quinta-feira, novembro 04, 2010

Funcionários do Estado antecipam aposentação?

Diz o jornalista do DN de Lisboa, João Cristovão Batista que "as medidas de austeridade apresentadas pelo Governo no final de Setembro e ontem aprovadas no Orçamento do Estado para 2011 estão a provocar uma verdadeira "corrida" às reformas antecipadas por parte dos trabalhadores do Estado. A revelação foi feita ontem ao DN por alguns dos principais sindicatos da função pública, que acreditam que até ao final do ano o número de pedidos de aposentação antecipada poderá chegar ao valor mais elevado de sempre (ver caixa). Ao DN, os sindicatos referem ainda que há muitos trabalhadores que temem a apresentação de novas medidas de penalização da função pública já no próximo ano. "O que constatamos é que as pessoas estão a fazer contas e a perceber que ficam a perder pouco se optarem por se reformar já", explicou Ana Avoila, coordenadora da Frente Comum, adiantando que "as penalizações que vão sofrer a maior parte das pessoas não é superior aos custos de ficar a trabalhar, com cortes nos salários e aumento nos descontos para a Caixa Geral de Aposentações (CGA)". Para a decisão final da maior parte dos trabalhadores que estão a pedir a reforma antecipada está a pesar "o mau ambiente nos serviços: há poucas pessoas e quem está tem uma carga de trabalho muito grande", concluiu. Francisco Braz, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), tem uma percepção semelhante desta corrida às reformas antecipadas, que atribui ao "medo" que os funcionários públicos sentem em relação à possibilidade de apresentação de novas medidas que possam vir a penalizar os trabalhadores do Estado. "Depois do corte salarial que está previsto para 2011, já se fala em medidas adicionais para o próximo ano, o que será incomportável", referiu ao DN Francisco Braz, frisando que a maior parte das pessoas que estão a avançar com pedidos de aposentação antes do tempo temem mesmo um aumento da idade de reforma. "Se o FMI vier para Portugal, o mais certo é haver aumento da idade de reforma. Por isso, há muitas pessoas que já se estão a aposentar, porque agora as penalizações são menores do que serão dentro de um ano", adiantou, revelando que o STAL espera que o número de pedidos "dispare até ao fim do ano". A questão das condições laborais levantada por Ana Avoila é também uma das respostas apontadas pelo Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) para a corrida às reformas antecipadas que este sindicato está a constatar: "há muito pouca gente a trabalhar, há muita gente com uma carga excessiva e há muitos que já não aguentam isto e estão com problemas psicológicos, de stress e de depressão", revelou Bettencourt Picanço, presidente do STE. Os funcionários que pediram aposentação estão a receber cartas da CGA, que os incita a ponderar uma reforma mais tardia"

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