sexta-feira, junho 18, 2010

Opinião: Liedson é um erro de casting

"1-A selecção portuguesa não defendeu pior nem melhor do que muitas outras e, frente à Costa do Marfim, foi cautelosa como tantas outras na primeira jornada do Mundial. Então porquê o desalento? Porque há muito que a selecção de Carlos Queiroz perdeu a capacidade para controlar o ritmo das partidas. O nosso meio-campo é bom a cerrar fileiras, mas está lento e falho de ideias na hora de sair a jogar. Depois, à frente, há um erro de casting. Liedson é um ponta-de-lança finalizador: quando toca na bola é para a jogada acabar. Mas os nossos extremos (leia-se Danny e Cristiano Ronaldo; Simão é diferente) são "egoístas", no sentido em que gostam de rematar quando apanham a bola. Liedson não faz de "pivot" para as entradas dos médios e fica o jogo todo à espera de centros que não aparecem (também porque o laterais se encolhem). Um enorme desperdício.
Mas haveria alternativa? Hugo Almeida não está talhado para o papel. Em Portugal, só Nuno Gomes poderia desempenhar esta tarefa, mas Jorge Jesus não o deixou jogar no Benfica... Para alterar esta lógica, Queiroz teria de jogar com Ronaldo na posição 9, numa frente de ataque em constante movimento.
2. Não é bem a mesma coisa, mas há algo nesta Alemanha que nos faz pensar na França de 1998. Metade dos convocados tem origens estrangeiras e a tradicional solidez da selecção alemã aparece agora temperada com condimentos mais exóticos. Chegou a ser entusiasmante no primeiro jogo.
3- Ao princípio nem demos por nada. Depois começámos a achar que faltava qualquer coisa, até que nos demos conta de que as macas quase não têm entrado em campo neste Mundial. Nem elas nem os médicos, massagistas e toda aquela multidão que por cá tem mais tempo de televisão do que qualquer jogador.
4-Diego Forlán foi o primeiro a marcar dois golos neste Mundial. É um justo prémio para um jogador admirável"
(texto de Luis Francisco, no Publico, com a devida vénia)

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