Li no Económico, num trabalho dos jornalistas Maria Ana Barroso e António Costa que “a seguradora do grupo, a Açoreana, vai participar no reforço de fundos próprios. “Para breve”, diz o banco, ocorrerá o registo formal da fusão da Banif SGPS no Banif SA. O_reforço global de fundos próprios do Banif, que terá de ser feito até ao final deste ano, deverá ultrapassar os mil milhões de euros, apurou o Diário Económico. Esta necessidade de capitais reflecte sobretudo as imparidades da actividade do grupo no Brasil, a exposição ao imobiliário neste mercado e também em Portugal e os efeitos da degradação económica portuguesa. Até agora o montante apontado para o reforço de capital do Banif estava entre os 800 e 900 milhões de euros. O aumento de fundos próprios será feito em parte com recurso ao pacote de 12 mil milhões de euros de ajuda estatal e também com o apoio dos actuais accionistas de referência, família Roque e Auto Industrial. O_BES vai apoiar a operação, estando previsto que tome firme cerca de 50 milhões de euros. O esforço accionista deverá rondar os 150 a 200 milhões de euros mas o Diário Económico sabe que também a seguradora do grupo, a Açoreana, vai participar no reforço de fundos próprios. O_grosso da operação será sempre assegurado pelo Estado. Tendo em conta que o montante global deve ultrapassar os mil milhões de euros, o apoio estatal pode, no limite, rondar os 800 milhões de euros. Ao fazer parte dos oito maiores grupos bancários nacionais, o Banif está obrigado pela ‘troika' a atingir, até ao final do ano, um rácio ‘core tier 1' de 10%. Para que este reforço de fundos próprios avance é preciso que a assembleia geral ratifique a operação. A lei obriga a que a convocatória seja feita com 15 dias de antecedência, o que significa que a convocatória deverá ter de surgir muito em breve. Contactado o banco, fonte oficial disse, a propósito do valor da operação, que "o Banif nunca comentou nem vai comentar quaisquer números sobre o aumento de capital que têm sido aventados na comunicação social". Sobre a entrada da Açoreana, refere que "o Banif nunca se pronunciou sobre questões de actuais ou potenciais accionistas do grupo". Sobre os prazos legais a cumprir, a mesma fonte diz que "após a remoção do obstáculo à fusão da Banif SGPS com o Banif SA, é necessário o registo formal dessa fusão que está para breve". E acrescenta que "todos os restantes prazos estão a ser coordenados entre as entidades envolvidas neste processo". Para além do tempo demorado na negociação com o Estado e o Banco de Portugal, outro factor que atrasou o fecho da operação foi um processo judicial por uma empresa cliente do Banif. A Lisop colocou uma acção em tribunal contra o Banif e o BCP por lhe terem fechado o crédito, pelo facto de estes dois bancos se terem declarado como credores depois de a empresa ter deixado de pagar as suas dívidas. Esta acção judicial, entretanto desbloqueada, atrasou o registo comercial da fusão por integração da Banif SGPS no banco Banif SA, passo essencial para que o reforço de capitais ocorra. Actualmente é a Banif SGPS que detém o Banif, assim como a seguradora Açoreana e outros activos. Ora só o banco pode recorrer à ajuda do Estado. Para que a operação possa acontecer, é ainda necessário que a Rentipar Financeira, por sua vez, deixe de ter a maioria do capital, durante o próprio processo de reforço de capital do Banif. Ainda que indirectamente a família possa conseguir manter a maioria. É esta ‘holding' o chapéu do grupo, através da qual a família Roque hoje controla todo o negócio financeiro”.