quinta-feira, novembro 04, 2010

Opinião: "A irresistível tentação das redes sociais"

"Cavaco lançou farpas aos deputados através do Twitter. Passos fez texto exclusivo no Facebook. Falar ao povo sem olhar aos media. Entre o que Cavaco Silva pensa e o que o povo sabe que ele pensa não há espaço para um jornalista mediar. A lengalenga valeu pelo menos quando o assunto era a discussão parlamentar do OE e Cavaco despiu a farda de reservado Presidente para se pôr na pele do moderno candidato a Belém. A história passou-se terça-feira à noite. Depois de ouvir a retórica inflamada dos políticos na Assembleia, Cavaco ter-se-á posto ao computador para mandar uma mensagem aos seus seguidores no Twitter. "A actuação do Presidente da República não pode contribuir para o espectáculo público de cinismo ou de agressividade." Não contente com os 140 caracteres - o máximo que um tweet pode ter - fez enter e continuou à escrita: "Vejo com muita apreensão o desprestígio da classe política e a impaciência com o que os cidadãos assistem aos debates." Palavras que tiveram réplicas. Ricardo Rodrigues, vice da bancada socialista, respondeu pela via tradicional. Nos corredores da Assembleia, rodeado de jornalistas, tratou as farpas do Presidente por conversa de candidato. Mas outros deputados houve que responderam na mesma moeda - pelo Facebook. José Lello, socialista, atirou o "desprestígio" para a bancada do PSD. Chamou-lhes deputados "dúplices que, por um lado, viabilizam o OE, mas, por outro, não se coíbem de zurzir despudoradamente aquilo que viabilizam". De Cavaco, disse que "omite causas e esconde culpados!" O Orçamento para 2011 foi também pretexto para Passos Coelho afirmar a sua presença nas redes sociais. O líder do PSD fez a única declaração sobre o acordo negociado com o Governo, através do Facebook. A contenção de Passos contrasta com os comentários instantâneos dos deputados. Durante os últimos dois dias, da esquerda à direita, os parlamen- tares relataram em tempo real as peripécias do debate. Luís Menezes, do PSD, escrevia: "O MinSantos Silva e o seu discurso com referências mitológicas, foi um verdadeiro teatro grego. Mas na versão trágica." Mas séria foi a mensagem do secretário de Estado José Junqueiro: "O PSD não percebeu que com esta guerrilha a desconfiança dos mercados será a mesma ou pior". (do DN de Lisboa, com a devida vénia)

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