Segundo a RTP, "a ministra federal da Educação, Annette Schavan, dirigente democrata-cristão e mulher de confiança da chanceler Angela Merkel, viu-se pela primeira vez atacada pela CSU (União Social-Cristã). Saldam-se desse modo contas antigas. A vingança dos parceiros de coligação social-cristãos serve-se fria. Annette Schavan continua a gozar do apoio de Angela Merkel contra a acusação de ter cometido um plágio na sua tese de doutoramento. O porta-voz da chanceler, Steffen Seibert, continua a afirmar a "plena confiança" da chanceler na sua ministra. E, com efeito, seria impossível deixá-la cair sem mais, depois de tanto se ter apoiado em Schavan durante vários anos. Mas o processo contra a ministra continua a correr na Universidade de Düsseldorf e os parceiros de coligação social-cristãos sairam finalmente da sua reserva. Fê-lo sem eufemismos nem rodeios o deputado regional da CSU na Baviera, Ernst Weidenbusch, afirmando segundo a agência noticiosa dapd: "Seria tempo de a senhora se envergonhar não só em privado". A formulação é sibilina e alude a um outro episódio, em que o carismático ministro social-cristão da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg, fora igualmente acusado de plágio. Tal como agora acontece com Schavan, ele conservara inicialmente a "plena confiança" de Merkel. E Schavan fora a primeira a demarcar-se de Guttenberg, admitindo que se envergonhava, ela, e "não só em privado". Os social-cristãos vingam-se agora da agilidade de Schavan em demarcar-se. Alguns fazem-no de forma mais discreta do que Weidenbusch, mas também vão dando sinais no mesmo sentido. Foi o caso do perito económico da CSU Erwin Huber, que começou a sua declaração por afirmar que deve aguardar-se o resultado do processo em curso na Universidade de Düsseldorf. Mas logo em seguida foi mais longe do que o deputado do parlamento bávaro e alvitrou, encapotadamente, a demissão de Schavan. Caso o processo a considere culpada de plágio, "ela própria deverá saber o que fazer".