quarta-feira, novembro 03, 2010

Açores: “Existe tráfico de influências entre governo e grupos de advogados”

Segundo o Correio dos Açores, "o presidente do Conselho Distrital da Ordem dos Advogados e recandidato, o socialista Eduardo Vieira, considerou ontem “notório” “o tráfico de influências entre estruturas” do governo açoriano presidido por Carlos César “e grupos de advogados”, aquilo que considerou como “corrupção”. Há três listas de candidatos à Distrital da Ordem dos Advogados dos Açores, uma liderada por Eduardo Vieira, outra por Paulo Linhares e uma terceira encabeçada por Carlos Mosca. E a campanha eleitoral está ao rubro com troca de acusações. As declarações de Eduardo Vieira, prestadas ontem aos jornalistas, não deixam dúvidas. Nos Açores, afirmou, “o tráfico de influências entre as empresas, entre as estruturas governamentais com determinados grupos de advogados tornam-se notórios. Ora, isso é prejudicial”, considerou. O recandidato disse estar “farto de ouvir colegas a dizer que passam por algumas dificuldades. E eu pergunto. Então o governo não tem tanto trabalho? Não pode distribuir por esta gente? Porque é que não há de ter um critério de distribuição dos trabalhos com a lista de advogados da Ordem? Não, dá o trabalho ao Joaquim dos anzóis (advogado Paulo Linhares) que tem um sócio que é deputado (Ricardo Rodrigues) e, sendo deputado, é membro de um escritório. E, portanto, temos a padinha toda feita. Isso é corrupção com as letras todas, corrupção. Portanto, temos de acabar com isso”, completou. Eduardo Vieira afirmou que esta é uma questão “tão séria, tão séria, tão séria, que quando eu a levantei o senhor presidente pediu-me para eu dar essas informações e eu entreguei essas informações ao senhor presidente do governo. Por aquilo que sei, o senhor presidente do governo tomou medidas mas, às vezes, é preciso não esquecer, porque as medidas desgastam-se no tempo, e com a nossa humidade então, elas desaparecem com muita facilidade”.
Os juizes e as festas...
Portanto, completou, “temos de ter uma preocupação permanente e nós vamos ter essa preocupação. Se ganharmos essas eleições, uma das primeiras coisas que vão fazer é pedir audiência ao senhor presidente do governo, falar com ele e falar desta matéria de uma forma aberta”, disse. O recandidato disse que, se for eleito, vai proceder a uma alteração aos estatutos. “Nós queremos uma alteração da figura com mais obrigações, mas também com mais poderes e, nomeadamente uma alteração profunda às receitas do próprio conselho. Esse conselho, que queremos que seja regional, certamente que tem de ser, em parte, sustentado pelo conselho geral, ou seja, pelas receitas totais da Ordem”. Isto porque “os colegas do Continente não têm os nossos problemas e eles não têm de se deslocar às outras ilhas. Essa realidade tem de ser conhecida. São os custos da insularidade”. Eduardo Vieira fez também uma referência aos Juízes em serviço na Região. “Eu não posso ter um juiz que ontem esteve numa festa de casamento, amanhã num baptizado e no outro dia nas festas do Espírito Santo, e no dia seguinte estar a fazer um julgamento com pessoas que estavam na festa. Ele pode ser muito sério e muito honesto, mas as pessoas não perdoam que ele estava feito com aquela gente. Isto é a voz do povo, mas a justiça é para o povo, não é para intelectuais”, afirmou o recandidato. Está convencido que, ao levantar estas questões está “a criar algumas inimizades. Eu sei que estou a atingir algumas pessoas que amanhã me vão obrigar a pagar o custo por estas declarações, mas eu não tenho medo. Não há ninguém que me tape a boca. Eu hei-de dizer aquilo que sinto, porque o estou a fazer com consciência e com um objectivo sério, que é melhorar a vida dos advogados”. Paulo Linhares já reagiu a estas declarações de Eduardo Vieira e, em declarações à RDP/Açores, afirmou que o gabinete de advogados a que pertence tem defendido “bem” a Região nos processos judiciais que a envolvem e que vai defender-se na justiça”

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