quarta-feira, novembro 03, 2010

Açores: "Cortes nos hospitais revelam “desprezo” pela assistência médica"

Diz o Correio dos Açores, num texto do jornalista João Paz, que "o responsável pela Ordem dos Médicos na Região, Eduardo Pacheco, acusa o governo dos Açores de “gastar em folclore” e fazer cortes orçamentais na assistência médica aos açorianos. “E é assim que se governa os Açores”, sublinha, a propósito. Se o executivo açoriano não recuar, vai propor aos responsáveis hierárquicos a desresponsabilização médica no arquipélago para os médicos não irem parar a Tribunal por ineficiência dos serviços hospitalares. E das farpas ao governo, Eduardo Pacheco passa à acusação aos jornalistas que, no seu entender, neste ‘dossier’, “estão a prestar um mau serviço”. Os hospitais da Região estão em discordância com a política anunciada pelo governo na sequência das alterações aos serviços de urgência e de prevenção que o executivo quer pôr em prática. O Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, está mesmo em polvorosa. A eliminação de algumas prevenções nocturnas uniu todos os profissionais da unidade hospitalar na contestação à medida. Todos dizem que é a assistência às populações que está em causa. E o presidente do governo, Carlos César, veio pôr achas na fogueira ao considerar que os médicos não são intocáveis e que o que se pretende não é reduzir verbas mas definir prioridades. De um lado está o governo a dizer que ouviu os conselhos de administração e direcções clínicas dos hospitais. Do outro há queixas sobre a falta ou insuficiência do diálogo. O conselho de administração do hospital de Ponta Delgada está sob pressão. A Direcção Clínica da unidade hospitalar abstêm-se, por enquanto, de vir a público anunciar a sua posição, mas não exclui a possibilidade de se demitir. Os directores de serviços estão relutantes em pôr em prática esta medida governativa e vão reunir para tomar uma posição conjunta. Quem já veio a público dizer “não” foi Pereira Duarte, director do serviço de pediatria do Hospital de Ponta Delgada, onde se vão verificar cortes “de maior gravidade” nas prevenções da urgência pediátrica. Pereira Duarte é o próprio a, nestas circunstâncias, pedir para lhe retirarem a idoneidade e a acreditação. “As medidas que o senhor secretário levar para a frente vão trazer gravíssimas perturbações no serviço de urgência de Pediatria e no serviço de Reumatologia”, justificou nas declarações, entretanto, feitas à RDP/Açores e que foram também adiantadas ao nosso jornal. A Ordem dos Médicos, nos Açores, tem assumido uma posição de força contra as medidas governativas e o responsável pela Ordem na Região, Eduardo Pacheco, nunca foi tão longe na contestação à política do governo como nesta entrevista ao ‘Correio dos Açores".

Sem comentários:

Enviar um comentário