quinta-feira, janeiro 03, 2013

Estêvão Neves não vai ao aumento do Banif

Segundo o Dinheiro Vivo, "até ao final de junho, o Banif vai realizar um aumento de capital de 450 milhões de euros. Apesar de os seus dois acionistas de referência (Rentipar Financeira e a Auto-Industrial) já terem garantido a subscrição de cem milhões de euros, a operação do banco liderado por Jorge Tomé não contará com a participação do empresário madeirense Estêvão Neves. Em resposta escrita ao Dinheiro Vivo, o empresário que recentemente se tornou o terceiro maior acionista do BCP revelou que "na reunião da comissão executiva do grupo Enotel foi deliberado não acompanhar o aumento de capital do Banif, face à nossa exposição ao sector". O dinheiro arrecadado junto dos investidores privados servirá para o Banif devolver ao Estado parte do investimento feito através dos títulos de dívida de capital contingente (CoCo's). Isto porque o plano de recapitalização do banco prevê, antes do aumento de capital, a injeção de 1,1 mil milhões de euros de fundos estatais vindos da linha de 12 mil milhões disponibilizada pela troika exclusivamente para o fortalecimento do sector financeiro português. Deste montante, 700 milhões de euros dizem respeito à emissão de ações com direitos especiais, com o valor unitário de 0,01 euros cada uma, e os restantes 400 milhões de euros serão injetados no banco presidido por Jorge Tomé através dos CoCo's, como já aconteceu na recapitalização do BCP, do BPI e da CGD. O plano de recapitalização terá ainda de passar pelo crivo dos acionistas do Banif, que irão reunir-se em assembleia geral no próximo dia 16 de janeiro. Com a luz verde acionista, o Estado ficará praticamente dono do banco durante os próximos seis meses, ou seja, até à realização do aumento de capital. E mesmo com a realização desta operação, o Estado português continuará com a maior do capital durante, no mínimo, cinco anos. O plano de recapitalização deverá permitir ao Banif atingir um rácio de solvabilidade (Core Tier I) superior a 12%, acima dos 10% exigidos pelo Banco de Portugal e pela troika, ao mesmo que - segundo revela a proposta de recapitalização publicada na segunda-feira passada - é criada uma "margem prudencial de capital".