Segundo o Económico, "os ministros das Finanças da zona euro devem dar na reunião de hoje mais uma ajuda na estratégia portuguesa de regresso aos mercados. O Governo espera receber dos ministros das Finanças da zona euro um sinal da flexibilização das condições de financiamento do resgate português. Esta orientação, que deverá sair da reunião de hoje do Eurogrupo, será a ajuda dos parceiros europeus de que Passos Coelho tem falado e que facilitará o progressivo regresso aos mercados.Em causa está a aplicação também a Portugal de condições mais vantajosas de financiamento do programa de ajuda, à semelhança do que aconteceu com a Grécia. Mas o alívio a aplicar a Portugal não será igual ao que foi dado aos gregos - até porque, tal como Passos Coelho tem frisado, Portugal "não está na situação da Grécia". O Governo, contudo, mantém o tabu sobre o ‘timing' da flexibilização das condições do acordo. É que há novo Eurogrupo marcado para os dias 4 e 5 de Fevereiro, o primeiro sob a presidência de Wolfgang Schäuble, para preparar o Conselho Europeu de dia 8. Por isso, o anúncio oficial pode ficar adiado até essa data, até porque os mercados têm sempre os olhos postos nas cimeiras dos chefes de Estado e Governo europeus. Certa é a revisão das condições da ajuda externa, já sinalizada há duas semanas por Jean-Claude Junker. De todas as medidas que foram aplicadas a Atenas, a única que reúne consenso das autoridades nacionais e dos parceiros europeus é o alargamento das maturidades do empréstimo do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), por mais 15 anos. Um dos argumentos que Portugal vai utilizar para defender um prazo maior prende-se com o risco sobre a dívida pública: a ‘troika' prevê um pico de 122% do PIB, no limite do sustentável, o que retira cada vez mais margem de manobra ao programa português para se ajustar ao ciclo económico. E uma extensão do prazo do empréstimo poderá dar algum alívio nesse sentido. O ministro das Finanças vai levar um trunfo para convencer os seus homólogos europeus: a execução orçamental de Dezembro, que segundo o que o Diário Económico apurou junto de fonte governamental foi "uma boa surpresa" e dá sinais de que a meta do défice de 5% poderá ter sido cumprida, apesar de todas as barreiras que apareceram ao longo do ano. Também estarão em cima da mesa o diferimento do pagamento dos juros e uma revisão no preço das comissões. Baixar os juros propriamente ditos não será opção, até porque a Grécia conseguiu esse alívio apenas para a parte do empréstimo garantido através dos acordos bilaterais entre Estados membros - e Portugal não tem empréstimos viabilizados desta forma. Tendo em conta que a revisão do preço das comissões garante uma diminuição de apenas 20 milhões de euros aos custos do resgate português, esta não é a primeira escolha de Passos Coelho. "As duas primeiras matérias [alongamento das maturidades e diferimento do pagamento de juros] têm mais importância", reconheceu o primeiro-ministro, no Parlamento, no final do ano passado. E explicou: "Porque nos interessa que no nosso regresso ao mercado não tenhamos um volume de dívida para refinanciar".
Note-se que depois da operação de troca de dívida realizada a 3 de Outubro as necessidades de financiamento para este ano reduziram-se significativamente. A pressão está agora de 2014 em diante. É certo que a factura do empréstimo da ‘troika' só começa a ser paga a partir de 2015, mas qualquer diminuição neste custo terá impacto já no presente. É que necessidades de financiamento alisadas dão mais confiança aos investidores para comprar dívida agora. Este sinal de maior flexibilidade do Eurogrupo vem reforçar a janela de oportunidade para Portugal regressar aos mercados nos próximos dias, tal como o Económico avançou. Os juros em mercado secundário estão agora mais baixos do que antes de Portugal ter pedido ajuda internacional e as diligências para preparar o regresso têm sido várias. Recorde-se que o Conselho de Ministros fez publicar em Diário da República a autorização para o IGCP emitir dívida em tempo recorde, permitindo assim que a agência liderada por Moreira Rato vá aos mercados a qualquer momento. O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, já discutiu, há cerca de duas semanas, a estratégia de regresso aos mercados com o Banco Central Europeu. E na semana passada o IGCP esteve em Nova Iorque, num' roadshow' para cativar investidores".