das deduções à coleta, que vai penalizar ainda mais as famílias.
TABELA COM ERROS
As tabelas de retenção de IRS, divulgadas na noite de segunda-feira e publicadas no mesmo dia em Diário da República, aparentam ter um erro nas taxas aplicadas aos escalões mais elevados. Trata-se de tabelas que dizem respeito aos pensionistas e que contrariam a progressividade do imposto (quem mais ganha mais paga), que as próprias Finanças disseram sair reforçada com a aplicação destes novos valores. O problema surge para os pensionistas com uma remuneração mensal de 4385 euros. Com efeito, a tabela apresentada para os pensionistas casados cujo rendimento coletável pertence a um único titular apresenta uma diferença na progressão das taxas de imposto a reter na fonte: nos rendimentos até aos 4103 euros, a taxa de IRS aplicada é de 27,5% (sempre progressiva). E, apesar de a retenção subir no patamar seguinte (rendimentos até 4385 euros) para os 28,0%, a retenção volta a descer, no escalão de rendimentos até aos 4647 euros, para os 27,5% sem que haja uma justificação aparente. Este é, aliás, o único exemplo demonstrativo da quebra de progressividade nas tabelas publicadas. E coloca pensionistas com reformas mais altas a pagarem menos do que outros com um rendimento inferior".