Segundo o site da RTP, “a actividade do bloco operatório do Hospital de São João está a gerar uma troca de acusações entre a administração da unidade de saúde do Porto e a Ordem dos Médicos. Depois de o presidente do Conselho de Administração, António Ferreira, ter apontado a existência de 30 cirurgiões que este ano não entraram sequer no bloco, o presidente da Ordem, José Manuel Silva, denunciou a forma “simplista” como foi colocada a questão e acusou o administrador de se furtar à suas funções. O ministro da Saúde, Paulo Macedo, garante estar atento ao caso. Sublinhando que o diagnóstico de António Ferreira é “simplista” ao ater-se a um cálculo da média de cirurgias dos médicos especialistas, o presidente da Ordem dos Médicos alerta para o facto de, ao expor os números desta forma, estar a transmitir “uma ideia profundamente negativa da atividade médica no Hospital de São João”. Na véspera, em declarações ouvidas na TVI24, o administrador havia confessado que 30 cirurgiões da unidade a que preside “nunca foram ao bloco operatório”. António Ferreira explicaria que um dos cirurgiões mantinha o melhor registo com 12 cirurgias por semana, enquanto que outros se limitaram a duas operações e 30 nenhuma. Contas feitas, “cada cirurgião faz em média uma cirurgia por semana”, sublinhava o presidente do Conselho de Administração do São João, para acrescentar ainda que “a taxa de absentismo é de 11 por cento, isto significa que estão ausentes todos os dias, dos 5600 funcionários, cerca de 660”.
Presidente da Ordem “perplexo e indignado”
As declarações preferidas pelo administrador do São João originaram uma forte reação por parte da Ordem dos Médicos, com José Manuel Silva - “perplexo e indignado” – a questionar por seu lado as capacidades profissionais de António Ferreira para o cargo que exerce. “Não tem o direito de atirar para o ar a suspeita de que há cirurgiões que andam a passear pelos corredores ou nem sequer vão ao hospital. E a ser verdade, então é bom que explique por que razão isto acontece”, desafiou o líder da Ordem. Avançando com a justificação de que, havendo três dezenas de operadores que não fazem cirurgias, isso possa dever-se ao facto de manterem outras funções na unidade de saúde, José Manuel Silva é peremptório em afirmar que não sendo esse o caso - ou seja, se não trabalham - deviam ter sido despedidos. “O presidente do hospital é que tem de explicar o que fazem esses 30 cirurgiões, pois se de facto não trabalham já deveria ter prevenido a situação e atuado de forma que fossem despedidos”, devolveu o presidente da Ordem dos Médicos.
Ministro atento ao São João do Porto
Instado pelos jornalistas a pronunciar-se sobre esta questão, o ministro da tutela disse que está atento ao que se passa no Hospital de S. João de Porto. "O que o presidente do hospital queria dizer não tinha nada a ver com redução de cirurgias, porque o Hospital de São João fez um número maior de atos, para além daqueles que estavam contratados e, como sabem, teve uma distinção pela qualidade do que pratica. Não houve aqui, no caso a que se estava a referir, qualquer referência a uma redução de atos, mas sim, concretamente, ao facto de haver cirurgiões e outros profissionais que não tinham a produtividade que a própria Ordem dos Médicos exige", afirmou Paulo Macedo. Numa declaração à margem de uma visita, esta terça-feira, à Casa de Santa Maria, uma unidade de prestação de serviços de saúde e apoio social, garantiu ainda que é sua intenção, através de um novo modelo de gestão, fazer com que aumente o número de cirurgias no Serviço Nacional de Saúde”.